Efésios 2.10-22
Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós,
gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam
circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo,
separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não
tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que
antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a
nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que
estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na
forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem,
fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da
cruz, destruindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz a vós outros
que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos
temos acesso ao Pai em um Espírito. Assim, já não sois estrangeiros e
peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados
sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a
pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário
dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para
habitação de Deus no Espírito. (ARA)
***
Michaelis
Moderno Dicionário da Língua Portuguesa
alienação
a.li.e.na.ção
sf (lat alienatione) 1 Ação ou efeito de alienar; alheação. 2 Cessão de bens. 3 Desarranjo das faculdades mentais. 4 Arrebatamento, enlevo, transporte. 5 Indiferentismo moral, político, social ou mesmo apenas intelectual. Antôn (acepção 5): engajamento, participação. A. mental: loucura.
a.li.e.na.ção
sf (lat alienatione) 1 Ação ou efeito de alienar; alheação. 2 Cessão de bens. 3 Desarranjo das faculdades mentais. 4 Arrebatamento, enlevo, transporte. 5 Indiferentismo moral, político, social ou mesmo apenas intelectual. Antôn (acepção 5): engajamento, participação. A. mental: loucura.
reconciliação
re.con.ci.li.a.ção
sf (lat reconciliatione) 1 Ato ou efeito de reconciliar ou reconciliar-se. 2 Restabelecimento de relações, entre duas ou mais pessoas que andavam desavindas. 3 Dir Restabelecimento, pelos cônjuges, no juízo competente, da sociedade matrimonial dissolvida, por desquite. 4 Rel Confissão breve de pecados esquecidos na confissão anterior ou de culpas leves. 5 Ato solene pelo qual um convertido é recebido no seio da Igreja. 6 Nova consagração de uma igreja que fora profanada e interditada. Antôn (acepção 2): desavença, desunião.
re.con.ci.li.a.ção
sf (lat reconciliatione) 1 Ato ou efeito de reconciliar ou reconciliar-se. 2 Restabelecimento de relações, entre duas ou mais pessoas que andavam desavindas. 3 Dir Restabelecimento, pelos cônjuges, no juízo competente, da sociedade matrimonial dissolvida, por desquite. 4 Rel Confissão breve de pecados esquecidos na confissão anterior ou de culpas leves. 5 Ato solene pelo qual um convertido é recebido no seio da Igreja. 6 Nova consagração de uma igreja que fora profanada e interditada. Antôn (acepção 2): desavença, desunião.
Uma
das experiências mais marcantes que fui abençoado de participar foi estar em
igrejas diferentes em pontos extremos do mundo. Cada uma com seu estilo e
personalidade. Conheci igrejas historias clássicas, pautadas por uma teologia
firme (e prazerosa) em estilo tradicional de louvores. Conheci igrejas no Oriente
Médio, onde não conhecia nada da língua, mas entendia o animo dos louvores e as
palavras de luta contra o medo. Conheci igrejas em Cuba, marcante por sua
alegria, danças e amor pela propagação do evangelho. Percebi então que,
independente do estilo da igreja, somos um. Há algo maior que nos une. Posso
chegar e me sentir em casa, pois não importa o lugar, ali estão meus irmãos e
irmãs. Ali é a casa de meu Pai.
Na
carta aos Efésios, Paulo destaca nossa condição anterior a Cristo. Diferente
dos judeus que tinham a aliança antiga e eterna, nós éramos peregrinos.
Estávamos alienados de Deus e dos homens ao nosso redor. Os próprios judeus não
reconheciam possível participação dos incircuncisos em suas praticas. O templo,
por exemplo, possuía uma grande barreira de separação. Se um filho, ou filha,
casasse com alguém que não fosse de Israel, era realizada uma cerimonia
simbolizando sua morte. O próprio termo incircunciso era bem pejorativo. E esta
alienação não era só da parte de Israel, nós também nunca nos entendemos
historicamente. Paulo então relembra todo este afastamento e nos mostra
exatamente o que Cristo fez na Cruz. Como bem explica John Stott:
Há algumas
coisas que as Escrituras nos mandam esquecer (tais como as injúrias de outras
pessoas contra nós). Há, porém, uma coisa em particular que somos ordenados a
lembrar e não esquecer nunca. É o que éramos antes do amor de Deus se estender
para baixo e nos alcançar. Pois somente se nos lembrarmos da nossa antiga
alienação (por mais desagradável que ela seja para nós), poderemos nos lembrar,
da grandeza da graça que nos perdoou e que está nos transformando.
Estávamos
separados da comunidade de Israel, estranhos às alianças da promessa, sem
esperança e sem Deus (criando qualquer ser para adoração com a pouca revelação
que possuíamos). Mas Cristo fez a reconciliação. Trouxe a paz, fez-nos um em si,
criando assim um novo homem, uma nova raça, uma nova sociedade. Trouxe paz aos
que estavam longe (nós, os gentios) e aos que estavam pertos (os de Israel). Já
não somos peregrinos, do contrario, Paulo aponta nosso novo status como
concidadão dos santos, família de Deus e edificação do Templo dedicado ao
Senhor.
A
figura do templo aqui é bem emblemática. Como colocado acima, o templo em
Israel fazia separação dos gentios e dos israelitas. Enquanto em Éfeso era
conhecido o templo a deusa Diana. Porém ambos estavam vazios. Deus não se
encontrava lá. Há um novo templo sendo construído, templo onde Cristo é a pedra
angular – pedra enorme que dentre suas funções estava de ligar duas paredes e
auxiliar no crescimento alinhado, fornecendo firme sustento. Cristo veio
trazendo a paz e reconciliação não só entre judeus e gentios, mas entre todos
os povos.
Diante
disso, parece ofensivo que a igreja crie barreiras ao invés de desfazê-las,
como fez Cristo. Irmãos que se consideram mais santos que outros, cujas
denominações são motivos de discórdia e contenda. Barreiras por diferenças políticas, por racismo, por sistemas econômicos ou de castas. Orgulho, preconceitos
e ciúmes muitas vezes estão estampados ao mundo. Devemos refletir sobre os
caminhos que seguimos como Igreja, pois às vezes esquecemos que o mundo vê
Cristo e nós e não estamos aqui buscando a gloria de outro que não de Deus. Que
possamos proclamar a paz e cumprir o chamado da reconciliação, derrubando as
barreiras que sequer deveriam existir.
***
John Stott, A Mensagem de Efésios – A nova
Sociedade de Deus, ABU editora

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