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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Dia 2 (16.1.2017) – Colossenses 1.9-14

“Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria, dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz. Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.” (Colossenses 1.9-14 - ARA)


O termo Catecismo vem do latim e do grego, significa “instruir a viva voz”, ou seja, é o ensino oral dos princípios cristãos. No século XVII, teólogos ingleses e escoceses de tradição calvinista formularam questões que se tornaram o Catecismo de Westminster (Confissão de Fé de Westminster, Catecismo Maior de Westminster e Breve Catecismo de Westminster). A versão abreviada servia principalmente para o ensino das crianças, porém acabou sendo a mais conhecida modernamente entre todas as idades. Talvez a pergunta mais conhecida seja a primeira:


PERGUNTA 1. Qual é o fim principal do homem?
RESPOSTA: O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-Lo para sempre.
Referências: Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.25-26; Is 43.7; Rm 14.7-8; Ef 1.5-6; Is 60.21; 61.3.


O objetivo principal do homem é apreciar a presença de Deus e glorificá-Lo, agradá-Lo. Por isso Paulo se entrega em oração pela Igreja, tanto a que está em Colossos quanto a espalhada sobre os reinos até então conhecidos. Paulo ansiava que a Igreja crescesse na graça, em obediência e desfrutando do prazer de estar na presença de Deus. Aliás, é sempre interessante notar nas cartas paulinas o sentido duplo da necessidade de oração: assim como o apóstolo orava fervorosamente pela Igreja, pedia que a Igreja fizesse o mesmo por ele. Paulo entendia que a oração operava de uma forma misteriosa e gloriosa. Não era da boca pra fora que falava, era algo que fazia parte da sua vida e queria que os irmãos seguissem seu exemplo.

Sua oração pede por algo que todos nós necessitamos: pleno conhecimento da vontade de Deus. Sem conhecermos Sua vontade (através da oração e da Palavra de Deus), não poderemos crescer, pois a vontade de Deus está revelada em Sua palavra. Não se fala aqui de um simples conhecimento teórico ou de tradições humanas, pois era algo muito mais profundo do que isso – talvez fazendo alusão aos falsos mestres que diziam possuir o verdadeiro e libertador conhecimento. Eles deveriam transbordar (a ponto de não restar nada mais de si mesmo) em toda sabedoria e entendimento espiritual. Sabedoria nos fala da revelação divina, contrário as soluções intelectuais humanas. Por sua vez, entendimento espiritual nos remete a aplicação diária e prática da revelação que Deus nos deu em sua palavra e na vida de Cristo (1 Co 1.30).

Para que este conhecimento? Para vivermos de forma digna. Conforme nos lembra o dr. Russell Shedd, a palavra aqui nos remete a uma balança. De um lado temos as palavras e ações de Deus, do outro as nossas. O processo de santificação consiste em igualar os dois pratos da balança. Vivermos a vida do Senhor. Esse, por sua vez é um processo contínuo, e por isso as orações são tão importantes. Paulo lista as consequências desta forma de viver:


  • Agradando a Deus: ter prazer em ser satisfeito por Deus é ter prazer em pertencer a Deus. É amar a Deus e ter prazer em sua presença. Nas palavras de Israel Belo de Azevedo, “Quando olhamos para nós mesmos, desagradamos a nós mesmos e desagradamos a Deus. Quando olhamos para Deus, agradamos a Deus que se deleita em nós (Sl 35.27).”
  • Frutificando em toda boa obra: os frutos mostram ao mundo que somos seguidores de Cristo.
  • Crescendo no pleno conhecimento de Deus: este é um processo que se auto alimenta: quanto mais crescemos, mais nos alimentamos e mais crescemos novamente e produzimos frutos.
  • Sendo fortalecidos com todo o poder de Deus: em perseverança (ou seja, graça para suportar, recusa em ceder à covardia, bravura mesmo diante das dificuldades) e longanimidade (demonstrar paciência com aqueles que o perseguem, recusando ceder à violência e à raiva).
  • Dando graças ao Pai que nos fez idôneos: ao herdarmos tamanhas bênçãos, não podemos finalizar nossas orações com outra coisa senão gratidão.


Muitas pessoas caem em duas armadilhas ao pensarem sobre Deus. Pensam que Deus não quer que tenhamos bons momentos ou sejamos felizes, ou pensam que mesmo que tentem viver de forma a agradá-Lo, o máximo que obterão será uma leve aprovação. Mas Deus não é ranzinza e difícil de Se agradar. Ele olha para Seus filhos como olhava para Noé, com alegria. Ele se agrada dos que buscam viver em Sua presença. Por isso Ele renova nossas forças (Ef 6.10) e por isso nos libertou. Assim como tirou o povo de Israel do Egito, Ele nos transportou do reino das trevas para o Reino do Filho do Seu amor.

Paulo nos diz que temos um Redentor (do hebraico “goel”: um parente ou intermediário que tinha possibilidades e direitos para readquirir o que havia sido escravizado - Rute 2.20 e 4.1-12). Jesus pagou o preço com o próprio sangue a fim de nos redimir, a fim de perdoar os pecados.

Muitos ainda vivem uma fé atemorizada da condenação quando o quadro que deveriam olhar e refletir é o de Cristo e sua aprovação pelo Pai. No batismo de Jesus, Deus surge com alta voz dizendo: “Este é meu Filho amado, em quem muito me agrado” (Mt 3.17). Se Cristo habita e nós, estamos agora no “Reino do Filho do Seu amor”. Podemos ouvir sua voz dizendo “Este é meu Filho amado, em quem muito me agrado”. Isso faz toda a diferença na vida do ser humano. Nada se compara com a verdade do amor de Deus, e Paulo queria que aquela jovem igreja recordasse que viver diante de Deus é viver uma vida repleta de ação de graças.


Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Israel Belo de AZEVEDO; Pastoreados por Paulo, Volume 2 – As mensagens de Filipenses a Filemom comentadas tema por tema.  Editora Hagnos, 2014.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
Tom WRIGHT; Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.
William HENDRIKSEN; 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

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