Texto extraído de “A imitação de Cristo e a
centralidade da cruz na luta contra a carne” de Thomas à Kempis (1379-1471),
Ed. Shedd publicações.
Poderíamos
gozar de muita paz, se não nos ocupássemos com as palavras e feitos de outros
homens, que nada têm a ver conosco. Como pode permanecer em paz, por muito
tempo, aquele que se lança aos problemas dos outros, que busca ocasiões fora,
que pouco ou então poucas vezes se recolhe em si?
Bem-aventurados
são os que não têm coração dividido, pois desfrutarão de muita paz.
Por que foram
alguns dos santos tão perfeitos e contemplativos? Porque concentraram em
mortificar-se inteiramente a todos os desejos terrenos e, assim, puderam, a
partir do íntimo do coração, concentrar-se em Deus, e estar livres para se
recolherem em seu interior.
Somos muito
possuídos por nossas próprias paixões e muito preocupados, quanto a coisas
transitórias. Raras vezes vencemos sequer um vicio, perfeitamente, e não
estamos abrasados no esforço de nos tornar melhores, a cada dia; por isso,
permanecemos frios e mornos. Se estivéssemos mortos para nós mesmos, e não
emaranhados em nós mesmos, então poderíamos sentir o sabor prazeroso de coisas
divinas e conhecer algo da contemplação celestial.
O maior
impedimento - na verdade todo impedimento - é que não nos desvencilhamos de
nossas paixões e desejos carnais, nem procuramos entrar no caminho perfeito dos
santos. Quando nos deparamos com qualquer pequena adversidade, muito
rapidamente nós nos desanimamos e nos voltamos em busca de consolo humano.
Se
procurássemos, como homens corajosos, nos postar firmes na batalha, com certeza
veríamos acima de nós a ajuda de Deus, vinda do Céu, pois ele mesmo, que nos dá
oportunidades de lutar, visando levar-nos a vitória, esta pronto para socorrer
aqueles que lutam e confiam na sua graça.
Se avaliamos
nosso progresso na vida religiosa com base em apenas algumas observâncias
externas, nossa devoção chagará ao fim bem depressa. Mas vamos dirigir o
machado à raiz (Mt3.10), para que, uma vez libertos de paixões, possamos
possuir nossas almas em paz.
Se, a cada ano,
pudéssemos tirar pela raiz algum vicio, logo nos tornaríamos homens perfeitos. Mas
agora, muitas vezes vemos que a vida caminha contrariamente e éramos melhores e
mais puros, no início de nossa entrada na vida religiosa, do que , após muitos
anos de nossa profissão de fé.
Nosso fervor e aproveitamento deveriam
aumentar diariamente. Mas agora avalia-se como muito importante um homem poder
reter pelo menos uma parte de seu primeiro zelo.
Se usássemos
um pouco de força no começo, deveríamos, depois, ser capazes de realizar todas
as coisas com facilidade e deleite. E duro abandonar aquilo ao qual estamos acostumados,
mas é mais duro ainda ir contra nossa própria vontade. Mas, se você não vencer
coisas pequenas e fáceis, como irá vencer coisas mais difíceis? Resista à sua
inclinação bem no começo e desaprenda um mau habito, para que, de pouco a pouco,
ele o faça entrar em maior dificuldade.
Ah, se você meditasse em quanta paz para si e
alegria para os outros você conseguiria, rebaixando-se! Creio que você ficaria
mais solicito pelo seu próprio progresso espiritua

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