Efésios 5.5-21
Sabei, pois,
isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança
no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por
essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não
sejais participantes com eles. Pois,
outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da
luz (porque o fruto da luz consiste em
toda bondade, e justiça, e verdade), provando sempre o que é agradável ao
Senhor. E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém,
reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha. Mas
todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo
que se manifesta é luz. Pelo que diz:
Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te
iluminará. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim
como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos
torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. E não
vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,
falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos
e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em
nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de
Cristo.
Deus
é luz, e nele não há treva alguma, declara João em sua primeira carta (1 João
1.5) e se afirmamos que temos comunhão com Ele, devemos andar na Luz como ele
está na luz. Paulo declara que andávamos, vivíamos, nas trevas, mas agora somos
luz no Senhor, devemos andar como filhos da Luz. Rubem Amorese afirma que isso
leva a algumas reflexões: 1) a Luz de Cristo ilumina nossa vida (Jo 1.4), ou
seja, antes andávamos perdidos, sem organização e agora uma grande mudança
ocorreu, um novo mundo se abre, “Preciso aprender a me orientar neste novo
mundo que se descortina: tomar decisões a partir de uma nova dimensão de
informações”; 2) A luz que me dá vida também me leva para os outros, para ver
sua situação, me faz perceber que não estou sozinho e me desperta a alcançar
outros que ainda estão em trevas.
A
luz não se mistura com as trevas, aonde chega a luz, as trevas se vão. Há uma
escolha que Paulo nos coloca e João confirma: não podemos participar das obras
infrutíferas das trevas, escondidos na vergonha, na mentira, na vaidade, no
orgulho, na inveja, dentre outros. Trevas aqui referem-se a ignorância, o erro
e o mal, enquanto a luz representa a verdade e a justiça. Paulo vai além ao
dizer não que devemos andar na luz,
mas que somos luz! John Sttot diz que
a metáfora da luz demonstra vividamente que o cristão “está aberto e
transparente, que vive alegremente na presença de Cristo, nada tendo que
ocultar ou temer”.
Andar
na luz significa não somente fugir das obras más, mas, e aqui entra toda a
praticidade de Paulo, buscar compreender qual a vontade do Senhor. Essa vontade
pode ser geral (aquilo que a bíblia nos ensina) e particular (fruto de uma vida
de reflexão, oração e conselhos de Cristãos maduros), ambas nos convidam a
viver em sabedoria e remir este tempo – termo que pode ser traduzido por tirar
proveito do tempo, aproveitar cada oportunidade:
... Mesmo
remidos, muitas vezes nós desperdiçamos muito de nosso tempo. Afirmamos estar
no serviço de Deus, ocupados com “suas coisas”, mas na realidade não pusemos
nosso coração inteiramente nisso. Não somos verdadeiros e retos diante dele,
não resgatamos o tempo que lhe pertence, preferindo usá-lo para nós mesmos. Que
Deus nos faça conscientes da seriedade de cada hora colocada em nossas mãos. (H.
E Alexander)
Outra
troca aqui é colocada: “não vos embriagueis com vinho (...), mas enchei-vos do
Espírito”. O apóstolo mostra novamente um quadro de contrastes. A bebida traz
dissolução, ações desenfreadas, descontroladas, igual ou pior que animais. Já
estar cheio do Espírito nos torna como Cristo, nos conduzindo a salmos,
louvores, hinos e cânticos espirituais, a comunhão com os irmãos, e a ações de
graças junto ao Pai. Perceba que não há uma sugestão, e sim um comando,
“Enchei-vos”, e que o termo está no plural, é algo para todo o povo de Deus;
está na voz passava, ou seja, “deixai o Espírito Santos encher-vos”, e está no
tempo presente.
Assim como a
cada dia somos transformados de glória em glória e nossa mente é renovada, a
ordenança de encher-se do Espírito é para cada dia, cada momento. Não podemos
andar vazios, não podemos andar como néscios, não podemos andar nas trevas. Mas
a cada dia, ser iluminados por Cristo e refletir sua Glória.
***
H. E. Alexander. Orvalho da Manha,
Editora Mundo Cristão.
John Stott. A Mensagem de Efésios
– A nova Sociedade de Deus, ABU editora.
Rubem Amorese. Vida e Luz,
Revista Ultimato, Nov.-Dez 2014, Ano XLVII, nº 351 (http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/351/vida-e-luz-1)
Nenhum comentário:
Postar um comentário