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domingo, 18 de janeiro de 2015

Dia 7 - Unidade da diversidade




Efésios 4.1-16
 Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos. E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas. E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.

                O corpo humano sempre pareceu uma boa analogia para o que deve ser a Igreja. Formado por partes distintas, com funções diferentes e características próprias, é de se impressionar como tudo se encaixa e cada coisa trabalha para a sobrevivência do organismo. Talvez por andar com o querido medico Lucas, Paulo tenha escolhido esta analogia não sem reflexão. Depois de orar e oferecer um rápido tratado teológico, o apostolo passa então as aplicações praticas do que estava ensinando. E começa por um item que a Igrejas mais esquecem: união.  John Stott divide este trecho em quatro partes, e que podem ser resumidas em quatro palavras, relativas à unidade pretendida nesta nova sociedade:

1.    Depende da caridade do nosso caráter e a nossa conduta (v. 2)
2.    Surge da unidade do nosso Deus (vs. 7-6)
3.    É enriquecida pela diversidade dos nossos dons (vs. 7-12)
4.    Exige a maturidade do nosso crescimento (vs. 13-16)

Paulo chama atenção a nossa conduta. Ora para que sejamos alicerçados e fundamentados em amor para que possamos andar de modo digno, com humildade, mansidão, longanimidade e suportando uns aos outros. Calvino aponta que a humildade não está em primeiro por acaso: “Aquele que se desfaz da arrogância e cessa de agradar a si próprio se tornará manso e acessível. E todo aquele que persiste em tal moderação ignorará e tolerará muitas coisas na conduta de nossos irmãos (...). Será inútil prescrever a paciência, a menos que domestiquemos a mente humana e corrijamos sua disposição; será inútil ensinar a mansidão, a menos que tenhamos iniciado com a humildade”.  

Estas características a serem cultivadas não são sem proposito, mas visam a preservar a paz. De forma diligente, com esforço, lutamos para manter a unidade do corpo, pois somos um só em Cristo. Assim como há um só Deus, um só batismo, uma só fé. Paulo reforça varias vezes que para Deus não há divisão e nós, no mundo físico, devemos buscar unidade cristã. Pode parecer contraditório: um só corpo quando na pratica há divisões e contendas visíveis dentro e fora das denominações. Mas é como se fosse uma família (Pai, Mãe e filhos), todos podem brigar e se separar, mais ainda é uma família – o que não nos autoriza a deixar as coisas como estão, mas sim buscar a unidade conforme a oração de Cristo “Pai santo, guarda-nos em teu nome, o qual me deste para que eles sejam um, assim como nós” (João 17.11). 

Interessante perceber que logo depois de falar em unidade, Paulo fala das diferenças. Deus distribui dons aos homens, como em 2 Coríntios 12, com o objetivo de servir ao corpo. Há uma diversidade de dons, Paulo aqui destaca o apostolado, o pastorado, etc. – não entraremos aqui em discussões sobre apostolado e profecia moderna – mas essa diversidade é para promover a união do corpo e suprir em suas necessidades. Conforme já salientado na introdução, um corpo não é somente um tipo de tecido, um único sistema, um único tipo de célula, mas é diversificado, para sobrevivência saudável. Da mesma forma, trabalhamos juntos, conforme os dons concedidos, para que sob o comando do cabeça, que é Cristo, rendamos glórias ao nosso Deus e conduzir a igreja a maturidade. 

É nos clamado que deixemos as pratica infantis, que não sejamos meninos levados de um lado para o outro, a qualquer moda teológica, qualquer novidade gospel, sem reflexão e sem conhecimento na Palavra – jogados, arrastados pelas ondas e empurrados por qualquer vento.  Muitos deixam de ouvir o mestre e prestam grande atenção aos lobos devoradores. Perceba, porém que a verdade é sempre temperada em amor. Há muitos que pretendem alertar para a verdade, porém mais ofendem do que defendem o evangelho. Como já disse um escritor, lembre que Paulo estava perseguindo os primeiros cristãos por achar que estava defendendo a verdade.  

Verdade sem amor se torna ríspida, amor sem verdade se torna frouxo. Os dois devem caminhar juntos e em equilíbrio, para que o corpo cresça maduro, cheio da plenitude de Cristo e sem contenda nem divisões.   

***
 
John Stott A Mensagem de Efésios – A nova Sociedade de Deus, ABU editora
João Calvino; Comentário de Gálatas, Efésios, Filipenses e Colossenses (Série Comentários Bíblicos João Calvino), Editora fiel. 

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