E, para que saibais também a meu respeito e
o que faço, de tudo vos informará Tíquico, o irmão amado e fiel ministro do
Senhor. Foi para isso que eu vo-lo enviei, para que saibais a nosso respeito, e
ele console o vosso coração. Paz seja com os irmãos e amor com fé, da parte de
Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. A graça seja com todos os que amam
sinceramente a nosso Senhor Jesus Cristo.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Dia 12 - Fortalecendo-se para batalha
Efésios 6.10-20
Quanto ao
mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda
a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo;
porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados
e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças
espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para
que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.
Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da
justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre
o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do
Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a
palavra de Deus; com toda oração e
súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda
perseverança e súplica por todos os santos e também por mim; para que me seja
dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido
o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em
Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo.
Em
um mundo que solicita ao Papa abolição do inferno, coisas espirituais somente soam bonitas quando caminham junto com o discurso
moderno e politicamente correto. Inferno? Ideia ultrapassada! Espíritos malignos?
Coisas de gente supersticiosa! Não cabem mais em um mundo científico e tecnológico.
E a própria igreja entra na dança secular, quando não vai a um extremo oposto
de medo e ineficácia diante das trevas. Chega a ser curioso o quando Keith
Green, cristão dos anos 70, chega a ser atual em sua canção No One Believes In Me Anymore, que parte
do ponto de vista do diabo: “Eu costumava ter que esgueirar-se ao redor | Mas
agora eles só abrem suas portas | Você sabe, ninguém mais observa meus truques
| Porque ninguém acredita em mim”. E como lutar com algo que não mais se
acredita?
Após
analisar nossas relações com outras pessoas, Paulo passa a falar de nossa relação
com o mundo espiritual e começa a nos convocar para a batalha não contra carne
ou sangue, seres físicos, mas sim “sim contra os principados e potestades,
contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do
mal, nas regiões celestes”. O inimigo está claro, nossa posição precisa ser
assumida. Não é uma batalha que possamos ficar aguardando e que nos está
alheia, mas que acontece todo dia e da qual fazemos parte. Chamando atenção a
nossas fraquezas, o apóstolo diz que devemos nos fortalecer no Senhor e na
força do seu poder, afinal, não estamos sozinho nesta batalha:
Noutras palavras, o verdadeiro ponto em questão não é tanto a minha
luta contra o diabo, como é a luta de Deus contra o diabo. É desse modo que se
deve ver o assunto. Ver a questão dessa maneira imediatamente nos dá grande
força.
Vejam a analogia óbvia. O soldado
em particular, nas fileiras ou nas trincheiras durante uma grande batalha de
uma grande guerra, não está travando um combate particular, não está ali porque
tem uma briga pessoal. Ele é apenas uma unidade nunca grande campanha. Não é
ele que decide sobre a estratégia, nem mesmo sobre a tática. Tudo isso está
noutras mãos. Ele está na guerra, foi convocado, foi colocado nessa situação;
entretanto a guerra não é dele. É uma guerra do rei ou da rainha ou da pátria,
e há um general comandando e dirigindo as atividades do exercito e conduzindo a
luta. (D. M Lloyd Jones)
Sabendo
contra quem lutamos, por quem lutamos e que não estamos sozinhos, devemos
caminhar em buscar a força e o poder do senhor, palavras já destacadas
outras vezes em Efésios. Somos chamados a nos revestir da verdade, justiça, paz
a palavra de Deus – a tomar sua armadura, pois sabemos que o inimigo é
poderoso, maligno e astuto. Não vamos com nossas próprias forças e sabedoria,
mas usamos o equipamento e força de Deus. Devemos nos cingir com a verdade.
Usualmente feito de couro, o cinto do soldado romano era essencial: prendia a túnica,
segurava a espada e dava sensação de força e confiança. E não cingimos outra
coisa se não a verdade, seja de uma vida sincera junto a Cristo, seja da
Palavra revelada – somente a verdade nos protege das mentiras do maligno.
O
segundo item é a couraça da justiça, não só nossos atos de justiça ao resistir
as tentações, mas principalmente da justifica de Deus. “Certamente nenhuma
proteção espiritual é maior do que um relacionamento justo com Deus”, diz John
Stott, pois em Cristo somos justificados. E é essa couraça que protege tanto de
frente como as constas das investidas e calunias do maligno. As sandálias dos legionários
romanos, por sua vez, eram usadas para marchas longas e para tomar posição
firmemente, evitando que o pé deslizasse. Da mesma forma, nos calçamos com a “preparação
do evangelho da paz”, onde preparação significa prontidão, preparo, firmeza –
podendo significar tanto a firmeza para aqueles que a usam como o entusiasmo
para a pregação das boas novas, pois “formosos são sobre os montes os pés do
que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz” (Isaías 52.7)
Devemos
tomar também o escudo da fé para nos proteger dos “dardos inflamados do maligno”.
Os escudos romanos poderiam ser preparados para proteger todo o corpo (como num
batalhão de choque) e eram projetados para apagar as flechas incendiarias. Em
nossa vida cristã, quantas vezes não somos açoitados com falsas culpas,
pensamentos acusatórios, maliciosos e
pensamentos de duvidas e desobediência? O escudo dá fé deve ser tomado, pois o próprio
Deus é escudo e proteção dos que nEle confiam (Provérbios 30.5). Não a toa o
complemento é o capacete da Salvação – “a proteção para nossa cabeça é a medida
de salvação que já recebemos (o perdão, a libertação da escravidão a Satanás, e
a adoção na família de Deus) ou a expectativa confiante da plena salvação no
último dia (inclusive a glória da ressurreição e a semelhança a Cristo no céu),
não há duvida de que o poder salvidico de Deus é nossa única defesa contra o inimigo
das nossas almas” (Jonh Stott).
Por
fim nos é apresentado nossa arma de ataque, a espada do Espírito, que é a
Palavra de Deus. A Palavra é descrita
como espada cortante e penetrante que desfaz as defesas, fere consciências e desperta
espiritualmente os homens. E esta arma está em nossas mãos para ser usada para
resistir ao diabo, assim como Cristo fez no deserto, e para evangelização (Mateus
10.17-20 e Hebreus 4.12).
Toda
a armadura é apresentada e percebemos que a oração deve permear toda a guerra
espiritual, pois assim expressamos nossa dependência divina e somos guiados
pelo Espírito. Paulo diz que devemos orar todo
tempo, ou seja, constantemente, com toda
oração e suplica, com toda a
perseverança e fazendo suplica por todos
os santos – retornando novamente a nova união gerada em Cristo. Não podemos
deixar de orar e vigiar. Paulo pedia que orassem por Ele também para que fosse instrumento
de Deus e sem empecilhos fosse propagada a palavra. Até Cristo voltar, não
podemos esmorecer e pensar que não há mais batalhas a serem travadas, como se
não houvesse mais nada a fazer. Em Cristo somos fortalecidos e vencemos o
maligno (1 João 2.14).
***
D.M. Lloyd Jones; O soldado
cristão – Exposição sobre Efésios 6.10-20, Publicações evangélicas
selecionadas.
John Stott. A Mensagem de Efésios
– A nova Sociedade de Deus, ABU editora.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Dia 11 - Pais e filhos, senhores e servos
Efésios 6.1-9
Vós, filhos,
sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e
a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e
vivas muito tempo sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos
filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor. Vós, servos, obedecei
a vosso senhor segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso
coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas
como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade como ao Senhor e não
como aos homens, sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer,
seja servo, seja livre. E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando
as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu e que para
com ele não há acepção de pessoas.
Continuando
a analisar os relacionamentos domésticos sob o prima da nova sociedade moldada
pelo Espírito, percebemos a centralidade de Cristo em todas as coisas. Cada
exemplificação de Paulo é um convite e seguir os passos de Cristo e se
apropriar desta nova vida, é a teologia em pratica. Aqui não vamos analisar
mais profundamente a questão histórica sobre pais e filhos ou mesmo sobre o
grande problema da escravidão no velho ou no novo testamento – que ainda hoje
assola diversos países e deve, portanto, ser combatido. Vamos buscar aspectos
práticos e extrair o que Paulo tem para nós hoje.
Sabendo
que uma sociedade bem estruturada começa em suas micro relações, esposo-esposa,
pais-filhos, o apóstolo Paulo já faz uma diferenciação. Enquanto as mulheres
devem submeter aos maridos – que já aprendemos que significa entrega voluntaria
de si mesma aquele que a ama - para os filhos o termo é mais forte: obedecer.
São três os motivos apresentados; primeiro “porque isto é justo”, ou seja, é
algo que faz parte da lei natural de que Deus escreveu em nossos corações, e
isso é algo praticamente reconhecido em todas as culturas. Segundo, isto é
reconhecido pela Lei de Deus “Honra teu pai e a tua mãe” (Êxodo 20.12 e 5.16).
Costumamos dividir os 10 mandamos entre 4 relativos a Deus e 6 relativos aos
nossos relacionamentos com outras pessoas, mas os judeus nunca viram assim. Dividiam
as leis em duas tábuas por igual, pois consideravam a honra aos pais no âmbito
do nosso dever com Deus – pois os pais representam Deus diante de nós e devem
agir como intermediários de sua autoridade e bondade. Por fim é nos apresentado
o terceiro motivo: este é o primeiro mandamento com promessa, ou seja, “para
que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra”. E como coloca John Stott, isso é uma
consequência lógica, afinal “uma sociedade saudável é inconcebível sem uma sólida vida familiar”.
Perceba
que poderá haver atritos, principalmente se os pais não forem cristãos, mas
somos chamados como pacificadores, e devemos evitar conflitos, desde que não se
interponham com o Senhor (Mt 10.34-39).
Entende-se também que a obediência é algo da
infância/juventude, seguido por honrar os pais na vida adulta, e neste aspecto
muitas vezes somos falhos. Quantos idosos não estão abandonados pelos filhos, a
mercê de adversas circunstâncias, por razões egoístas? Creio que isso não pode
ser reconciliado com o quinto mandamento e exige reflexão. Perceba também que a
obediência de que Paulo fala é no Senhor,
ou seja, “colocam sobre os filhos a responsabilidade de obedecer aos pais por
causa do seu próprio relacionamento com o Senhor Jesus Cristo”.
Qual
o dever dos pais em tudo isso? Assim como o marido edifica a esposa, os pais
devem edificar, amar, corrigir quando necessário, e guiar os filhos para que
atinjam plenitude do que são em Cristo. É
dito para não provocar a ira e “sabemos mesmo é que os pais podem facilmente
abusar da autoridade, ou, por fazerem exigências irritantes ou absurdas que não
levam em conta a inexperiência, ou por severidade e crueldade num extremo, ou
por favoritismo e agrados exagerados no outro, ou por humilhar e oprimir os
filhos, ou por fazer uso de duas armas vingativas: a ironia e a ridicularizarão”.
Mesmo a disciplina, “doutrina e admoestação”, nunca deve ser arbitraria e em
momento de raiva, para não causar desanimo. Lembremos: o objetivo na criação
dos filhos é ajuda-los a desenvolver seu pleno potencial, nem abatendo e nem
superprotegendo. Muitas vezes o que os pais chamam de rebeldia é somente a
necessidade de desenvolver independência e aprender a exercitar sua própria
autoridade. Por isso devemos ouvir o conselho do Dr. Martin Lloyd Jones: “Ao
disciplinar uma criança, você deve ter primeiramente controlado a si mesmo...
Que direito tem você de dizer ao seu filho que ele precisa de disciplina quando
você obviamente está precisando dela também? O autocontrole, o controle do seu
próprio gênio, é uma condição essencial no controle dos outros”. Lembre ainda
que os filhos são do Senhor, e a principal função ao uso da autoridade é que
cheguem a conhecer ao Senhor e lhe obedecer.
***
Os
conselhos se estendem então a relação chefe e empregado. Não é difícil fazer as
conexões devidas. Nosso objetivo é colocar Cristo em nossa visão. Tudo o que
fizermos deve ser para Ele e deve ser com excelência. Não depende de um chefe
chato ou cheio de cobranças. É-nos lembrado que nosso dever é de agir em todas
as coisas como que para Deus, e de todo coração, não buscando paparicar e
agradar os homens, mas crendo que nossa maior herança é a aprovação do Senhor e
que “cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre”.
Precisamos colocar isto em mente porque é fácil cair no pseudoateismo – viver
como se não houvesse Deus apesar de crer nele.
Aos
chefes/senhores, Paulo observa que são iguais aos servos/escravos (algo já
distinto da época) e diante de Deus, de forma que o relacionamento deve ser em
justiça e em fraternidade (não somos mais estranhos, mas irmãos em Cristo). É
fácil cobrar os deveres dos outros, Paulo conclama a cumprirmos os nossos.
Às
vezes, quando tenho muitas atividades na faculdade, acontece de chegar atrasado
ao trabalho. Minha chefia sabe os motivos e nunca fez cobranças em meus
horários, mas sempre que chego atrasado, saio mais tarde também (o serviço está
sempre lá, independente do horário). Outra pessoa que trabalhava comigo
perguntou por que estava saindo tão tarde certo dia e expliquei a situação. Ela
disse que bom seria se todos os empregados tivessem essa consciência, afinal
estão sendo pagos e o bem da empresa é o seu também. No mundo de hoje, ser
pontual, cumprir horário, não inventar desculpas e etc. parece coisa de
fracassados, enquanto os espertos aproveitam toda oportunidade para burlar o
sistema, mas lembrem de que muito mais que um chefe terreno, temos que
responder a um Deus celestial que pede que sejamos luz em todo relacionamento –
familiar, matrimonial ou empregatício.
***
John Stott. A Mensagem de Efésios
– A nova Sociedade de Deus, ABU editora.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Receitas de jejum - Falafel
Receita pratica a fácil do Oriente Médio, pode ser
acompanhada com molho de iogurte ou alho (ou qualquer de sua preferência), uma
salada ou mesmo como sanduíche em lugar de almondegas ou em pão sírio. Como não
tinha hortelã em casa não usei. Não testei a receita no liquidificador (fiz no
processador), creio que fazendo aos poucos pode dar certo, mas investir no processador
vale mais a pena!
Receita Falafel
Extraído daqui
300 g de grão de bico (deixar de molho por uma noite
em água fria)
1 ramo de salsinha
1 ramo de coentro
10 folhas de hortelã
1 cebola
1 colher de semente gergelim
1/2 colher de chá de bicarbonato
2 dentes de alho sal e pimenta
1/2 colher de chá de cominho
1/4 colher de chá de páprica
óleo para fritar
Drene os grão de bico e seque-os bem com papel toalha,
isso é muito importante para que o bolinho não se desfaça quando for fritar.
Coloque o grão de bico no processador e processe até
obter uma pasta. Coloque o cebola, o alho e processe. Coloque as folhas e
processe. Adicione todos os ingredientes restantes com exceção do gergelim e
processe de novo. Misture o gergelim a mão, por último.
Aqueça o óleo e faça bolinhas com a massa. Frite-as
com o óleo bem quente. Sirva imediatamente.
Se quiser também pode assar eles no forno: pré-aqueça
o forno 180 graus e em uma forma untada com óleo faças bolinhas um pouco mais
achatadas e asse for 20 a 25 minutos. Vira-as no meio da cocção.
Dia 10 - Guerra dos sexos
Efésios 5.21-33
sujeitando-vos
uns aos outros no temor de Cristo. As
mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido
é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo
o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também
as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também
Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse,
tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja
gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem
defeito. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo.
Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria
carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja;
porque somos membros do seu corpo. Eis por que deixará o homem a seu pai e a
sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é
este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. Não obstante, vós, cada um
de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao
marido.
Antes
de revoluções feministas, antes das diversificadas teorias de criação dos
filhos, antes de intrincadas relações econômicas entre empregador e empregado,
havia a palavra de Deus. Poucos param para meditar no que ela diz para nós
hoje, e outros não temem em chama-la de retrógrada e ultrapassada. Prova disso é
quando o assunto é feminismo ou machismo, diante da bíblia todos os extremos
estão errados, pois ruiu a barreira que nos separava e não há mais distinção
entre judeu ou gentil, entre escravo e livre, entre homem ou mulher. Diante de
Deus somos iguais (Efésios 3.11 e Gálatas 3.28). Porem nós assumimos papeis na
vida, posso ser pai, filho, esposo, empregado, etc. E com relação aos papeis, a
bíblia apresenta pessoas a quem Deus colocou com autoridade e outras a
submissão.
Ambos
os termos, autoridade e submissão, causam arrepios a quem os ouve, por isso
faz-se necessário uma contextualização bíblica sobre o assunto. Autoridade
bíblica não é o mesmo que ditadura ou poderes ilimitados. Aliás, como disse
Pedro “Antes importa obedecer a Deus de que aos homens” (At 5.29) – se a
autoridade investida ultrapassa o que Deus diz, devemos resistir. Autoridade
também não é para propósitos egoístas, pelo contrario, é para o cuidado e o
melhor do outro, visa o beneficio. Autoridade também não é sinônimo de tirania.
“Todos aqueles que ocupam posições de autoridade na sociedade são responsáveis
tanto diante de Deus, que as confiou a eles, quanto à pessoa ou às pessoas cujo
beneficio a receberam” (John Stott). É preciso meditar sobre isso, pois muitos
acham que exercer autoridade é pisar ou passar por cima da vontade de outros e
esquecem que nosso exemplo supremo é Cristo – Aquele que se importava com os
mais fracos e demonstrou a verdadeira liderança ao lavar os pés dos discípulos,
ou seja, os servindo.
Submissão
é outra coisa que precisa ser entendida, e aqui podemos analisar na questão do
casamento. Não foram poucas vezes que vi mulheres reclamando, inclusive cristãs
criticando outras com termos ofensivos por pensar diferente. Submissão para o
mundo moderno é sujeição, subordinação. Perceba que Paulo compara o casamento à
relação de Cristo com a Igreja. Cristo é o cabeça. Deus delegou ao homem papel
de autoridade na família (e será cobrado por isso, pois muitas famílias tem
perdido o papel do pai). Da mesma forma que a Igreja se relaciona com o cabeça,
ou seja, em grata aceitação, de forma pensada (e não irracional), assim a
mulher se submete ao marido.
Mas
aqui entra um detalhe: é fácil lembrar só da submissão das mulheres e esquecer
que o maior encargo é colocado sobre os homens. Paulo diz que assim como Cristo amou (ágape, amor incondicional e que se sacrifica), assim os maridos
devem amar suas esposas e se entregar a ela. Isso é muito forte. Não só isso,
deve apresentar a esposa sem macula, sem ruga, em sua gloria a Deus. Ou seja,
não deve oprimir sua noiva, mas servi-la para que alcance sua plenitude, seu propósito. Não deve esmaga-la ou frustra-la, mas deixar ser ela mesma.
Como, talvez,
seja muito difícil para os maridos o exemplo de Cristo, Paulo usa outro: os
maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Ninguém em sã
consciência maltrata a si mesmo, mas alimenta, banha, cuida. O marido deve amar
sua esposa como a si mesmo. Isso passa a ser mais exemplificado quando
percebemos que dois se tornam uma só carne. Devem, portanto trabalhar e
cooperar como um só corpo, para o bem de ambos, respeitando a ambos.
Não é a toa
que Paulo começa este novo assunto em sua carta ao tratar de que devemos nos
sujeitar uns aos outros, não só mulher ao homem, mais homem a mulher; afinal, o
que se pede é que andem em parceria. Afinal “onde reina o amor, aí também se
prestação serviços mútuos” (João Calvino). Pode parecer idealista demais, mas é
o que devemos perseguir em excelência, não devemos esquecer que Cristo fez
novas todas as coisas e relacionamentos. Não poderia terminar de forma melhor
do que com este paragrafo de Jonh Stott:
Não se quer
dizer quer dar-se a si mesmo é fácil em qualquer tempo. Receio ter pintado um
quadro da vida conjugal que é mais romântico do que realista. A verdade é que
toda a abnegação, embora seja o caminho do serviço e o meio para a auto
realização, também é dolorosa. De fato, parece que o amor e a dor são
inseparáveis, especialmente em pecadores como nós somos (...). No Casamento, há
a dor do ajustamento, à medida em que o velho eu independente cede lugar para o novo nós interdependente.(...) Por isso, os maridos e as esposas não
devem esperar a descoberta da harmonia sem conflito. Devem esforçar-se para
edificar um relacionamento de amor, de respeito e de verdade.
***
John Stott. A Mensagem de Efésios
– A nova Sociedade de Deus, ABU editora.
João Calvino; Comentário de
Gálatas, Efésios, Filipenses e Colossenses (Série Comentários Bíblicos João
Calvino), Editora fiel.
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Dia 9 - Luz
Efésios 5.5-21
Sabei, pois,
isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança
no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por
essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não
sejais participantes com eles. Pois,
outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da
luz (porque o fruto da luz consiste em
toda bondade, e justiça, e verdade), provando sempre o que é agradável ao
Senhor. E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém,
reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha. Mas
todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo
que se manifesta é luz. Pelo que diz:
Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te
iluminará. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim
como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos
torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. E não
vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,
falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos
e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em
nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de
Cristo.
Deus
é luz, e nele não há treva alguma, declara João em sua primeira carta (1 João
1.5) e se afirmamos que temos comunhão com Ele, devemos andar na Luz como ele
está na luz. Paulo declara que andávamos, vivíamos, nas trevas, mas agora somos
luz no Senhor, devemos andar como filhos da Luz. Rubem Amorese afirma que isso
leva a algumas reflexões: 1) a Luz de Cristo ilumina nossa vida (Jo 1.4), ou
seja, antes andávamos perdidos, sem organização e agora uma grande mudança
ocorreu, um novo mundo se abre, “Preciso aprender a me orientar neste novo
mundo que se descortina: tomar decisões a partir de uma nova dimensão de
informações”; 2) A luz que me dá vida também me leva para os outros, para ver
sua situação, me faz perceber que não estou sozinho e me desperta a alcançar
outros que ainda estão em trevas.
A
luz não se mistura com as trevas, aonde chega a luz, as trevas se vão. Há uma
escolha que Paulo nos coloca e João confirma: não podemos participar das obras
infrutíferas das trevas, escondidos na vergonha, na mentira, na vaidade, no
orgulho, na inveja, dentre outros. Trevas aqui referem-se a ignorância, o erro
e o mal, enquanto a luz representa a verdade e a justiça. Paulo vai além ao
dizer não que devemos andar na luz,
mas que somos luz! John Sttot diz que
a metáfora da luz demonstra vividamente que o cristão “está aberto e
transparente, que vive alegremente na presença de Cristo, nada tendo que
ocultar ou temer”.
Andar
na luz significa não somente fugir das obras más, mas, e aqui entra toda a
praticidade de Paulo, buscar compreender qual a vontade do Senhor. Essa vontade
pode ser geral (aquilo que a bíblia nos ensina) e particular (fruto de uma vida
de reflexão, oração e conselhos de Cristãos maduros), ambas nos convidam a
viver em sabedoria e remir este tempo – termo que pode ser traduzido por tirar
proveito do tempo, aproveitar cada oportunidade:
... Mesmo
remidos, muitas vezes nós desperdiçamos muito de nosso tempo. Afirmamos estar
no serviço de Deus, ocupados com “suas coisas”, mas na realidade não pusemos
nosso coração inteiramente nisso. Não somos verdadeiros e retos diante dele,
não resgatamos o tempo que lhe pertence, preferindo usá-lo para nós mesmos. Que
Deus nos faça conscientes da seriedade de cada hora colocada em nossas mãos. (H.
E Alexander)
Outra
troca aqui é colocada: “não vos embriagueis com vinho (...), mas enchei-vos do
Espírito”. O apóstolo mostra novamente um quadro de contrastes. A bebida traz
dissolução, ações desenfreadas, descontroladas, igual ou pior que animais. Já
estar cheio do Espírito nos torna como Cristo, nos conduzindo a salmos,
louvores, hinos e cânticos espirituais, a comunhão com os irmãos, e a ações de
graças junto ao Pai. Perceba que não há uma sugestão, e sim um comando,
“Enchei-vos”, e que o termo está no plural, é algo para todo o povo de Deus;
está na voz passava, ou seja, “deixai o Espírito Santos encher-vos”, e está no
tempo presente.
Assim como a
cada dia somos transformados de glória em glória e nossa mente é renovada, a
ordenança de encher-se do Espírito é para cada dia, cada momento. Não podemos
andar vazios, não podemos andar como néscios, não podemos andar nas trevas. Mas
a cada dia, ser iluminados por Cristo e refletir sua Glória.
***
H. E. Alexander. Orvalho da Manha,
Editora Mundo Cristão.
John Stott. A Mensagem de Efésios
– A nova Sociedade de Deus, ABU editora.
Rubem Amorese. Vida e Luz,
Revista Ultimato, Nov.-Dez 2014, Ano XLVII, nº 351 (http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/351/vida-e-luz-1)
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