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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Dia 3 - O Bom, o mau e o feio



Efésios 2.1-10
Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.
               
                Apesar da tendência que temos de romantizar o passado e achar que aqueles sim eram tempos melhores, o fato é que é difícil olhar para as paginas dos jornais e achar que estamos nos melhores dias. Pelo contrario, as coisas parecem estar degringolando cada vez mais. Rumores de guerras, guerras que se tornam reais, mortes sem razão aparente além da desvalorização da vida. Gente vitima de trafego humano/sexual e escravidão em pleno século XXI enquanto outras se perdem para as drogas. Diante disso, é impressionante constatar como Paulo sonda as profundezas obscuras do ser humano para depois mostrar as alturas de Deus e do que Ele está fazendo em nós.   

                Primeiro somos apresentados à condição humana. Este é um diagnostico de uma humanidade caída, independente de sua localidade. Paulo observa que andávamos mortos em nossos delitos e pecados, alheios a vida de Deus, a vida verdadeira. Uma vida sem Deus, por mais saudável que seja exteriormente, é uma vida podre, uma morte em vida. Pois fomos criados para Deus (e não o contrario). Estávamos escravizados. Pelo que? Podemos resumir por três coisas: o mundo, a carne e o diabo.

                “Século” e “mundo” refere-se a um sistema de valores sociais que está alienado de Deus, é aquilo que desumaniza e escraviza. “As pessoas tendem a não ter uma mente própria, mas entregam-se à cultura popular da televisão e das revistas sedutoras. É uma escravidão cultural” diz John Stott. O diabo, por sua vez, é apresentado aqui como príncipe da potestade do ar (onde ar aqui pode ser traduzido por atmosfera nebulosa, ou trevas). É fácil seguir a vida e ignorar a existência do diabo, porém não é isso a bíblia incentiva. Entendemos aqui que este inimigo atua sobre os filhos da desobediência. A ultima influencia é a carne, ou as inclinações da carne, que não se referem a meteria orgânica, mas sim a natureza humana caída e egocêntrica. Observe que os pecados da carne incluem desejos errados, pensamentos (Filipenses 3.3-6). Em todas estas coisas (mundo, carne, diabo), fomos libertos em Cristo Jesus.  

                Éramos, pois, filhos da desobediência. Estávamos condenados, rebeldes a Deus de modo consciente e voluntario. Em níveis diferentes, todos foram afetados pela queda. Então entra a conjunção adversativa “Mas Deus...” e Paulo explica o que Deu fez e o porquê. Deus nos salvou por sua graça (destacado duas vezes neste trecho) e assim como fez com Cristo nos deu vida, nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais. Vencemos o mal em Cristo! E Deus não age desta forma por encontrar algo especial em nós, mas sim nele mesmo, seu próprio favor. É por sua misericórdia, por sua graça, mediante a fé (que não vem de nós – até mesmo isso é dom de Deus), pois somos feitura (obra de arte) Dele, criados para as obras que de antemão nos predestinou. 

Em termos mais claros, essa salvação não nos deixa inertes e passivos. A graça não nos permite manter-nos atolados em pecado como se nada mudasse. Devemos andar, termo que significa forma de proceder, nas boas obras. Há um contrate entre dois estilos de vida (o bom e o mau) e dois tipos de senhores (o diabo e Deus). Não há espaço para ilusões sobre a raça humana, Cristo é nossa única esperança, nele somos criados do feio e do mal em uma obra de salvação e glorificação do Pai Celestial.  

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John  Stott, A Mensagem de Efésios – A nova Sociedade de Deus, ABU editora

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