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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Ano Novo, Novo Plano de Leitura



Verdade seja dita: mudanças de vida não vêm com mudanças de ano. Aliás, mudanças significantes ocorrem com a mudança de nosso coração, arrependimento e tomada e atitude. O ato de postergar algo para o ano que vem ou a semana que vem ou a segunda que vem é só parte de mais um ciclo infindável que não garante sustentabilidade. Nosso crescimento cristão exige todos os dias uma auto avaliação e um retomo a graça.

Este ano fizemos um desafio de ler a bíblia em seis meses, antes do fim do ano. Alguns começaram, outros deixaram, outros continuaram, mas ao seu próprio tempo.  Como sugestão neste ano que se inicia, apresentamos um novo cronograma de leitura da bíblia em um ano. Ele é tanto para aqueles que terminaram de ler a bíblia e querem continuar o hábito adquirido, quando para aqueles que sequer começaram ou abandonaram no meio do caminho.

Não faça como uma resolução de ano novo, mas como uma busca constante de conhecer mais a Deus e aprofundar seu relacionamento com Ele. Como a proposta é para toda a igreja, torna-se um incentivo a mais: lemos juntos, estudamos juntos e partilhamos do que aprendemos uns aos outros.

Esta proposta foi extraída da página Voltemos ao Evangelho, que possui varias outras sugestões (vale a visita). Elaborado por Mark Bogart e Peter Mayberry para o Discipleship Journal, em um ano você lerá a Bíblia inteira uma vez, com 2 leituras diárias, pausa e em uma sequência intercalada dos livros bíblicos. Exemplo: Dia 1 – Gn 1-2; Sl 1 | Dia 22 – Mc 1-3; Sl 17.

Vamos começar? Clique aqui para acessar o calendário deleitura.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Dia 14 (28.1.2017) – Colossenses 4.10-18



“Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo de Barnabé (sobre quem recebestes instruções; se ele for ter convosco, acolhei-o), e Jesus, conhecido por Justo, os quais são os únicos da circuncisão que cooperam pessoalmente comigo pelo reino de Deus. Eles têm sido o meu lenitivo.  Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus. E dele dou testemunho de que muito se preocupa por vós, pelos de Laodicéia e pelos de Hierápolis. Saúda-vos Lucas, o médico amado, e também Demas. Saudai os irmãos de Laodicéia, e Ninfa, e à igreja que ela hospeda em sua casa. E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós. Também dizei a Arquipo: atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para o cumprires. A saudação é de próprio punho: Paulo. Lembrai-vos das minhas algemas. A graça seja convosco.” (Colossenses 4.10-18 - ARA)


O Evangelho não se trata de ideias abstratas, mas de pessoas. Nos dias de hoje, ao se imaginar um religioso, um homem de fé, as pessoas pensam ou num (quase) semideus, ou numa farsa. Seria alguém de voz mansa e tranquila, de poucos amigos ou contatos, mais do céu do que da terra. Paulo nos desfaz destes pensamentos. Tinha tato para falar com a igreja, mas era duro quando necessário, amava as pessoas e sabia que ser cristão e herdeiro de bênçãos celestiais não o isentava de responsabilidade como estrangeiro nesta terra. O apóstolo sabia que o Evangelho é também uma comunidade da fé e valorizava seus colaboradores, amigos e irmãos. Aqui ele apresenta um grupo diversificado de pessoas que estavam próximas, sejam em orações, sejam fisicamente.  
Os três primeiros faziam parte do grupo da circuncisão, ou seja, judeus. Eram Aristarco, Marcos e Jesus Justo. Aristarco era membro da igreja de Tessalônica e havia participado da viagem a Jerusalém, onde seria levada uma coleta da Grécia para os irmãos na Judéia (At 20.4); o mesmo é tratado como “prisioneiro comigo” (literalmente “de guerra”). Marcos, primo de Barnabé, foi o mesmo que anos antes havia abandonado ao apóstolo na primeira viagem missionária (At 13.3). Agora reconciliado com Paulo e sem rancor da parte dele, Marcos recebe elogios e instruções para que seja bem recebido por aquela parte do Corpo. Anos mais tarde, Paulo o descreveria com carinho, pedindo seu retorno: “... traze-o, pois me é útil para o ministério” (2 Tm 4.11). Quanto a Jesus Justo, não sabemos muito, a não ser que era um judeu convertido e também chamado aqui de colaborador no Reino.
Logo depois Paulo envia a saudação de três irmãos não judeus: Epafras, Lucas e Demas. Epafras é chamado literalmente de escravo de Jesus Cristo e de homem de oração, que constantemente clamava por sua comunidade da fé. Como um pai se preocupa com os filhos, Epafras clamava a Deus para que crescessem em maturidade, discernimento e entendimento pleno na vida espiritual. Lucas era o médico amado, responsável pelo Livro de Atos e o Evangelho que leva seu nome. Lucas viajou várias vezes com o apóstolo, era uma pessoa admirável e sempre leal a Paulo e ao evangelho. Hendriksen aponta que Paulo e Lucas tinham muito em comum: “Ambos eram homens de muito estudo, homens de cultura. Ambos possuíam um grande coração, mente aberta e coração compassivo. Ambos eram crentes e missionários.” Por fim Demas, também chamado colaborador (Fm 24), um dos assistentes no ministério, provavelmente evangelista. Paulo não sabia, mas cerca de seis anos depois Demas abandonaria o evangelho: “Demas me abandonou porque se apaixonou pelo presente século, e se foi para Tessalônica” (2Tm 4.10).    
Passa-se então a outras saudações e recomendações. Paulo saúda as igrejas do vale do Lico, Laodicéia e Hierápolis, que estavam a poucos quilômetros de distância, e particularmente aos cristãos que se reuniam na casa de Ninfa. Somente no século sexto os cristãos se reuniriam em templos para adoração, antes disso eram comuns encontros nas casas ou outros lugares reservados. Ninfa provavelmente possuía uma casa grande para receber a igreja, o que indica ser uma senhora rica. Perceba também que, apesar de haver mais de uma congregação em uma cidade, não se usava o plural para descrevê-las. Havia somente uma Igreja em cada localidade, mesmo que reunida em diversas casas. Outro nome citado é Arquipo, filho de Filemom, que vivia em Colossos e em cuja casa a igreja se reunia. Foi chamado  de “nosso companheiro de luta” em Filemom, mas Paulo o exorta aqui: “atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para o cumprires”.  Alguns apontam essa curta mensagem como alerta contra a falta de diligência ou energia no ministério, um clamor para que a própria igreja o encoraje. Outros apontam a necessidade de lutar contra as heresias que estavam contaminando a comunidade.
Perceba que a carta deveria ser lida e trocada com uma carta enviada aos Laodicenses, que muitos estudiosos acreditam ser a carta aos Efésios que estava circulando entre as igrejas e que guarda temas semelhantes com a carta aos Colossenses. Este era o período pré-canônico do Novo Testamento e as cartas já começavam a ganhar importância e substituir a presença física dos apóstolos. Por isso o próprio autor, que deve ter ditado a carta, chama atenção ao fato de que ele os saudava com a graça de Deus e assinava com o próprio punho, para que não houvesse dúvida de autoria, pois mesmo naquela época já circulavam falsas epístolas com seu nome (2Ts 2.2).
Ao se chegar ao final da carta, com tantas saudações, é impossível não se admirar com o alcance do Evangelho; de ricos e mestres a escravos e pobres, de sábios e médicos a pessoas simples e sem cultura, de judeus a gentios, homens e mulheres. A igreja é única, mas é também diversificada. Ela também não é perfeita, no seu próprio meio há muitos que não permanecessem na corrida. Diante de toda diversidade, fracos como somos, Deus nos usa como linhas que serão tecidas em um belo tapete. É uma só família, mas é plural, com pessoas de vocações, chamados, posições sociais e culturas diferentes, que nos desafiam a suportar e amar mesmo quando contraditório. O que nos une? A mensagem do Cristo, único, poderoso e suficiente Salvador, que nos amou e nos convida a fazer parte de Seu Reino.


Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
Tom WRIGHT; Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.

William HENDRIKSEN; 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Dia 13 (27.1.2017) – Colossenses 4.2-9


“Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; para que eu o manifeste, como devo fazer. Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um. Quanto à minha situação, Tíquico, irmão amado, e fiel ministro, e conservo no Senhor, de tudo vos informará. Eu vo-lo envio com o expresso propósito de vos dar conhecimento da nossa situação e de alentar o vosso coração. Em sua companhia, vos envio Onésimo, o fiel e amado irmão, que é do vosso meio. Eles vos farão saber tudo o que por aqui ocorre.” (Colossenses 4.2-9 - ARA)

Preso por amor ao evangelho. Amado por uns, odiado por outros. Apóstolo dos gentios, cheio de grande conhecimento e sabedoria. Perseguido, pioneiro, missionário, herói da fé. Homem de grandes experiências espirituais. Quem analisa a vida de Paulo facilmente pensa: “eu não seria capaz disso!” Mas este homem de fé que se derramava em oração pelas igrejas e pela obra de Cristo também precisava de orações. Não importa quantos anos a liderança tenha no evangelho ou quanto respeito tenha adquirido no serviço cristão, eles ainda precisam de orações dos irmãos na fé.
Paulo já havia falado da importância de que a Palavra habitasse nos cristãos colossenses, mas isso seria incompleto sem a oração, por isso exorta que perseverem na oração, ou seja, continuem, apeguem-se bem de perto, mantenham-se constantemente em oração. Em meio a orações, ações de graças. Pela quinta vez o apóstolo nos chama atenção para a necessidade de sermos sempre gratos (vrs. 1.12;2.7;3.15,17;4.2), lembrando de que trata-se de alguém que estava preso. Chama por fim atenção especial para seu ministério, e a única coisa que pede acerca disso é oração. Oração para que portas sejam abertas e o Evangelho anunciado. Oração para que quem escute a mensagem sinta a realidade do Cristo vivo, manifesto. Paulo sabia que somente pelo poder do Espírito suas palavras ganhariam vida e gerariam salvação. Como bem expressa Augustus Nicodemus:
“Feliz é o líder que tem uma igreja que ora por ele, que põe constantemente diante de Deus em oração. Temos de nos perguntar sempre se nossos líderes estão em nossa lista de oração ou se, quando oramos, apenas pedimos o que nos interessa. Será que nos lembramos de orar pelas pessoas que Deus usou para abençoar nossa vida? É o mínimo que se pode fazer por quem nos abençoa. É nosso dever orar e interceder pela liderança.”
Além da oração, Paulo enfatiza a necessidade dos cristãos de serem bons exemplos para os de fora, os não cristãos. “Portai-vos com sabedoria” e “aproveitai as oportunidades” nos remete a criação de pontes, pois o relacionamento é a melhor forma de evangelismo. Através dos pontos de contato, o cristão deve portar-se com sabedoria e aproveitar as oportunidades que surgirem para levar o evangelho. Muitos cristãos ainda vivem em legalismo e brutalidade, sem conseguir um amigo não cristão e afastando aqueles que se aproximam. Acabam prestando um desserviço ao Reino. Os colossenses são admoestados a se disporem à toda oportunidade de ser uma benção aos outros. Isso deve vir acompanhado com uma conversa temperada com sal, ou seja: assim como o sal desperta o apetite, a conversação deve ser atrativa, deve ser sadia e deve despertar o interesse pela mensagem de amor do Salvador. Assim se torna mais fácil ganhar as pessoas para Cristo.
Paulo não considerava estas atividades coisas de crentes veteranos; orar pela liderança, fazer pontos de contato com descrentes, e aproveitar as oportunidades para proclamar o evangelho é um chamado para todos. Mesmo sem ter visto a face daquelas pessoas, Paulo se interessava por elas e sabia também de suas preocupações. Por isso enviava Tíquico –  a quem se refere como irmão amado, fiel ministro (que exercia o serviço com fidelidade), e conservo (o reconhecendo como colega de jugo no serviço de Deus); e Onésimo, o escravo fugitivo que agora era irmão em Cristo, descrito como fiel e amado. Os dois seriam responsáveis por dar mais detalhe sobre sua situação e confortar seus corações.
Não é surpreendente o fato de Paulo se preocupar em confortar os irmãos mesmo em meio a sua prisão? Há uma preocupação genuína em criar e manter relacionamentos. Em seu cuidado pastoral, buscava o bem do corpo de Cristo, para que esse mistério divino pudesse ser conhecido e espalhado pelo mundo.

Referências
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
Tom WRIGHT; Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.

William HENDRIKSEN; 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Dia 12 (26.1.2017) – Colossenses 3.18-4.1


“Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor. Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura. Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados. Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas. Senhores, tratai os servos com justiça e com equidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu.” (Colossenses 3.18-4.1 - ARA)


Relacionamentos nem sempre são fáceis, mas são bons indicadores de como anda nossa vida com Deus. Isso se deve pelo fato de que o amor de Cristo habita em nós e nos reconcilia com Deus e com próximo. Se no mundo moderno a religiosidade deve se restringir ao particular, para o cristão abrange todos os aspectos de sua vida, seja casamento, seja paternidade, seja no mundo do trabalho. Alguns aspectos deste trecho de colossenses aspectos devem ser evidenciados:
  • Apesar do mundo recusar autoridades e o próprio termo “submissão”, esta é uma realidade bíblica. Não podemos escolher o que nos agrada ou não na Bíblia, mas obedecer.
  • É de extrema valia analisar este trecho comparado com Efésios 5.21-33 e 6.1-9, onde podemos ter complementos ao que está sendo dito.
  • A submissão ou obediência não pressupõe superioridade ou inferioridade das partes, lembre-se que que em Cristo “não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre”.
  • O que se diferencia aqui são os papéis, pais e filhos, esposa e esposo, servos e mestres. Ao marido, foi definido papel de liderança, a esposa de auxiliadora, os filhos devem confiar na orientação dos pais, etc.
  • Todo o contexto aqui está baseado no amor e não é qualquer amor, mas amor ágape. Se amamos não vamos maltratar, escravizar, irritar, etc., caso contrário não é amor e não está firmado em Deus.
  • Apesar do “tudo obedecei“ de Paulo, está claro que se determinada ordenança vai contra a Palavra de Deus, convém obedecer antes a Deus que aos homens (At 5.29), ou seja, a submissão não é absoluta.
  • Há um caráter recíproco nestas admoestações. Ou seja: um dever não ocorre às expensas do outro, há um equilíbrio. Por exemplo, os filhos devem obedecer aos pais, mas os pais devem criar uma atmosfera de amor e confiança em que a obediência seja algo fácil e natural.
  • Tudo é feito através e para Cristo, para o louvor de Deus. Não se pode obedecer da boca para fora ou buscando agradar aos homens, mas buscando fazer tudo para a glória de Deus.  Ao mesmo tempo, somente em Cristo podemos obedecer e cumprir as recomendações feitas aqui.
“Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor. Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura.” Em um casamento, um cônjuge se submete ao outro, mas o papel de liderança foi dado por Deus ao homem. Isso, de forma alguma, significa que o marido não vai ouvir sua esposa e considerar sua opinião. A atitude do esposo deve ser amável, buscando seu bem e se dedicando a ela assim como Cristo se entregou pela Igreja. Não deve tratá-la com aspereza, ou seja, de forma maldosa,  grosseira, humilhando ou ignorando. Neste contexto, não fica difícil para a mulher amar e se submeter ao marido. O acréscimo “como convém no Senhor” nos lembra de que, se algo, na iluminação recebida em Cristo, indicar que estão indo contra a palavra de Deus, a mulher deve apresentar reprovação.
 “Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.” O exemplo de relacionamento parental está no próprio Cristo com o Pai. Quando Paulo diz que os filhos devem obedecer “em tudo”, pressupõe que seus pais sejam cristãos e estejam dando a orientação correta, mas isso também não isenta a rebelião quando os pais não são cristãos. Em contrapartida, os pais não devem irritar os filhos a ponto de perderem a motivação. Muitos caem em extremos: ou ficam receosos e nunca disciplinam os filhos, criando verdadeiros criminosos, ou possuem dura cerviz, de forma a gerar apatia e revolta na prole. Disciplina deve ser com amor e perdão (Hb 12.4-12).
Um aspecto interessante é que Paulo dedica a maior parte das recomendações sociais aos escravos/servos e mestres. Isso pode ter acontecido por duas razões: (1) haviam muitos escravos convertidos no império romano e (2) junto a carta aos Colossenses estava sendo encaminhada uma carta a Filemom, do qual Paulo fala sobre o escravo Onésimo que havia fugido de seu dono e acabou se convertendo ao encontrar o apóstolo e ouvir a mensagem de Salvação.
O tema escravidão na Bíblia não será tratado aqui, mas vale a observação de que as recomendações bíblicas estavam muito à frente de seu tempo e influenciaram muitos cristãos a lutar contra tal prática. Em todo caso, é importante para os nossos dias, em termos trabalhistas, a recomendação para trabalhar não buscando aprovação humana, mas de Deus. Todo trabalho realizado pelo homem, se torna assim trabalho para glorificar a Deus. É responsabilidade do cristão colocar suas vocações, serviço e cumprimentos de responsabilidades no altar de Deus. Nas palavras de Nicodemus: “ele está dizendo que o cristão pode servir ao Senhor mesmo estando encarcerado, em um subemprego ou em qualquer realidade que se encontre.”
O alerta “pois, aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita” serve tanto para os escravos quanto aos mestres, pois o Deus a Quem servimos há de recompensar cada um por seus atos. Justiça com equidade é algo enfatizado para os senhores e patrões e quer dizer: “respeitar integralmente os méritos do escravo ou empregado, que tem garantido pelo Criador, o direito de receber uma justa porcentagem do fruto do seu trabalho (veja 1Co 9.7-9; 1Tm 5.18) (Shedd). O cristão não pode viver algo na Igreja e algo diferente fora dela. Ou ele é cristão ou não é. Ou Cristo afeta todas as áreas de sua vida, ou a pessoa se admite hipócrita. Afinal, não existem meios termos no discipulado cristão.


Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
William HENDRIKSEN; 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Dia 11 (25.1.2017) – Colossenses 3.12-17


“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Colossenses 3.12-17 - ARA)


Um pastor de jovens alertou-me certa vez: como igreja temos o costume de apontar o que não fazer, o que deixar de fazer, o que é errado ou pecaminoso; porém, esquecemos de informar aos jovens o que eles podem e devem fazer, quais são as qualidades que devem possuir, qual o caminho a seguir. E ele está absolutamente certo, e não só com relação ao ministério de jovens. Às vezes esquecemos de apontar o que fazer, ao invés de enfatizar o que não fazer. Paulo sempre busca aplicações práticas para seus ouvintes, e não só coloca o princípio de Cristo e a ação de se despir do velho homem, mas também de se revestir do novo. Como nova criação e sob um novo olhar de Deus – santos, eleitos e amados, buscamos novas vestes no lugar dos trapos puídos do passado.  
A lista apresentada aqui pode ser comparada com a dos versos anteriores, e facilmente se constata que são completamente opostas entre si: ternos afetos de misericórdia, bondade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando uns aos outros, prontos a perdoar e aliançados em amor. “Ternos afetos” nos remete a sentimentos de simpatia – algo difícil em um mundo que caminha e valoriza a violência a ponto de nos alienar, de nos deixar indiferentes ao sofrimento alheio. A bondade ou generosidade descreve a maneira que o próprio Deus trata os homens. Sendo um dos componentes do fruto do Espírito (Gl 5.22), só podemos desenvolver dependendo, pela fé, da ação divina. Humildade nos remete ao próprio Cristo, cujo exemplo somos convocados a seguir (Fp 2.5-8). Mansidão e longanimidade caminham juntas. Aliás, perceba que há uma sobreposição destas qualidades: uma pessoa de coração compassivo também será bondosa, uma pessoa humilde também será longânima, etc.   
Usando novamente um princípio, “Assim como o Senhor vos perdoou”, o apóstolo nos fala da necessidade de perdão: “assim também perdoai vós”. Isso está tão enraizado na mensagem cristã que não pode ser discutido. Há uma necessidade tanto da prontidão para perdoar como da vigilância para não pecar contra o irmão. E o que mantém estas vestimentas unidas é o amor, amor ágape, amor que vem de Deus. O amor é aquilo que une os crentes e os faz prosseguir para a perfeição.      
A paz de Cristo, que excede todo entendimento, deve ser o árbitro em nossos corações, ou seja, assim como um árbitro em um jogo aponta os erros e acertos. Em outras palavras: quando precisamos tomar uma decisão devemos buscar a vontade de Deus, sentir sua paz. Conforme aponta Shedd: “Eis, pois, uma excelente regra a seguir na busca da vontade de Deus. Sinto no coração paz que Cristo dá? A decisão cria conflito ou promove a paz? Já que “fomos chamados e um só corpo”, que é a igreja, devemos achar que não importa aos outros o que fazemos individualmente (Rm 12.17,18; Hb 12.14)?” Mas você pode perguntar: Isso não é subjetivo demais? Por isso os versos 15 e 16 não devem ser lidos separados. Pela obediência, o evangelho da paz é transmitido ao coração. Somos exortados que a palavra de Cristo – o que Ele ensinou – encontre habitação em nosso coração e governe cada desejo, intenção, pensamento e ação de forma tão rica que possamos ensinar uns aos outros.  É muito propícia a colocação de Israel Belo de Azevedo neste ponto:
Uma igreja – o que se aplica à sua liderança, vale dizer seus pastores, e aos seus membros – deve ser muito cuidadosa para não cometer abusos, tendo todos sempre em mente que uma igreja, mais que um lugar de correção e/ou disciplina, é um lugar de distribuição da graça; mais que um lugar em que as pessoas estejam com o dedo em riste, uma igreja é uma comunidade de pessoas que apontam para o céu, de onde vêm direção, correção e conforto.    
Essas emoções restauradas devem vir acompanhadas de gratidão.  Uma pessoa cheia de gratidão e que aprecia os benefícios recebidos de Deus, não se encherá de cobiça pelas riquezas ou talentos de outra pessoa; sendo assim, a gratidão promove a paz. Somos chamados a entoar louvores ao nosso Deus com sinceridade de coração, através de salmos, de hinos que exaltem a Cristo (como Fp 2.6-11) ou de cânticos sob a orientação do Espírito Santo. Tudo em nossa vida deve ser motivado por Jesus Cristo e para sua Glória, numa atitude de gratidão contínua por Seu grande amor e paz sem fim.


Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Israel Belo de AZEVEDO; Pastoreados por Paulo, Volume 2 – As mensagens de Filipenses a Filemom comentadas tema por tema.  Editora Hagnos, 2014.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
Tom WRIGHT; Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.

William HENDRIKSEN; 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.