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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Dia 9 (23.1.2017) – Colossenses 2.20-3.4

Photo by Elena Shumilova

“Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquilo outro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade. Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.”
(Colossenses 2.20-3.4 - ARA)



Penso que muitas surpresas chocarão o mundo com o retorno de Cristo e o estabelecimento eterno de seu Reino. O próprio Jesus prenunciou isso ao dizer que muitos em Seu nome profetizariam, curariam e expulsariam demônios, mas seriam completos desconhecidos Dele. Outros, porém, em gestos simples como oferecer água ao sedento, alimentar o faminto, vestir o necessitado ou visitar um prisioneiro, descobrirão que estavam auxiliando o próprio Cristo. Surpresas nos esperam com toda certeza. Aqueles que não vemos nos palcos ou púlpitos; aqueles que secretamente se dedicaram em oração e auxílio ao próximo; e até mesmo aqueles que viveram uma vida aparentemente comum, sem grandes acontecimentos – estudaram, trabalharam, etc. – no fim, surpreenderão o mundo que olhará perplexo e descobrirá que debaixo daquele ser humano aparentemente comum, habitava o Criador e Senhor de todas as coisas. Ali, naquele momento, se revelará sua verdadeira e eterna natureza.
Nem sempre sentimos isso, mas crer é parte essencial de ser cristão. Estamos unidos com e em Cristo. Já morremos para o mundo e seu sistema. Um morto não tem vontade própria, não se submete mais aos atos mundanos e requerimentos religiosos. Um morto não está mais debaixo de tradições humanas do “não mexa, não toque, não prove!”. Um morto foi completamente cortado da sujeição aos elementos e poderes espirituais que anteriormente controlavam sua vida. Se morremos no batismo, isso é coisa passageira, que se deteriora com o passar do tempo.

A questão aqui é que, como humanos, sentimos desejo de um caminho claro, delineado, uma fórmula de como obter e valorar nossa salvação e desenvolvimento. Para os cristãos de Colossos e para igreja atual, parece muito mais prático um sistema de regras bem definidas. Entramos então em outra tendência combatida por Paulo: ascetismo, ou seja: a abstinência de prazeres e alimentos dentro da fé bíblica, de forma a promover autoflagelação. O objetivo é alcançar um nível superior de espiritualidade, de vencer a carne, mas, como Paulo declara: “não têm valor algum contra a sensualidade”. Podem nos fazer parecer humildes, espirituais, nos dão a sensação de que avançamos moralmente, mas não servem de nada. Estavam trocando a autoindulgência mundana por autoindulgência religiosa, o que se caracteriza como mera ilusão.

A verdadeira solução é Jesus, o único Caminho. Somente Sua habitação em nossas vidas pode nos fazer santos e maduros.  Apesar da Almeida Revista e Atualizada usar “se fostes ressuscitados juntamente com Cristo”, com o “se” indicando possibilidade, a versão em grego fala de uma certeza, de algo que já aconteceu: “Já que fostes ressuscitados com Cristo” ou “sendo que fostes ressuscitados...”. O cristão morre com Cristo, o cristão ressuscita com Cristo.  Como cristãos, passamos a pertencer a um novo mundo, a nova criação de Deus, que aos poucos substitui a velha criação.

Por isso Paulo faz o contraste entre as coisas da terra e as coisas do céu. Devemos buscar as coisas de cima, pois as temporais irão passar (Mt 6.33). Devemos pensar nas coisas lá do alto, ou seja, a inclinação da nossa mente não deve ser obcecada pelos valores materiais, mas pelo que é eterno. Contemplamos nossa cidadania celestial, nossa herança prometida (Fp 3.19,20 e Hb 11.13). A união com o Cristo exaltado transforma nossa vida: mente, coração e vontade. O andar agora é no Espírito e os pensamentos estão naquilo que louva e glorifica a Deus (Fp 4.8,9 e Gl 5.16).

Quando a majestade de Cristo se manifestar publicamente, seremos também com Ele, pois Ele habita em nós. Creiamos e vivamos esta mensagem: nossa vida não nos pertence, mas está guardada, protegida e suprida em Deus. Não pertencemos mais ao mundo. Nosso ponto de referência, nosso guia, nosso caminho se encontra no Salvador. Um dia com Ele morremos. Um dia seremos glorificados com (e como) Ele.


Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.


Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma analise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
Tom WRIGHT. Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.
William HENDRIKSEN; 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

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