Páginas

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Dia 10: Domínio próprio



“Domínio próprio é a capacidade de resistir à satisfação imediata tendo em vista alvos mais elevados” Max Anders


                Sanderson disse que “No serviço do pecado, o tumulto é tão grande que, em comparação a ele, o beneficio equivale a nada; no serviço de Deus, o beneficio é tão grande que, em comparação a ele, as dificuldades equivalem a nada. Onde a carne impera sobre todos, a obra excede o fruto; e, portanto, sem mesmo mencionar a obra, ela é chamada o fruto do Espírito.” Não é difícil perceber esta verdade, pode parecer fácil viver a vida a serviço da carne e do pecado, mas a colheita é amarga. 

Isso fica bem claro quando ao domínio próprio, ou auto controle. Do grego enkrateia, síntese dialética entre razão e liberdade (ou, entre razão livre e liberdade racional) - Trás a ideia de senhorio. Nas palavras de John Stott “Domínio próprio é o senhorio sobre a língua, os pensamentos, os apetites, as paixões”. 

Não sei vocês, mas eu preciso muito disso. Nos dias atuais, principalmente entre os jovens, parece ser uma ofensa falar em auto controle – principalmente quando se referimos a lazer, festas, bebidas... Mas o fato é que a falta de controle nos leva a caminhos desastrosos nos quais sempre caímos na realidade e pensamos: porque fiz isso de novo? Não aprendo nunca?

Precisamos de autocontrole em todas as áreas de nossa vida. Uma das mais importantes, por exemplo, é no falar. Conforme o aposto Tiago ensina, a língua pode ser uma benção, mas também pode causar destruição. Palavras ditas no tempo certo são como maçãs de ouro em salvas de prata (Provérbios 25.11). Nossa boca precisa ser fonte de bênçãos e não de maldições. Da mesma forma nossos pensamentos. Se andarmos na luz, tudo em nossas vidas deverão refletir isso. Quantos não vivem umas vidas externas aparentemente sãs, mas com uma mente de pensamentos perturbados? E creio que nem preciso falar de apetites e paixões.  Alguns até dizem “Consigo resistir a qualquer coisa menos a tentação”.

A questão é que nunca alcançaremos nada sem autodisciplina e não é a toa que o Domínio próprio é uma das qualidades de caráter mais difíceis de possuir e sem ele a vida anda a deriva, sem entendermos como fomos parar em determinado lugar. Como disse Salomão: “Melhor é o longânimo do que o valente, e o que governa o seu espirito do que o que toma uma cidade” (Provérbios 16.32).

Em que área você se sente mais fraco? Peça ao Espírito Santo desenvolver O Domínio próprio, clame para que Ele produza seu fruto em sua vida e em nossas Igrejas. Claro que isso exige comprometimento e até ajuda dos irmãos ao nosso redor. As vezes pesamos que podemos crescer e desenvolver sozinhos, mas Cristo nos colocou em um corpo, em uma família de muitos irmãos, para que possamos mutuamente afiarmos e aprender a ser mais como Cristo. Em moimento alguns Deus pretendeu que lutássemos sozinhos com as questões da vida e de nosso caráter. 

Conforme declara Max Anders: “O ponto básico é que essas qualidades refletem o espírito e a natureza de Deus. Quando amadurecemos e permitimos que o Espirito Santo governe nossa vida, Deus é glorificado, nossa vida se enriquece e somos satisfeitos, e os não salvos recebem uma mensagem favorável de Deus pelo que vêem dele em nossa vida”.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Dia 9: Mansidão



“Mansidão é tratar os outros com atenção, respeito e sensibilidade” Max Anders


Extraído de “O Espirito Santo em 12 lições”, Max E. Anders. Ed. Vida, 2001 (Serie Fundamentos Cristãos).

Conta-se uma parábola a respeito do sol e do vento discutindo quem era mais poderoso. O sol calmamente declarou que ele era o mais forte, enquanto o vento protestou em altas vozes.
- Está vendo o viajante que caminha ali pela estrada? - perguntou o vento. - Aquele de nós que conseguir primeiro arrancar-lhe  casaco é o mais poderoso. O sol concordou.
O vento soprou lufadas curtas e violentas para arrancar o casaco do viajante, mas o homem apertou o casaco contra o corpo. O vento soprou grandes e furiosas rajadas, mas de nada adiantou. O viajante enrolou-se no casaco o mais fortemente  possível e inclinou-se contra o vento que  castigava.
Finalmente, o vento ficou exausto e não conseguia mais soprar. Então o sol saiu e começou a brilhar de mansinho, suavemente sobre o viajante. Dentro de pouco tempo, uma gotinha de suor começou a rolar-lhe pela testa. Logo depois ele tirou o casaco, sucumbindo ao suave calor do sol.

Nos relacionamentos humanos, a mansidão é como o sol, e a agressão é como o vento. Uma desarma, enquanto a outra antagoniza.
A mansidão é condescendência para com os outros, levando em conta os pontos vulneráveis, tomando o cuidado de não feri-los. Recentemente precisei tratar dos dentes em numa clínica onde recebi cuidados de mais de um profissional. Um dentista tinha mãos pesadas; o outro tinha mãos gentis. O primeiro me machucou; o segundo, não. Isso ilustra o significado de ser manso.

A palavra bíblica traduzida por “manso” vai além deste significado limitado. As vezes é traduzida por “humilde". O indivíduo humilde geralmente é considerado tímido, fraco e “chorão”. Mas não é assim. A palavra grega transmite a ideia de “poder sob controle". Antes de ser amadurecido pelo Espírito Santo, o apóstolo Pedro era espalhafatoso e agressivo. Depois, ele foi controlado e canalizou sua grande energia para a glória de Deus. Moisés é mencionado na Bíblia como o homem “mais manso” que já viveu. Mas ele estava longe de ser chorão. Foi um líder forte e poderoso, sob o controle de Deus. Um rio controlado pode gerar muita energia. Um fogo sob controle pode aquecer uma casa. Uma personalidade sob controle pode ser usada por Deus para cumprir os propósitos dele. A energia controlada pode realizar grandes benefícios. Sem controle geralmente, causa apenas destruição.

Jesus foi preso, passou por uma série de julgamentos escarnecedores, foi espancado e maltratado. Ele tinha o poder de aniquilar seus torturadores com uma só palavra, mas não o fez, preferiu suportar o sofrimento em benefício de nossa redenção. Isaías falou profeticamente quando disse de Jesus: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a sua boca; como cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca” (Is 53.7). Mansidão é “amor sob controle”.

O Espírito Santo gera mansidão em nós. Quando isso acontece não ferimos nem maltratamos as pessoas. Não damos “coices" naqueles que cruzam nosso caminho. Antes, sob o controle do Espírito Santo, demonstramos sensibilidade para com os outros e permitimos que Deus canalize nossa energia para o bem deles.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Dia 8: Fidelidade



“Fidelidade é ser confiável naquilo que se deve fazer” Max Anders



Extraído de “O Espírito Santo em 12 lições”, Max E. Anders. Ed. Vida, 2001 (Serie Fundamentos Cristãos).

Clarence Jordan era um homem de capacidade e honestidade fora do comum. Tinha dois doutorados, um em agricultura e outro em grego e hebraico. Podia fazer qualquer coisa que desejasse. Mas escolheu servir aos pobres. Na década de 1940, fundou a Fazenda Koinonia, em Americus, na Geórgia. Era uma comunidade para pobres brancos e negros – uma ideia que não foi bem aceita no Sul daquela época. 

Ironicamente, grande parte da resistência veio de gente boa da igreja, tão comprometida com as leis da segregação quanto as outras pessoas da cidade. Durante quatorze anos o povo da cidade tentou de todas as maneiras impedir o trabalho de Clarence.
Tentaram boicotá-lo, cortando os pneus dos carros dos trabalhadores quando vinham a cidade, sem efeito.

Finalmente, em 1954, a Ku Klux Klan não aguentou mais Clarence Jordan, por isso decidiu acabar com ele de uma vez para sempre. Numa noite, foram à Fazenda Koinonia com armas e tochas e incendiaram todos os edifícios, menos a casa de Clarence, que metralharam. Expulsaram todas as famílias, exceto uma família de negros que se recusou a sair.

Clarence reconheceu as vozes de muitos dos homens da Klan, e alguns deles eram membros da igreja. Outro deles era o repórter do jornal local. No dia seguinte, esse repórter veio ver o que havia restado da fazenda. Os destroços ainda fumegavam e a terra estava chamuscada; encontrou Clarence no campo trabalhando com a enxada e plantando.

“Ouvi as notícias horríveis", gritou o repórter para Clarence, “e vim para escrever a história da tragédia do fim de sua fazenda".
Clarence continuou cavando e plantando. O repórter continuou
a provocar, tentando causar alguma reação naquele homem sossegado e determinado, que estava plantando em vez de fazer as malas. Finalmente, o repórter disse com voz arrogante: - Bem, dr. Jordan, o senhor tem dois PhD’s, trabalhou quatorze anos nesta fazenda, e não sobrou nada. Quanto sucesso o senhor acha que obteve?
Clarence parou de cavar a terra, fitou o repórter com os penetrantes olhos azuis e respondeu calmamente mas com firmeza: - Tanto sucesso quanto a cruz. Senhor, acho que não nos entendeu. O que nos buscamos não é o sucesso, mas a fidelidade. Nós vamos ficar. Bom dial”.  A partir daquele dia, Clarence e seus companheiros reconstruíram Koinonia e a fazenda continua forte até o dia de hoje (Extraído de Holy Sweat [Suor santol, p. 188-9).

Fidelidade é ser digno de confiança, é “permanecer", é perseverar. É ser o tipo de pessoa com a qual se pode contar para fazer o que é certo. Repetidas vezes na Bíblia, somos advertidos a ser fiéis. Mateus 25.21 diz que se formos fiéis nas pequenas coisas, o Senhor nos dará as maiores. Em Apocalipse 2.10 lemos: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida".

Devemos ser fiéis às nossas palavras. Devemos ser fiéis nas nossas responsabilidades. Acima de tudo, porém, devemos ser fiéis para com Deus. Deus deseja contar conosco. Se permitirmos, o Espírito Santo vai nos transformar em pessoas fiéis. Você tem dificuldade em ser fiel? Muitos têm. Fidelidade não é uma característica muito valorizada na sociedade moderna. Mas é altamente valorizada por Deus.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Dia 7: Bondade



“Bondade é fazer aquilo que beneficia o outro” Max Anders


                O termo bondade aqui vem da palavra grega agathōsynē que significa fiel, positivo, diligente, que toma a iniciativa para beneficiar o outro. Lembre que Bom somente é Deus (Lucas 18.19), desta forma somente aqueles que andam no Espirito podem produzir esta característica e em sua plenitude. Os filhos se espelham no Pai (II Coríntios 3:18)

                A benignidade anda de braços dados de forma que praticamente não distinguimos uma da outra. Max Anders apresenta a benignidade como algo mais “pessoal, face a face, enquanto a bondade nem sempre necessita ser pessoal”. É algo a se pensar a se pensar. Quando vemos exemplos de descrição da bondade na bíblia, a distinção realmente torna-se mais difícil: Um chefe que é atencioso (1 Pedro 2:18);  Um homem que é generoso (Mateus 20:15); Um servo que é confiável (Mateus 25:21); Uma mulher que trabalha com afinco em casa (Tito 2:5); Um homem que diz coisas úteis e positivas (Lucas 6:45); e
Um homem que incentiva os outros (Atos 11:24). 

                Gosto particularmente de uma historia contada por Charles Swindoll ilustra bem a bondade e a amabilidade:
Depois do término da segunda guerra mundial, a Europa começou a ajuntar os cacos que restaram. Grande parte da Inglaterra estava destruída. As ruínas estavam por todo lugar. E, possivelmente, o lado mais triste da guerra tenha sido assistir as criancinhas órfãs morrendo de fome, nas ruas das cidades devastadas.
Certa manhã de muito frio, na capital londrina, um soldado americano estava retornando ao acampamento. Numa esquina, ele viu, do seu jipe, um menino com o nariz pressionado contra o vidro de uma confeitaria. Parou o veículo, desceu e se aproximou do garoto. Lá dentro, o confeiteiro sovava a massa para uma fornada de rosquinhas.
Os olhos arregalados do menino falava da fome que lhe devorava as entranhas. Ele observava todos os movimentos do confeiteiro, sem perder nenhum. Através do vidro embaçado pela fumaça, o soldado viu as rosquinhas quentes, e de dar água na boca, sendo retiradas do forno. Logo mais, o confeiteiro as colocou no balcão de vidro com todo o cuidado. O soldado ouviu o gemido do menino e percebeu como ele salivava. Em pé, ao lado dele, comoveu-se diante daquele órfão desconhecido.
“Filho, você gostaria de comer algumas rosquinhas?”
O menino se assustou. Nem percebera a presença do homem a observá-lo, tão absorto estava na sua contemplação.
“Sim,” respondeu. “eu gostaria.”
O soldado entrou na confeitaria e comprou uma dúzia de rosquinhas. Colocou-as dentro de um saco de papel e se dirigiu ao local onde o menino se encontrava, na gélida e nevoenta manhã de Londres.
Sorriu e lhe entregou as rosquinhas, dizendo de forma descontraída: “aqui estão as rosquinhas.”
Virou-se para se afastar. Entretanto, sentiu um puxão em sua farda. Olhou para trás e ouviu o menino perguntar, baixinho: “Moço... você é Deus?”.
             
   Nunca nos parecemos tanto com Deus, quando realizamos a suas obras – por menores que sejam.    

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Dia 6: Benignidade (ou Amabilidade)



“Benignidade é tratar os outros de maneira agradável em palavras e atos” Max Anders


                Como Diz Mas Anders “A benignidade é uma das maiores virtudes e a mais admirada, embora seja das mais raras”.  Quantos atos de amabilidade temos visto ultimamente? Melhor ainda: quantos atos de benignidade temos praticado nos últimos dias?

                O termo usado por Paulo aqui é Chrēstotēs (grego), que significa “relaxado, bem humorado, temperado pela maturidade e experiência, misericordioso, sem ser áspero ou tenso”. Podemos dizer que benignidade significa tratar as pessoas com graciosa sensibilidade, sejam elas merecedoras ou não. Lindo, mas pouco praticado. 

                Certa vez estava eu na espera de ser atendido no banco. Todos nós sabemos o quando isso é estressante e cansativo, apesar de fato só esperamos (olha a paciência sendo necessária aí). Uma das mulheres chegou estressada, gritou com uma atendente e chamou atenção de todos. O gerente apareceu a atendeu. A Atendente chamou a próxima senha, que era a minha. Expliquei minha situação, mas vi que ela ainda estava tensa pelo ocorrido (suas mãos tremiam), e disse que estava tudo bem, as coisas eram assim mesmo. Ela me explicou que a cliente que tinha saído gritando não estava com os documentos necessários para a transação pretendida e por isso começou o escândalo. 

                Como já trabalhei no atendimento, e de certa forma ainda atendo clientes internos, sei bem como isso funciona. Raras são as pessoas que conseguem tratar com amabilidade alguém no caixa – que na maioria das vezes não é culpado do problema. E quando a Igreja? Pode existir uma igreja que não pratique benignidade? Faz-me lembrar de Philip Yancey, não me recordo se foi ele ou um conhecido, que encontrou uma prostituta na rua. A mulher estava em péssima situação, tinha perdido tudo e estava um colapso nervoso, pedia ajuda e estava se prostituindo porque não tinha sequer onde morar. A pessoa perguntou por que ela não procurava ajuda em uma igreja, ao que os olhos da mulher arregalaram e disse: “Igreja? O que vou fazer lá?”. 

                Triste é pensar que Jesus se associava os excluídos e pobres da época quando a Igreja quer distancia. Esquecem que “O que se compadece do pobre empresta ao Senhor, e ele lhe recompensará o beneficio” (Provérbios 19.17).

 Perceba que não é simplesmente dar uma esmola, uma ajuda ou algo financeiro em si, às vezes tudo que as pessoas precisam é de uma palavra amável e de animo, gastar um tempo com quem precisa. Eis um sábio conselho: Devemos ser sempre benignos com os outros, porque podem estar caminhando feridos pela estrada da vida. Você foi chamado para a cura das nações... Onde quer que vá: seja amável.