Ontem
falei sobre a necessidade de assumirmos nossa posição em Cristo como filhos
amados, e não mais escravos, e como guerreiros – abrindo os olhos para a guerra
espiritual ao nosso redor. É bem propicio estudarmos o livro de Daniel para
verificarmos o que é uma identidade bem assumida e madura no Senhor. Daniel 1, versículos
3 a 9 diz:
Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos
filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, jovens sem nenhum
defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência,
versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do
rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. Determinou-lhes o rei a
ração diária, das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia, e que
assim fossem mantidos por três anos, ao cabo dos quais assistiriam diante do
rei. Entre eles, se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e
Azarias.O chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel, o de
Beltessazar; a Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de Mesaque; e a Azarias, o
de Abede-Nego. Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas
iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos
eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. Ora, Deus concedeu a Daniel
misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos.
Daniel
e seus amigos foram transportados de sua terra para um lugar até então
desconhecido. Longe de sua pátria, de seus pais, com um ou outro pouco
conhecido que poderia lhe julgar caso tomasse uma decisão errada, ou seja, sem
supervisão e a ninguém a prestar contas.
Mas ele
pensava diferente.
É interessante perceber que ao chegarem a Babilônia
os jovens judeus deveriam ser imersos na cultura local. Aprender toda a língua,
literatura, sabedoria e conhecimento dos babilônios. Deveriam ser alimentados
com a comida do rei e seriam treinados para seu serviço. Como em qualquer cultura dominante, Nabucodonosor
aplicou bem a cartinha de aculturação a seus novos súditos. Tão bem que mudou o
nome daqueles jovens, para que a mudança fosse completa. Pode parecer tolo, mas
nosso nome pode dizer muito sobre quem somos e expressa a cultura da época e do
lugar.
Desta forma
Daniel, que significa “Deus é meu Juiz”, teve o nome revisto para Beltessazar,
que significa “Bel proteja sua vida”. Hananias que significa “O Senhor é
bondoso” ou “O Senhor demonstra graça” teve o nome mudado para Sadraque, que
significa “Ordem de Aku (deus-lua sumério)”. Misael significa “Quem é como
Deus?” e passou a se chamar Mesaque, significando “Quem é como Aku”. Por fim,
Azarias, cujo nome significa “o Senhor ajuda”, virou Abede-Nego. Significa “servo
de Nego/Nebo(ou Mabu)”.
Lembro-me de
uma pesquisa que li em alguma revista uns meses atrás falando sobre a
influencia de nossas palavras. Antes dos alunos fazerem uma prova, os
avaliadores comentavam que geralmente os orientais e as mulheres geralmente se
saiam melhores que os demais. Ao final da prova, avaliaram que aqueles que não
eram orientais e os homens se saíram pior que os demais, apesar do mesmo nível de
entendimento para a avaliação. Da mesma forma, quando se diziam que os homens
eram melhores em calculo que as mulheres, elas acabam saindo-se piores. O
efeito do que se falava poderia ser tanto negativo como positivo. De alguma
forma os pesquisadores perceberam que o que falamos pode mudar o desempenho de
uma pessoa. E isso a Bíblia já nos ensinava em provérbios. Essa é a razão pela
qual não deve sair de nossas bocas palavras de maldição, mas somente bênçãos.
Isso influencia não só o psicológico dos que estão ao nosso redor, mas o mundo
espiritual, sua palavra tem poder!
Com isso fica fácil
entender porque mudar o nome dos jovens hebreus. Como diria determinado
personagem em as Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, alguns são tratados por
tanto tempo como selvagens que não sabem mais agir de outra maneira. Em outras
palavras: repita sempre a mesma descrição de uma pessoa (boa, feira, má, linda)
e um dia ela poderá realmente se pegar pensando e agindo assim.
A cultura da Babilônia
estava atuando na identidade daqueles rapazes, do seu contexto a sua
alto-imagem. Identidade segundo o dicionário é aquilo que tem característica de
idêntico, aquilo que define e caracteriza como nome, sexo, idade, etc. Nabucodonosor
queria que aqueles jovens fossem reflexos de seu reino e de sua sociedade. E o
mundo não quer outra coisa que nos identificamos com ele, que pensemos como
ele. Queremos ser diferentes, mas no fundo acabamos seguindo a mesma multidão
que dia após dia mata a Cristo. Somos tratados e chamados de manipuláveis, e já
não questionamos isso.
Daniel pensava
diferente. Ele não queria se corromper, ele não despreocupou-se somente porque
estava em terra estrangeira ou porque ninguém poderia julga-lo, ou mesmo lançou
a responsabilidade sobre Deus por lhe colocar naquela situação. Ele viveria
anos naquele e em outro império, mas seu coração não se contaminaria com aquele
povo.
Isso é um
grande exemplo que devemos seguir. Estamos no mundo, mas não pertencemos a ele.
Somos peregrinos neste mundo e não nos apegamos ao que é daqui e ao que ele nos
oferece (1 Pedro 2:11). A palavra nos diz que somos Embaixadores de Cristo (2 Coríntios
5:20). Um embaixador vive em um país estrangeiro, mas as leis deste país não se
aplicam a ele. Aonde ele for, aonde ele pisa, o embaixador representa seu país
e onde estiver somente as leis do seu país lhe deverão aplicadas. Nós
carregamos a presença, a glória, de Deus! Onde quer que vá, você leva a presença
de Deus. As leis deste mundo já não lhe fazem efeito (lembra que morremos para
o pecado e vivemos em Cristo), a lei do espirito e da vida fazem parte de você.
Você é um embaixador de Cristo, seu representante na terra!
Percebe porque
é tão importante assumirmos nossa identidade em Cristo independente do que o
mundo possa afirmar? Nós não nos amoldamos a este mundo, nós não aceitamos
respostas prontas, mas sim somos renovados e transformados em nossas mentes.
Daniel tinha ciência de que quem era e a quem servia, ele não deixaria a Deus,
mas seria luz em meio aos descrentes. Uma testemunha do Deus vivo em meio a uma
sociedade corrompida. Que essa seja nossa oração hoje:
Pai, abre os meus olhos para perceber quem
eu sou em Cristo Jesus. Revela-me quem eu sou e restaura minha identidade como
peregrino e embaixador nesta terra. Não deixe-me cair nos enganos do inimigo e
deste mundo decaído, mas transforma-me e renova-me a cada dia. Mostra-me quem tu és e quem tu queres que eu seja para que seu nome seja Glorificado entre os
Anjos e os Homens.

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