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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Jejum – Dia 2 – Se o meu povo...

2 Crônicas 7.14  : “e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”.

 
                Salomão havia realizado a obra que seu pai Davi propusera no coração, mas não pôde realizar. Construiu um grandioso templo com ouro, prata, bronze, madeiras caras e importadas. Em sua inauguração, o rei parece ter perdido o olhar na tão grandiosa obra. Então, aos poucos, percebe que não estaria ali se não fosse à graça de Deus, e que aquele lugar não valeria nada sem a Glória de d’Ele:

“Mas será possível que Deus habite na terra? Os céus, mesmo os mais altos céus, não podem conter-te. Muito menos este templo que construí! Ainda assim, atende à oração do teu servo e ao pedido de misericórdia, ó Senhor, meu Deus. Ouve o clamor e a oração que o teu Servo faz em sua presença.” – 1 Reis 8:27,28

                Diante do clamor, das orações e dos sacrifícios feitos diante do altar, o Senhor derrama uma Glória tão forte que os Sacerdotes não conseguem entrar no Templo. Um fogo descendo do céu consome o sacrifício e uma Luz de Glória invade o templo. Diante daquilo o povo se prostra e exalta a Deus “Ele é bom e o seu amor dura para sempre” (2 Cr 7:3b).

                Momentos depois Deus aparece ao rei Salomão, lhe fala do presente e do futuro, de promessas e alianças. Aquele templo seria o lugar de sua habitação, um lugar onde Deus se moveria no meio do povo, onde se faria presente. E sempre que algo abalasse as estruturas da nação, havia uma promessa...

                “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome” (ARC) ou “se o meu povo, que pertence somente a mim” (NTLH): Assim como Rute, podemos declarar “A sua terra é a minha terra. O seu povo é o meu povo. O seu Deus é o meu Deus!”. Deus fala aqueles que se identificam como seu povo, que anseiam e são reconhecidos e resgatados pelo Senhor. Ele nos tirou do império das trevas e nos transportou para o reino do seu filho (Colossenses 1:13)!  Somos nação separada, sacerdócio santo! Povo exclusivo de Deus (1 Pedro 2,5-9)! Seguidores e discípulos de Jesus. O próprio termo cristão significa “pequenos cristos”, somos reconhecidos por andar com Deus, isso faz parte de nossa identidade.

                “Se humilhar”: Tudo na Bíblia começa com o reconhecimento de quem nos somos e da distancia que estamos de Deus. Paulo nos ensina que devemos ter a mesma atitude de Jesus, que “embora sendo Deus, não considerou ser igual a Deus era algo que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo” (Filipenses 2:6,7). Humilhar é reconhecer e entregar aquele que é digno de louvor, hora e glória. Quando Adão e Eva pecaram, desejavam ter conhecimento do bem e do mal, ser como Deus. E muitos, até mesmo dentro da igreja, querem ser deuses de seus destinos, independes, atraindo a atenção e adoração do mundo. Mas nem o filho de Deus ansiou isso, pelo contrário. Esvaziou-se do que era. “Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará” (Tiago 4:10). Tudo na vida Cristã começa com a humilhação, tomando nossa Cruz e seguindo a Cristo.

“e orar, e buscar a minha face”. Um dos termos para adoração da bíblia é proseuchomai, que dignifica em direção à face. Orar e buscar a face do Senhor. Muitos ainda procuram suas mãos e o que ela tem a oferecer. Não é errado, afinal nosso Deus é galardoador, todo o bem vem do Pai da Luz, ele quer nos abençoar e ouvir nossa oração; porém, mais que isso, Deus procura verdadeiros adoradores – pessoas que ministram em sua presença, que anseiam por sua Glória, por sua face. Assim como Moisés, nosso desejo é contemplar sua face, mesmo que isso custe nossa morte (Êxodo 33)! Nós oramos porque queremos ter um dialogo, e não um monologo, com o Senhor. Nós clamamos por ver sua face e sua atuação no mundo, tantas vezes de forma imperceptível para nós.

                “e se converter dos seus maus caminhos”: Arrependimento passa por uma mudança de vida. Como disse C. S. Lewis: não é como seguir um caminho próprio e continuar de onde parou (como galhos de arvores) devemos voltar ao inicio de Tudo. Vou regressão ao caminho, vou ver as primeiras obras Senhor; Eu me arrependo, Senhor; Me arrependo, Senhor; me arrependo, Senhor! As vezes agimos como se tudo estivesse normal, mas Daniel (Cap. 9 e10) não pensou desta forma. Ele clamou pelos seus pecados e pelo povo. Eles haviam esquecido Deus, deixaram de buscar seu nome e se renderam a outros deuses. Não temos nós muito que clamarmos pelo nosso país? Diante de maldições acumuladas historicamente como a própria escravidão de negros e indígenas que hoje ainda geram preconceito e pobreza? Diante da própria igreja que deixa de dar seu testemunho e mudar a sociedade carregando a Glória de Deus?

                Lembro-me de um texto do Livro “Fogo do Céu” do Bill Myers, ed. Vida, uma ficção onde um homem seria levantado como testemunha nos últimos tempos (talvez não tão ficção assim). Em certo momento, Deus lhe dá sua missão:

Avise-a antes que seja tarde demais...

Aquela que afirma se amar, quando eu lhe ordenei odiar.

Aquela que ora pelo cumprimento de sua vontade, mas não busca a minha.

Aquela que afirma ser minha serva E, no entanto, exige que a sirva.

Aquela que clama por respostas, mas não ouve.

Aquela que pede cura, mas não me busca na doença.

Aquela que satisfaz os próprios caprichos, mas deixa sofrer os necessitados.

Aquela que é rápida em desembainhar a espada, mas lenta para dobrar os joelhos.

Aquela que busca a realização dos sonhos enquanto se esquece do meu chamado.

Aquela que ergue as veste para o mundo

E ignora quando peço santificação.”   

 

Sempre que leio essas palavras não consigo me conter, porque é o mesmo alerta as igrejas do Apocalipse e as mesmas para os dias de hoje. Precisamos pedir a Deus que nos abra os olhos, assim como o servo de Elizeu, para vermos o mundo espiritual, para olharmos com os olhos de Deus e caindo com o rosto em pó, clamando como em Joel 2. Chorem os ministros de Deus, os jovens, velhos e crianças.  Toquem a trombeta em Sião, faça voz de Jejum e de oração! Buscai ao Senhor enquanto se pode achar. Em um mundo corrompido e cheio de tristeza, não podemos deixar de clamar por mudanças a começar de nós mesmos.

 

O resultado desta busca é dado pelo próprio Deus: então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. Deus não desprezará o quebrando e contrito coração, aquele que clama “Sonda e me conhece”. Brinco que se alguém está buscando Deus, hora ou outra vai topar com Ele. Ele irá nos ouvir e vai ao nosso encontro! E quando Ele vem, há restauração, justificação, redenção e reconciliação! Como um pai que ansiosamente aguarda o retorno do filho, suas mãos estão estendias para perdoar e restaurar-nos ao convívio do Lar, a Sua majestosa presença! E ele sarará nossa terra!

 

Você crê nisso? Esta tem sido sua esperança? Seu clamor? Ver sua vida, sua casa, sua igreja, nossa nação e o mundo voltando-se para Deus e cumprindo seu papel redentor no mundo? Que possamos clamar, chorar e não nos calar até ver a Glória do Senhor restaurar toda a terra.

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