Esta
postagem é um combinado de ontem e de hoje. Sabe como é, né? Domingo é um dia complexo,
pode ser agitado e vagaroso ao mesmo tempo. Mas estamos no meio do nosso jejum
e há duas posições que precisamos aprender e assumir, esse é o objetivo de
reflexão nestes dias. Como gosto de mudar as coisas, vou inverter a ondem de
nossa listinha de meditação.
Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra
vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual
clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos
filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus
e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos
glorificados. Romanos 8:15-17
Talvez
a visão ainda mais mal entendia entre os cristãos seja a de Pai. Para Jesus era
algo vivo e pratico, mas para muitos dos seus seguidores pode tornar-se
confuso, principalmente quando não temos bons pais em que se espelhar na terra.
Mas precisamos aprender com o Mestre: nós temos um Pai que nos ama, que cuida
de nós, que aguardou anos nosso retorto ao lar e pacientemente trabalha em, e
através de, nossas vidas mesmo com nossas falhas e temores.
Neste
trecho da carta aos Romanos, Paulo declara que somos filhos. Não mais escravos
do pecado, do mundo, dos homens e seus desejos. Não mais escravos de nós
mesmos, mas filhos! Podemos realmente tomar posse dessa palavra?
E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espirito de seu Filho ao
coração de vocês, e ele clama “Aba, Pai”. Assim, você já né é mais escravo, mas
filho; e por ser filho, Deus também o tornou herdeiro. Gálatas 4: 6,7
O
“espirito da adoção” é oposto ao “espirito da filiação”. Em Cristo temos poder
para vencer o mundo, o pecado e seus desejos. Somos livres da maldição descrita
por Paulo de querer fazer o bem e não consegui-lo. Mas, mais do que isso, Paulo
destaca a paternidade. Deus colocou seu espirito em nós (lembra-se do melhor
pedido que Deus responderia em Lucas 11:5-13?) e ele nos faz clamar Aba (Pai)!
É
preciso aqui entender o próprio conceito de adoção assumido pelos gregos e
romanos. Diferente do pensamento atual, os filhos adotivos tinham os mesmos
direitos dos de carne e sangue, inclusive os direitos de herança. Não só isso,
mas poderiam ser até mais estimados que os filhos naturais, visto que era fruto
de uma escolha, de algo deliberado e não de uma obrigação – geralmente não
ocorrido no nascimento natural. É por
isso que Paulo usa essa imagem para dizer que nós fomos escolhidos e eleitos, que
nós temos o espirito de Cristo, somos amados através dele! Somos feitos
herdeiros e co-herdeiros.
Um
detalhe é importante ressaltar: Com ele sofremos, com ele somos glorificados.
Assim como Jesus, sofremos. Qual nosso sofrimento? Sofremos na luta contra o
pecado, contra nossa carne (que não aceita tão facilmente sua derrota); e
sofremos com e por nossos irmãos em Cristo, visto que somos um só corpo, uma só
família. Mas é nesse partilhar do sofrimento que vem as vitorias e nele seremos
glorificados.
Perceba
que, como em qualquer família, temos direitos e deveres. Mas até mesmo os
deveres são prazerosos quando comparados com a glória derramada sobre nós! No Salmo
84 o salmista declama seu prazer na casa do Senhor, um lugar onde encontra
refugio, libertação, aconchego! Em Cristo nossas almas encontram o descanso e o
conforto de enfim estar na casa do Pai!
No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu
poder. Revesti-vos de toda a armadura de
Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo; porque
não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados,
contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as
hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a
armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo,
ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a
verdade, e vestida a couraça da justiça, e calçados os pés na preparação do
evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar
todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação e a
espada do Espírito, que é a palavra de Deus, orando em todo tempo com toda
oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por
todos os santos. Efésios 6:10-18
Há
um segundo aspecto que devemos assumir. Nossa nova posição como filhos de Deus
faz com que vejamos o mundo de uma nova maneira e percebamos os reais inimigos
que nos rodeiam. Não os homens, os governos, a carne ou o sangue, mas as
potestades, os espíritos das trevas, o próprio satanás que ruge como um leão
procurando a quem possa tragar. Como diria um conhecido pregador, é como se um assassino
de aluguem fechasse um contrato para lhe pegar assim que você se volta para Jesus.
Mas
a Bíblia nos mostra a devida proteção. O sangue de Cristo nos limpa a protege
de todo o mal, e o Senhor nos dá as armas para que possamos não só nos
defender, mas ser proativos na luta.
Como
não? Nenhum Pai, um bom pai, pelo menos, gostaria de mandar seu filho para a
vida sem ao menos uns bons conselhos. Pais de verdade devem ser propositais,
devem ensinar seus filhos a enfrentar a vida e crescer mesmo diante das
dificuldades e, ainda assim, demonstrar amor e cuidado quando seu filho fica
ferido. Pais preparam seus filhos para a dificuldade e, quando necessário lutam
por ele e até em seu Lugar!
Na
vida espiritual não é diferente. Temos um Deus que luta por nós quando clamamos
e estamos diante das situações impossíveis. Como quando o povo de Deus estava
cercado pelo inimigo e começou a cantar e louvar “O Senhor é bom e as sua misericórdia
dura para sempre”, Deus então enviou seu exercito celeste e desbaratou os
inimigos! Deus luta por nós, não a toa é chamado O Senhor dos Exércitos,
Poderoso nas Batalhas!
Mas
se às vezes ele luta por nós, e tudo que devemos fazer é louvar e orar (isso já
é parte da batalha, acredite), ele as vezes nos coloca na linha de frente, mas
não desarmados. Como cristãos, sabemos da importância da armadura espiritual,
mas poucas vezes a usamos verdadeiramente. Paulo nos convida a ficar de pé e
tomar posse dessa armadura para combater sem medo:
cingidos os vossos lombos (cinturão) com a verdade: Somos luz, andamos na verdade e sua palavra habita em
nós.
vestida a couraça
da justiça: o caráter do
guerreiro é a sua defesa. O próprio Deus é simbolicamente apresentado com uma
couraça de justiça ao sair para impor justiça (Is 59:17)
calçados os pés na preparação do evangelho da paz: Prontos para
proclamar o evangelho aonde for.
tomando sobretudo o escudo da fé:
É nossa confiança, nossa fé (“certeza daquilo que esperamos e a prova das
coisas que não vemos” Hebreus 11:1) que nos protege dos Dardos inflamados do
maligno. É um equipamento de defesa. Flechas ardentes eram concebidas para
destruir escudos de madeira e outras defesas e alguns escudos romanos eram
feitos com couro para serem encharcados de água e usados para apagar essas flechas,
mas o escudo da fé é capaz de extinguir os ataques do diabo.
Tomai também o capacete da
salvação: Nossas batalhas começam na mente, temos que tomar o capacete
da salvação. É um equipamento de defesa, nossa mente não deve se amoldar ao
mundo, mas ser renovada continuamente em Cristo (Romanos 12:1,2) de forma que
nossos pensamentos devem ser focados não nas ansiedades do dia-a-dia mas em
tudo aquilo que é “verdadeiro, tudo que que for nobre, tudo o que for correto,
tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se
houver algo excelente ou digno de louvor(...)”, Filipenses 4:8.
e a espada do Espírito, que
é a palavra de Deus: Está é a
nossa arma de ataque, a única descrita aqui. A Palavra de Deus é para ser usada como uma espada afiada
de dois gumes, no grande poder do
Espírito Santo (ver Heb. 4:12).
orando em todo tempo: Nossa batalha é
espiritual e deve ser travada da força
de Deus. Nossas armas não são humanas.
Em
tudo isso percebemos que nossa confiança está realmente em Deus. Ele é nosso
refugio, nossa fortaleza! Temos que estar vigilantes, mas também confiantes em
nosso Deus. Estamos em Guerra espiritual, como Daniel no capitulo 10, versículo
1 a 14. O anjo do Senhor afirma que quando ele começou a orar, Deus já estava
mandando a resposta, mas o inimigo, o “Príncipe do reino da Pérsia” resistiu
por 21 dias. Daniel, porém orou e jejuou até sua resposta chegar.
As vezes o
inimigo se levante em nossa vidas e famílias e nossa atitude deve ser orar,
louvar e clamar a Deus, tomar posse da armadura que Ele nos Deus. Temos que
usar a palavra de Deus que diz que “Mil poderão cair ao seu lado, dez mil a sua
direita, mas nada o atingirá (...) nenhum mal o atingirá, desgraça alguma
chagará a sua tenta. Porque a seus anjos ele dará ordens a seu respeito, para
que o protejam em todos os seus caminhos; com as mãos eles os segurarão, para
que você não tropece em alguma pedra.” (Salmo 91:7, 10-12).
Vamos
assumir quem nós somos em Cristo Jesus: filhos amados e eleitos, discípulos sedentos
da palavra e guerreiros imbatíveis no Senhor!