A bíblia é o nosso manual, o caminho, a palavra de Deus, e muitos ainda
a conhecem somente de capa, quando mais de estudo ou de meditação. Este trecho
extraído do livro “Experimentando as profundezas de Jesus Cristo” (ed. Vida) foi
escrito por Jeanne Guyon no final do século XVII e trata de uma das formas que
ela ensinava aos seus amigos de buscar simplesmente estar na presença de Deus,
de não passar rapidamente os olhos como se somente observamos o valor de uma
conta que chega em casa, mas analisar, reler e orar. Transformar em oração as
palavras de Deus, e, acrescento, assumir sua vontade e suas promessas.
Gostaria de me dirigir a você como a um novato
em Cristo, alguém que busca conhece-lo. Assim, deixe-me sugerir duas maneiras
de você vir ao Senhor. Vou chamar a primeira maneira de “orar a Escritura”; a
segunda eu chamarei de “contemplar o Senhor” ou “esperar em sua presença”.
“Orar a
Escritura” é uma maneira singular de lidar com a Escritura; envolve tanto ler
quanto orar.
Veja como você
pode começar.
Volte-se para
a Escritura; escolha alguma passagem que seja simples e razoavelmente prática.
Em seguida, vá ao Senhor. Faca isso calma e humildemente. La, perante ele, leia
uma pequena parte da passagem da Escritura que você escolheu.
Seja cuidadoso enquanto lê. Absorva plena,
calma e cuidadosamente o que esta lendo. Sinta o gosto e digira o texto
enquanto o lê.
Pode ter sido
seu hábito no passado, enquanto lia, passar muito rapidamente de um verso da
Escritura para outro até haver lido a passagem toda. Talvez você estivesse procurando
achar o ponto principal da passagem. Entretanto, ao vir ao Senhor por meio de
“orar a Escritura”, não leia rapidamente; leia bem devagar. Não vá de uma
passagem a outra sem antes ter sentido
o conteúdo do que leu.
Você pode então querer tomar aquela porção da
Escritura que o tocou e transforma-la em oração.
Após haver
sentido algo da passagem e depois de saber que a essência daquela porção foi
extraída e todo seu sentido mais profundo
foi compreendido, então, vagarosa, delicada e calmamente comece a ler o
trecho seguinte da passagem. Você ficará surpreso ao descobrir que, quando o
seu tempo com o Senhor terminar, terá lido muito pouco, provavelmente não mais
do que meia página.
Não se avalia
“orar a Escritura” por quanto se lê, mas por como se lê.
Se você lê
rapidamente, isso será de pouco benefício. Você será como uma abelha que
meramente plana sobre a superfície de uma flor. Ao contrário, nesta nova forma
de ler em oração, você pode se comparar a uma abelha que penetra nas profundezas
da flor. Você mergulha profundamente para retirar seu néctar mais profundo.
Claro, existe
um tipo de leitura da Escritura para erudição e estudo - mas não é esse o caso.
Esse tipo erudito de leitura não o ajudará quando se tratar de assuntos que são
divinos! Para receber algum proveito profundo e íntimo da Escritura, é preciso
ler da forma que descrevi. Mergulhe nas profundezas das palavras que você lê
até que a revelação, como aroma suave, o invada.
Tenho absoluta
certeza de que, se você seguir esse caminho, aos poucos virá a experimentar uma
oração muito valiosa que flui do seu ser interior.
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