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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Dia 4 (18.1.2017) – Colossenses 1.21-23

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“E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro.” (Colossenses 1.21-23 - ARA)


Éramos 5 amigos em volta de um mapa, olhávamos tentado entender como sair de determinado ponto e chegar a outro a pé. Os pontos pareciam próximos, mas a caminhada já durava mais do que esperávamos. Assim, fomos ao mapa novamente. Primeiro precisávamos de um ponto de referência. Consultamos mais de um mapa, caminhamos mais um pouco e olhamos ao redor para nos localizar. Quando estávamos quase desistindo, um ponto se tornava viável e identificável no mapa (você está aqui!), e seguíamos caminho, nos alegrando em chegar ao destino pretendido.
Viajar tem dessas aventuras e, de fato, antes de qualquer passeio ao desconhecido costumamos olhar o mapa para verificar a região e os pontos de interesse. Na vida espiritual não é tão diferente. Ao analisar o poema nos versos anteriores podemos achar tudo muito belo, e ainda assim nos perguntar: onde isso se aplica em minha vida? Diante de todo o poder de Cristo e sua primazia, onde me encontro? Aonde devo ir? Paulo então faz uma aplicação, um posicionamento de onde os colossenses, e nós também, nos encontramos no trajeto determinado por Deus.
Antes éramos estranhos e inimigos no entendimento. Luz não habita com as trevas: onde uma entra, a outra sai. Aqueles que não conhecem a Deus verdadeiramente pensam que tudo que Ele deseja é muito difícil e não nos trará paz ou alegria. Assim permanecem em sua própria culpa distantes, afastados de Deus, e, de fato, odiando a Deus. Pode parecer duro aceitar isso, mas as práticas humanas não possuem o mínimo valor em termos de intimidade e amor para com Deus. Por isso Paulo diz que eram inimigos “pelas vossas obras malignas”. Mais à frente o apóstolo lista algumas destas obras más; no entanto, aqui ele faz uma pausa: “agora, porém” – talvez uma das palavras favoritas de Paulo.   
Éramos estrangeiros, não nos encaixávamos, não nos adaptávamos, éramos inimigos ferrenhos, não nos submetíamos, e odiávamos a Deus... Agora, porém, fomos transportados do reino das trevas para o Reino do Filho do Seu amor; fomos reconciliados mediante a morte de Cristo. Temos aqui um quadro familiar: o filho pródigo que se reconcilia com o Pai e deixa seu passado para trás. A própria palavra reconciliação resulta de duas palavras hebraicas que expressam remoção da inimizade, criando um ambiente agradável e acalmando atitudes hostis. Através do sacrifício na Cruz, obtemos a paz com Deus; a inimizade foi removida, a rebelião apaziguada.
O objetivo disso foi para que Jesus pudesse apresentar-nos (a) santos: separados, consagrados a Deus. (b) inculpáveis: sem culpa, sem mancha ou defeito (o que nos remete aos sacrifícios no Velho Testamento). E (c) irrepreensíveis: acima de qualquer censura, sem possibilidade de ser alvo de acusações afetivas.
Mas ao homem não cabe somente sentar e não fazer mais nada. Paulo diz que estas bênçãos estariam sobre eles se “permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho”. Como a casa firmada na rocha, nossa vida deve ser firmada na verdade, que é Cristo, e não podemos desistir ou olhar para trás. Devemos perseverar e não se deixar levar pelos enganos do mundo e heresias que sondam a Igreja, mas permanecer inabaláveis na verdade. Aquele que desiste nunca pertenceu a Deus.
O que se coloca aqui, no final das contas é: Quem é Jesus para você? Ele é o centro da sua vida, da sua esperança e salvação? Para muitos, nos dias atuais, Paulo seria chamado de xiita, fundamentalista, fanático, dentre outras coisas. Mas Paulo cria no Evangelho, era seu servo, ministro, e reconhecia que as Boas Novas não eram para uma classe determinada de pessoas, mas alcançava toda a terra sem distinção. Para o apóstolo, Cristo era o alvo, o caminho e a verdade. Qualquer alteração ou acréscimo ao verdadeiro Evangelho já não podia se considerar Evangelho. Há ainda aqueles que andam perdidos dentro das próprias igrejas; cegos guiando outros cegos, sem encontrar pontos de localização ou sinais viáveis do caminho que devem seguir. Paulo nos relembra aqui qual deve ser a verdade que fundamentará e guiará nossas vidas. Sem a referência de Cristo, estamos perdidos.
 
Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
Tom WRIGHT. Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.
William HENDRIKSEN. 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

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