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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Dia 12 - Fortalecendo-se para batalha





Efésios 6.10-20
Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.   Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;  com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo.

                Em um mundo que solicita ao Papa abolição do inferno, coisas espirituais somente soam bonitas quando caminham junto com o discurso moderno e politicamente correto. Inferno? Ideia ultrapassada! Espíritos malignos? Coisas de gente supersticiosa! Não cabem mais em um mundo científico e tecnológico. E a própria igreja entra na dança secular, quando não vai a um extremo oposto de medo e ineficácia diante das trevas. Chega a ser curioso o quando Keith Green, cristão dos anos 70, chega a ser atual em sua canção No One Believes In Me Anymore, que parte do ponto de vista do diabo: “Eu costumava ter que esgueirar-se ao redor | Mas agora eles só abrem suas portas | Você sabe, ninguém mais observa meus truques | Porque ninguém acredita em mim”. E como lutar com algo que não mais se acredita?

                Após analisar nossas relações com outras pessoas, Paulo passa a falar de nossa relação com o mundo espiritual e começa a nos convocar para a batalha não contra carne ou sangue, seres físicos, mas sim “sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”. O inimigo está claro, nossa posição precisa ser assumida. Não é uma batalha que possamos ficar aguardando e que nos está alheia, mas que acontece todo dia e da qual fazemos parte. Chamando atenção a nossas fraquezas, o apóstolo diz que devemos nos fortalecer no Senhor e na força do seu poder, afinal, não estamos sozinho nesta batalha:

Noutras palavras, o verdadeiro ponto em questão não é tanto a minha luta contra o diabo, como é a luta de Deus contra o diabo. É desse modo que se deve ver o assunto. Ver a questão dessa maneira imediatamente nos dá grande força.
                Vejam a analogia óbvia. O soldado em particular, nas fileiras ou nas trincheiras durante uma grande batalha de uma grande guerra, não está travando um combate particular, não está ali porque tem uma briga pessoal. Ele é apenas uma unidade nunca grande campanha. Não é ele que decide sobre a estratégia, nem mesmo sobre a tática. Tudo isso está noutras mãos. Ele está na guerra, foi convocado, foi colocado nessa situação; entretanto a guerra não é dele. É uma guerra do rei ou da rainha ou da pátria, e há um general comandando e dirigindo as atividades do exercito e conduzindo a luta.  (D. M Lloyd Jones)

                Sabendo contra quem lutamos, por quem lutamos e que não estamos sozinhos, devemos caminhar em buscar a força e o poder do senhor, palavras já destacadas outras vezes em Efésios. Somos chamados a nos revestir da verdade, justiça, paz a palavra de Deus – a tomar sua armadura, pois sabemos que o inimigo é poderoso, maligno e astuto. Não vamos com nossas próprias forças e sabedoria, mas usamos o equipamento e força de Deus. Devemos nos cingir com a verdade. Usualmente feito de couro, o cinto do soldado romano era essencial: prendia a túnica, segurava a espada e dava sensação de força e confiança. E não cingimos outra coisa se não a verdade, seja de uma vida sincera junto a Cristo, seja da Palavra revelada – somente a verdade nos protege das mentiras do maligno. 

                O segundo item é a couraça da justiça, não só nossos atos de justiça ao resistir as tentações, mas principalmente da justifica de Deus. “Certamente nenhuma proteção espiritual é maior do que um relacionamento justo com Deus”, diz John Stott, pois em Cristo somos justificados. E é essa couraça que protege tanto de frente como as constas das investidas e calunias do maligno. As sandálias dos legionários romanos, por sua vez, eram usadas para marchas longas e para tomar posição firmemente, evitando que o pé deslizasse. Da mesma forma, nos calçamos com a “preparação do evangelho da paz”, onde preparação significa prontidão, preparo, firmeza – podendo significar tanto a firmeza para aqueles que a usam como o entusiasmo para a pregação das boas novas, pois “formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz” (Isaías 52.7)

                Devemos tomar também o escudo da fé para nos proteger dos “dardos inflamados do maligno”. Os escudos romanos poderiam ser preparados para proteger todo o corpo (como num batalhão de choque) e eram projetados para apagar as flechas incendiarias. Em nossa vida cristã, quantas vezes não somos açoitados com falsas culpas, pensamentos acusatórios,  maliciosos e pensamentos de duvidas e desobediência? O escudo dá fé deve ser tomado, pois o próprio Deus é escudo e proteção dos que nEle confiam (Provérbios 30.5). Não a toa o complemento é o capacete da Salvação – “a proteção para nossa cabeça é a medida de salvação que já recebemos (o perdão, a libertação da escravidão a Satanás, e a adoção na família de Deus) ou a expectativa confiante da plena salvação no último dia (inclusive a glória da ressurreição e a semelhança a Cristo no céu), não há duvida de que o poder salvidico de Deus é nossa única defesa contra o inimigo das nossas almas” (Jonh Stott).     

                Por fim nos é apresentado nossa arma de ataque, a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. A  Palavra é descrita como espada cortante e penetrante que desfaz as defesas, fere consciências e desperta espiritualmente os homens. E esta arma está em nossas mãos para ser usada para resistir ao diabo, assim como Cristo fez no deserto, e para evangelização (Mateus 10.17-20 e Hebreus 4.12). 

                Toda a armadura é apresentada e percebemos que a oração deve permear toda a guerra espiritual, pois assim expressamos nossa dependência divina e somos guiados pelo Espírito. Paulo diz que devemos orar todo tempo, ou seja, constantemente, com toda oração e suplica, com toda a perseverança e fazendo suplica por todos os santos – retornando novamente a nova união gerada em Cristo. Não podemos deixar de orar e vigiar. Paulo pedia que orassem por Ele também para que fosse instrumento de Deus e sem empecilhos fosse propagada a palavra. Até Cristo voltar, não podemos esmorecer e pensar que não há mais batalhas a serem travadas, como se não houvesse mais nada a fazer. Em Cristo somos fortalecidos e vencemos o maligno (1 João 2.14). 

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D.M. Lloyd Jones; O soldado cristão – Exposição sobre Efésios 6.10-20, Publicações evangélicas selecionadas.
John Stott. A Mensagem de Efésios – A nova Sociedade de Deus, ABU editora.
  

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Dia 11 - Pais e filhos, senhores e servos



 Efésios 6.1-9
Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor. Vós, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus;   servindo de boa vontade como ao Senhor e não como aos homens, sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre. E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu e que para com ele não há acepção de pessoas.


                Continuando a analisar os relacionamentos domésticos sob o prima da nova sociedade moldada pelo Espírito, percebemos a centralidade de Cristo em todas as coisas. Cada exemplificação de Paulo é um convite e seguir os passos de Cristo e se apropriar desta nova vida, é a teologia em pratica. Aqui não vamos analisar mais profundamente a questão histórica sobre pais e filhos ou mesmo sobre o grande problema da escravidão no velho ou no novo testamento – que ainda hoje assola diversos países e deve, portanto, ser combatido. Vamos buscar aspectos práticos e extrair o que Paulo tem para nós hoje.

                Sabendo que uma sociedade bem estruturada começa em suas micro relações, esposo-esposa, pais-filhos, o apóstolo Paulo já faz uma diferenciação. Enquanto as mulheres devem submeter aos maridos – que já aprendemos que significa entrega voluntaria de si mesma aquele que a ama - para os filhos o termo é mais forte: obedecer. São três os motivos apresentados; primeiro “porque isto é justo”, ou seja, é algo que faz parte da lei natural de que Deus escreveu em nossos corações, e isso é algo praticamente reconhecido em todas as culturas. Segundo, isto é reconhecido pela Lei de Deus “Honra teu pai e a tua mãe” (Êxodo 20.12 e 5.16). Costumamos dividir os 10 mandamos entre 4 relativos a Deus e 6 relativos aos nossos relacionamentos com outras pessoas, mas os judeus nunca viram assim. Dividiam as leis em duas tábuas por igual, pois consideravam a honra aos pais no âmbito do nosso dever com Deus – pois os pais representam Deus diante de nós e devem agir como intermediários de sua autoridade e bondade. Por fim é nos apresentado o terceiro motivo: este é o primeiro mandamento com promessa, ou seja, “para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra”.  E como coloca John Stott, isso é uma consequência lógica, afinal “uma sociedade saudável é inconcebível sem uma sólida vida familiar”. 

                Perceba que poderá haver atritos, principalmente se os pais não forem cristãos, mas somos chamados como pacificadores, e devemos evitar conflitos, desde que não se interponham com o Senhor (Mt 10.34-39). 

Entende-se  também que a obediência é algo da infância/juventude, seguido por honrar os pais na vida adulta, e neste aspecto muitas vezes somos falhos. Quantos idosos não estão abandonados pelos filhos, a mercê de adversas circunstâncias, por razões egoístas? Creio que isso não pode ser reconciliado com o quinto mandamento e exige reflexão. Perceba também que a obediência de que Paulo fala é no Senhor, ou seja, “colocam sobre os filhos a responsabilidade de obedecer aos pais por causa do seu próprio relacionamento com o Senhor Jesus Cristo”. 

                Qual o dever dos pais em tudo isso? Assim como o marido edifica a esposa, os pais devem edificar, amar, corrigir quando necessário, e guiar os filhos para que atinjam plenitude do que são em Cristo.  É dito para não provocar a ira e “sabemos mesmo é que os pais podem facilmente abusar da autoridade, ou, por fazerem exigências irritantes ou absurdas que não levam em conta a inexperiência, ou por severidade e crueldade num extremo, ou por favoritismo e agrados exagerados no outro, ou por humilhar e oprimir os filhos, ou por fazer uso de duas armas vingativas: a ironia e a ridicularizarão”. Mesmo a disciplina, “doutrina e admoestação”, nunca deve ser arbitraria e em momento de raiva, para não causar desanimo. Lembremos: o objetivo na criação dos filhos é ajuda-los a desenvolver seu pleno potencial, nem abatendo e nem superprotegendo. Muitas vezes o que os pais chamam de rebeldia é somente a necessidade de desenvolver independência e aprender a exercitar sua própria autoridade. Por isso devemos ouvir o conselho do Dr. Martin Lloyd Jones: “Ao disciplinar uma criança, você deve ter primeiramente controlado a si mesmo... Que direito tem você de dizer ao seu filho que ele precisa de disciplina quando você obviamente está precisando dela também? O autocontrole, o controle do seu próprio gênio, é uma condição essencial no controle dos outros”. Lembre ainda que os filhos são do Senhor, e a principal função ao uso da autoridade é que cheguem a conhecer ao Senhor e lhe obedecer. 

                ***


                Os conselhos se estendem então a relação chefe e empregado. Não é difícil fazer as conexões devidas. Nosso objetivo é colocar Cristo em nossa visão. Tudo o que fizermos deve ser para Ele e deve ser com excelência. Não depende de um chefe chato ou cheio de cobranças. É-nos lembrado que nosso dever é de agir em todas as coisas como que para Deus, e de todo coração, não buscando paparicar e agradar os homens, mas crendo que nossa maior herança é a aprovação do Senhor e que “cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre”. Precisamos colocar isto em mente porque é fácil cair no pseudoateismo – viver como se não houvesse Deus apesar de crer nele. 

                Aos chefes/senhores, Paulo observa que são iguais aos servos/escravos (algo já distinto da época) e diante de Deus, de forma que o relacionamento deve ser em justiça e em fraternidade (não somos mais estranhos, mas irmãos em Cristo). É fácil cobrar os deveres dos outros, Paulo conclama a cumprirmos os nossos. 

                Às vezes, quando tenho muitas atividades na faculdade, acontece de chegar atrasado ao trabalho. Minha chefia sabe os motivos e nunca fez cobranças em meus horários, mas sempre que chego atrasado, saio mais tarde também (o serviço está sempre lá, independente do horário). Outra pessoa que trabalhava comigo perguntou por que estava saindo tão tarde certo dia e expliquei a situação. Ela disse que bom seria se todos os empregados tivessem essa consciência, afinal estão sendo pagos e o bem da empresa é o seu também. No mundo de hoje, ser pontual, cumprir horário, não inventar desculpas e etc. parece coisa de fracassados, enquanto os espertos aproveitam toda oportunidade para burlar o sistema, mas lembrem de que muito mais que um chefe terreno, temos que responder a um Deus celestial que pede que sejamos luz em todo relacionamento – familiar, matrimonial ou empregatício.   

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John Stott. A Mensagem de Efésios – A nova Sociedade de Deus, ABU editora.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Receitas de jejum - Falafel


Receita pratica a fácil do Oriente Médio, pode ser acompanhada com molho de iogurte ou alho (ou qualquer de sua preferência), uma salada ou mesmo como sanduíche em lugar de almondegas ou em pão sírio. Como não tinha hortelã em casa não usei. Não testei a receita no liquidificador (fiz no processador), creio que fazendo aos poucos pode dar certo, mas investir no processador vale mais a pena!

Receita Falafel
Extraído daqui 

300 g de grão de bico (deixar de molho por uma noite em água fria)
1 ramo de salsinha
1 ramo de coentro
10 folhas de hortelã
1 cebola
1 colher de semente gergelim
1/2 colher de chá de bicarbonato
2 dentes de alho sal e pimenta
1/2 colher de chá de cominho
1/4 colher de chá de páprica
óleo para fritar

Drene os grão de bico e seque-os bem com papel toalha, isso é muito importante para que o bolinho não se desfaça quando for fritar.  
Coloque o grão de bico no processador e processe até obter uma pasta. Coloque o cebola, o alho e processe. Coloque as folhas e processe. Adicione todos os ingredientes restantes com exceção do gergelim e processe de novo. Misture o gergelim a mão, por último.
Aqueça o óleo e faça bolinhas com a massa. Frite-as com o óleo bem quente. Sirva imediatamente.

Se quiser também pode assar eles no forno: pré-aqueça o forno 180 graus e em uma forma untada com óleo faças bolinhas um pouco mais achatadas e asse for 20 a 25 minutos. Vira-as no meio da cocção.

Dia 10 - Guerra dos sexos






Efésios 5.21-33
sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.  As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.   Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,   para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; porque somos membros do seu corpo. Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido.

                Antes de revoluções feministas, antes das diversificadas teorias de criação dos filhos, antes de intrincadas relações econômicas entre empregador e empregado, havia a palavra de Deus. Poucos param para meditar no que ela diz para nós hoje, e outros não temem em chama-la de retrógrada e ultrapassada. Prova disso é quando o assunto é feminismo ou machismo, diante da bíblia todos os extremos estão errados, pois ruiu a barreira que nos separava e não há mais distinção entre judeu ou gentil, entre escravo e livre, entre homem ou mulher. Diante de Deus somos iguais (Efésios 3.11 e Gálatas 3.28). Porem nós assumimos papeis na vida, posso ser pai, filho, esposo, empregado, etc. E com relação aos papeis, a bíblia apresenta pessoas a quem Deus colocou com autoridade e outras a submissão.

                Ambos os termos, autoridade e submissão, causam arrepios a quem os ouve, por isso faz-se necessário uma contextualização bíblica sobre o assunto. Autoridade bíblica não é o mesmo que ditadura ou poderes ilimitados. Aliás, como disse Pedro “Antes importa obedecer a Deus de que aos homens” (At 5.29) – se a autoridade investida ultrapassa o que Deus diz, devemos resistir. Autoridade também não é para propósitos egoístas, pelo contrario, é para o cuidado e o melhor do outro, visa o beneficio. Autoridade também não é sinônimo de tirania. “Todos aqueles que ocupam posições de autoridade na sociedade são responsáveis tanto diante de Deus, que as confiou a eles, quanto à pessoa ou às pessoas cujo beneficio a receberam” (John Stott). É preciso meditar sobre isso, pois muitos acham que exercer autoridade é pisar ou passar por cima da vontade de outros e esquecem que nosso exemplo supremo é Cristo – Aquele que se importava com os mais fracos e demonstrou a verdadeira liderança ao lavar os pés dos discípulos, ou seja, os servindo. 

                Submissão é outra coisa que precisa ser entendida, e aqui podemos analisar na questão do casamento. Não foram poucas vezes que vi mulheres reclamando, inclusive cristãs criticando outras com termos ofensivos por pensar diferente. Submissão para o mundo moderno é sujeição, subordinação. Perceba que Paulo compara o casamento à relação de Cristo com a Igreja. Cristo é o cabeça. Deus delegou ao homem papel de autoridade na família (e será cobrado por isso, pois muitas famílias tem perdido o papel do pai). Da mesma forma que a Igreja se relaciona com o cabeça, ou seja, em grata aceitação, de forma pensada (e não irracional), assim a mulher se submete ao marido.

                Mas aqui entra um detalhe: é fácil lembrar só da submissão das mulheres e esquecer que o maior encargo é colocado sobre os homens. Paulo diz que assim como Cristo amou (ágape, amor incondicional e que se sacrifica), assim os maridos devem amar suas esposas e se entregar a ela. Isso é muito forte. Não só isso, deve apresentar a esposa sem macula, sem ruga, em sua gloria a Deus. Ou seja, não deve oprimir sua noiva, mas servi-la para que alcance sua plenitude, seu propósito. Não deve esmaga-la ou frustra-la, mas deixar ser ela mesma. 

Como, talvez, seja muito difícil para os maridos o exemplo de Cristo, Paulo usa outro: os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Ninguém em sã consciência maltrata a si mesmo, mas alimenta, banha, cuida. O marido deve amar sua esposa como a si mesmo. Isso passa a ser mais exemplificado quando percebemos que dois se tornam uma só carne. Devem, portanto trabalhar e cooperar como um só corpo, para o bem de ambos, respeitando a ambos. 

Não é a toa que Paulo começa este novo assunto em sua carta ao tratar de que devemos nos sujeitar uns aos outros, não só mulher ao homem, mais homem a mulher; afinal, o que se pede é que andem em parceria. Afinal “onde reina o amor, aí também se prestação serviços mútuos” (João Calvino). Pode parecer idealista demais, mas é o que devemos perseguir em excelência, não devemos esquecer que Cristo fez novas todas as coisas e relacionamentos. Não poderia terminar de forma melhor do que com este paragrafo de Jonh Stott:

Não se quer dizer quer dar-se a si mesmo é fácil em qualquer tempo. Receio ter pintado um quadro da vida conjugal que é mais romântico do que realista. A verdade é que toda a abnegação, embora seja o caminho do serviço e o meio para a auto realização, também é dolorosa. De fato, parece que o amor e a dor são inseparáveis, especialmente em pecadores como nós somos (...). No Casamento, há a dor do ajustamento, à medida em que o velho eu independente cede lugar para o novo nós interdependente.(...) Por isso, os maridos e as esposas não devem esperar a descoberta da harmonia sem conflito. Devem esforçar-se para edificar um relacionamento de amor, de respeito e de verdade.  
 ***
John Stott. A Mensagem de Efésios – A nova Sociedade de Deus, ABU editora.
João Calvino; Comentário de Gálatas, Efésios, Filipenses e Colossenses (Série Comentários Bíblicos João Calvino), Editora fiel. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Dia 9 - Luz






Efésios 5.5-21
Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles.   Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz   (porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade), provando sempre o que é agradável ao Senhor. E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha. Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz.  Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

                Deus é luz, e nele não há treva alguma, declara João em sua primeira carta (1 João 1.5) e se afirmamos que temos comunhão com Ele, devemos andar na Luz como ele está na luz. Paulo declara que andávamos, vivíamos, nas trevas, mas agora somos luz no Senhor, devemos andar como filhos da Luz. Rubem Amorese afirma que isso leva a algumas reflexões: 1) a Luz de Cristo ilumina nossa vida (Jo 1.4), ou seja, antes andávamos perdidos, sem organização e agora uma grande mudança ocorreu, um novo mundo se abre, “Preciso aprender a me orientar neste novo mundo que se descortina: tomar decisões a partir de uma nova dimensão de informações”; 2) A luz que me dá vida também me leva para os outros, para ver sua situação, me faz perceber que não estou sozinho e me desperta a alcançar outros que ainda estão em trevas.  

                A luz não se mistura com as trevas, aonde chega a luz, as trevas se vão. Há uma escolha que Paulo nos coloca e João confirma: não podemos participar das obras infrutíferas das trevas, escondidos na vergonha, na mentira, na vaidade, no orgulho, na inveja, dentre outros. Trevas aqui referem-se a ignorância, o erro e o mal, enquanto a luz representa a verdade e a justiça. Paulo vai além ao dizer não que devemos andar na luz, mas que somos luz! John Sttot diz que a metáfora da luz demonstra vividamente que o cristão “está aberto e transparente, que vive alegremente na presença de Cristo, nada tendo que ocultar ou temer”.

                Andar na luz significa não somente fugir das obras más, mas, e aqui entra toda a praticidade de Paulo, buscar compreender qual a vontade do Senhor. Essa vontade pode ser geral (aquilo que a bíblia nos ensina) e particular (fruto de uma vida de reflexão, oração e conselhos de Cristãos maduros), ambas nos convidam a viver em sabedoria e remir este tempo – termo que pode ser traduzido por tirar proveito do tempo, aproveitar cada oportunidade:

... Mesmo remidos, muitas vezes nós desperdiçamos muito de nosso tempo. Afirmamos estar no serviço de Deus, ocupados com “suas coisas”, mas na realidade não pusemos nosso coração inteiramente nisso. Não somos verdadeiros e retos diante dele, não resgatamos o tempo que lhe pertence, preferindo usá-lo para nós mesmos. Que Deus nos faça conscientes da seriedade de cada hora colocada em nossas mãos. (H. E Alexander)

                Outra troca aqui é colocada: “não vos embriagueis com vinho (...), mas enchei-vos do Espírito”. O apóstolo mostra novamente um quadro de contrastes. A bebida traz dissolução, ações desenfreadas, descontroladas, igual ou pior que animais. Já estar cheio do Espírito nos torna como Cristo, nos conduzindo a salmos, louvores, hinos e cânticos espirituais, a comunhão com os irmãos, e a ações de graças junto ao Pai. Perceba que não há uma sugestão, e sim um comando, “Enchei-vos”, e que o termo está no plural, é algo para todo o povo de Deus; está na voz passava, ou seja, “deixai o Espírito Santos encher-vos”, e está no tempo presente. 

Assim como a cada dia somos transformados de glória em glória e nossa mente é renovada, a ordenança de encher-se do Espírito é para cada dia, cada momento. Não podemos andar vazios, não podemos andar como néscios, não podemos andar nas trevas. Mas a cada dia, ser iluminados por Cristo e refletir sua Glória.

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H. E. Alexander. Orvalho da Manha, Editora Mundo Cristão.
John Stott. A Mensagem de Efésios – A nova Sociedade de Deus, ABU editora.
Rubem Amorese. Vida e Luz, Revista Ultimato, Nov.-Dez 2014, Ano XLVII, nº 351 (http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/351/vida-e-luz-1)