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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Dia 12 - Fortalecendo-se para batalha





Efésios 6.10-20
Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.   Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;  com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo.

                Em um mundo que solicita ao Papa abolição do inferno, coisas espirituais somente soam bonitas quando caminham junto com o discurso moderno e politicamente correto. Inferno? Ideia ultrapassada! Espíritos malignos? Coisas de gente supersticiosa! Não cabem mais em um mundo científico e tecnológico. E a própria igreja entra na dança secular, quando não vai a um extremo oposto de medo e ineficácia diante das trevas. Chega a ser curioso o quando Keith Green, cristão dos anos 70, chega a ser atual em sua canção No One Believes In Me Anymore, que parte do ponto de vista do diabo: “Eu costumava ter que esgueirar-se ao redor | Mas agora eles só abrem suas portas | Você sabe, ninguém mais observa meus truques | Porque ninguém acredita em mim”. E como lutar com algo que não mais se acredita?

                Após analisar nossas relações com outras pessoas, Paulo passa a falar de nossa relação com o mundo espiritual e começa a nos convocar para a batalha não contra carne ou sangue, seres físicos, mas sim “sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”. O inimigo está claro, nossa posição precisa ser assumida. Não é uma batalha que possamos ficar aguardando e que nos está alheia, mas que acontece todo dia e da qual fazemos parte. Chamando atenção a nossas fraquezas, o apóstolo diz que devemos nos fortalecer no Senhor e na força do seu poder, afinal, não estamos sozinho nesta batalha:

Noutras palavras, o verdadeiro ponto em questão não é tanto a minha luta contra o diabo, como é a luta de Deus contra o diabo. É desse modo que se deve ver o assunto. Ver a questão dessa maneira imediatamente nos dá grande força.
                Vejam a analogia óbvia. O soldado em particular, nas fileiras ou nas trincheiras durante uma grande batalha de uma grande guerra, não está travando um combate particular, não está ali porque tem uma briga pessoal. Ele é apenas uma unidade nunca grande campanha. Não é ele que decide sobre a estratégia, nem mesmo sobre a tática. Tudo isso está noutras mãos. Ele está na guerra, foi convocado, foi colocado nessa situação; entretanto a guerra não é dele. É uma guerra do rei ou da rainha ou da pátria, e há um general comandando e dirigindo as atividades do exercito e conduzindo a luta.  (D. M Lloyd Jones)

                Sabendo contra quem lutamos, por quem lutamos e que não estamos sozinhos, devemos caminhar em buscar a força e o poder do senhor, palavras já destacadas outras vezes em Efésios. Somos chamados a nos revestir da verdade, justiça, paz a palavra de Deus – a tomar sua armadura, pois sabemos que o inimigo é poderoso, maligno e astuto. Não vamos com nossas próprias forças e sabedoria, mas usamos o equipamento e força de Deus. Devemos nos cingir com a verdade. Usualmente feito de couro, o cinto do soldado romano era essencial: prendia a túnica, segurava a espada e dava sensação de força e confiança. E não cingimos outra coisa se não a verdade, seja de uma vida sincera junto a Cristo, seja da Palavra revelada – somente a verdade nos protege das mentiras do maligno. 

                O segundo item é a couraça da justiça, não só nossos atos de justiça ao resistir as tentações, mas principalmente da justifica de Deus. “Certamente nenhuma proteção espiritual é maior do que um relacionamento justo com Deus”, diz John Stott, pois em Cristo somos justificados. E é essa couraça que protege tanto de frente como as constas das investidas e calunias do maligno. As sandálias dos legionários romanos, por sua vez, eram usadas para marchas longas e para tomar posição firmemente, evitando que o pé deslizasse. Da mesma forma, nos calçamos com a “preparação do evangelho da paz”, onde preparação significa prontidão, preparo, firmeza – podendo significar tanto a firmeza para aqueles que a usam como o entusiasmo para a pregação das boas novas, pois “formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz” (Isaías 52.7)

                Devemos tomar também o escudo da fé para nos proteger dos “dardos inflamados do maligno”. Os escudos romanos poderiam ser preparados para proteger todo o corpo (como num batalhão de choque) e eram projetados para apagar as flechas incendiarias. Em nossa vida cristã, quantas vezes não somos açoitados com falsas culpas, pensamentos acusatórios,  maliciosos e pensamentos de duvidas e desobediência? O escudo dá fé deve ser tomado, pois o próprio Deus é escudo e proteção dos que nEle confiam (Provérbios 30.5). Não a toa o complemento é o capacete da Salvação – “a proteção para nossa cabeça é a medida de salvação que já recebemos (o perdão, a libertação da escravidão a Satanás, e a adoção na família de Deus) ou a expectativa confiante da plena salvação no último dia (inclusive a glória da ressurreição e a semelhança a Cristo no céu), não há duvida de que o poder salvidico de Deus é nossa única defesa contra o inimigo das nossas almas” (Jonh Stott).     

                Por fim nos é apresentado nossa arma de ataque, a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. A  Palavra é descrita como espada cortante e penetrante que desfaz as defesas, fere consciências e desperta espiritualmente os homens. E esta arma está em nossas mãos para ser usada para resistir ao diabo, assim como Cristo fez no deserto, e para evangelização (Mateus 10.17-20 e Hebreus 4.12). 

                Toda a armadura é apresentada e percebemos que a oração deve permear toda a guerra espiritual, pois assim expressamos nossa dependência divina e somos guiados pelo Espírito. Paulo diz que devemos orar todo tempo, ou seja, constantemente, com toda oração e suplica, com toda a perseverança e fazendo suplica por todos os santos – retornando novamente a nova união gerada em Cristo. Não podemos deixar de orar e vigiar. Paulo pedia que orassem por Ele também para que fosse instrumento de Deus e sem empecilhos fosse propagada a palavra. Até Cristo voltar, não podemos esmorecer e pensar que não há mais batalhas a serem travadas, como se não houvesse mais nada a fazer. Em Cristo somos fortalecidos e vencemos o maligno (1 João 2.14). 

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D.M. Lloyd Jones; O soldado cristão – Exposição sobre Efésios 6.10-20, Publicações evangélicas selecionadas.
John Stott. A Mensagem de Efésios – A nova Sociedade de Deus, ABU editora.
  

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