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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Paz e graça e a luta contra os vícios


Texto extraído de “A imitação de Cristo e a centralidade da cruz na luta contra a carne” de Thomas à Kempis (1379-1471), Ed. Shedd publicações.

Poderíamos gozar de muita paz, se não nos ocupássemos com as palavras e feitos de outros homens, que nada têm a ver conosco. Como pode permanecer em paz, por muito tempo, aquele que se lança aos problemas dos outros, que busca ocasiões fora, que pouco ou então poucas vezes se recolhe em si?

Bem-aventurados são os que não têm coração dividido, pois desfrutarão de muita paz.

Por que foram alguns dos santos tão perfeitos e contemplativos? Porque concentraram em mortificar-se inteiramente a todos os desejos terrenos e, assim, puderam, a partir do íntimo do coração, concentrar-se em Deus, e estar livres para se recolherem em seu interior.

Somos muito possuídos por nossas próprias paixões e muito preocupados, quanto a coisas transitórias. Raras vezes vencemos sequer um vicio, perfeitamente, e não estamos abrasados no esforço de nos tornar melhores, a cada dia; por isso, permanecemos frios e mornos. Se estivéssemos mortos para nós mesmos, e não emaranhados em nós mesmos, então poderíamos sentir o sabor prazeroso de coisas divinas e conhecer algo da contemplação celestial.

O maior impedimento - na verdade todo impedimento - é que não nos desvencilhamos de nossas paixões e desejos carnais, nem procuramos entrar no caminho perfeito dos santos. Quando nos deparamos com qualquer pequena adversidade, muito rapidamente nós nos desanimamos e nos voltamos em busca de consolo humano.

Se procurássemos, como homens corajosos, nos postar firmes na batalha, com certeza veríamos acima de nós a ajuda de Deus, vinda do Céu, pois ele mesmo, que nos dá oportunidades de lutar, visando levar-nos a vitória, esta pronto para socorrer aqueles que lutam e confiam na sua graça.

Se avaliamos nosso progresso na vida religiosa com base em apenas algumas observâncias externas, nossa devoção chagará ao fim bem depressa. Mas vamos dirigir o machado à raiz (Mt3.10), para que, uma vez libertos de paixões, possamos possuir nossas almas em paz.

Se, a cada ano, pudéssemos tirar pela raiz algum vicio, logo nos tornaríamos homens perfeitos. Mas agora, muitas vezes vemos que a vida caminha contrariamente e éramos melhores e mais puros, no início de nossa entrada na vida religiosa, do que , após muitos anos de nossa profissão de fé.

 Nosso fervor e aproveitamento deveriam aumentar diariamente. Mas agora avalia-se como muito importante um homem poder reter pelo menos uma parte de seu primeiro zelo.

Se usássemos um pouco de força no começo, deveríamos, depois, ser capazes de realizar todas as coisas com facilidade e deleite. E duro abandonar aquilo ao qual estamos acostumados, mas é mais duro ainda ir contra nossa própria vontade. Mas, se você não vencer coisas pequenas e fáceis, como irá vencer coisas mais difíceis? Resista à sua inclinação bem no começo e desaprenda um mau habito, para que, de pouco a pouco, ele o faça entrar em maior dificuldade.
Ah, se você meditasse em quanta paz para si e alegria para os outros você conseguiria, rebaixando-se! Creio que você ficaria mais solicito pelo seu próprio progresso espiritua

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