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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Dia 6 (20.1.2017) – Colossenses 2.1-7



“Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face; para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos. Assim digo para que ninguém vos engane com raciocínios falazes. Pois, embora ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito, estou convosco, alegrando-me e verificando a vossa boa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo. Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças.” (ARA)


Já imaginou como seria encontrar um grande tesouro em seu próprio jardim? Um casal californiano experimentou isso em 2014 ao achar inesperadamente várias caixas com moedas de ouro do século XIX estimadas em 10 milhões de dólares. Seguindo o foco em Cristo como o segredo revelado pelo Pai, o apóstolo Paulo agora O apresenta como o maior tesouro que podemos encontrar, cheio de conhecimento e sabedoria, e digno de nossa adoração e ação de graças.
Paulo não estava presente naquela pequena comunidade, estava preso, mas seus pensamentos e orações fluíam em direção àquela igreja. Uma vida de ensino não pode caminhar longe da vida de oração. Jesus estava em diálogo constante com Deus e ensinou isso aos discípulos, que se dedicaram a oração e ao ensino (At 22:42). Com o apóstolo Paulo não poderia ser diferente. Aqui ele fala de uma “grande luta”, termo que no grego expressa esforço com grande intensidade e ímpeto, a ponto de agonizar. Esta era a batalha que enfrentava pela Igreja, para (a) que seus corações fossem animados e unidos em amor, (b) que tivessem toda a riqueza e forte convicção do entendimento e (c) que compreendessem plenamente o mistério de Cristo.
Cristo é sempre o foco do cristão. Coloque-O no centro de sua vida e as coisas deixarão de girar desordenadamente e sem sentido. Ele é verdadeiramente o tesouro que muitos procuram sem se dar conta, mas que nós já possuímos, pois já O encontramos (Mateus 6:19-21;13:44-46). Temos O valorizado corretamente? Em Cristo está toda a sabedoria e conhecimento. Sabedoria é a habilidade de aplicar o conhecimento para o melhor proveito possível em situações concretas, é o caminho para atingir de modo eficaz os mais altos objetivos, é algo que vem de Deus, sendo loucura para o mundo.
Quando Paulo fala desta riqueza enterrada, não é para permanecer assim. É como se dissesse “Venham encontrar! Em Cristo todos os tesouros estão guardados. Descubram e enriqueçam por intermédio deles!”. Quando nossos parâmetros estão baseados em Cristo e sua Palavra, todo engano e heresia caem por terra. O crente maduro não é levado por ventos de doutrina e raciocínios com aparência de verdade, mas cheios de engano. Isso nos capacita a permanecer firmes contra os enganos do inimigo. Não à toa que Paulo usa aqui duas terminologias militares: “boa ordem” (gr. taxin, “fileiras ordeiras de um exército”) e firmeza (stereoma, “linha de frente de um exército”, “falange pronta para receber o impacto do inimigo sem recuar”). Em outras palavras, Paulo se alegrava por ver que havia irmãos firmes no Senhor, guardando sua fé em Cristo para que nenhum bandido o venha despojar.
Assim como começamos na fé em Cristo, não podemos desistir, mas continuar no caminho. Por isso a primeira exortação da carta, no imperativo, é para andarmos em Cristo, radicados, edificados e confirmados Nele. Jesus é o caminho, e o discípulo é continuamente convidado a se assenhorar de todos os Seus atos, planos, pensamentos e ambições (Jo 14.6, At 22.4 e Rm 12.2). Radicados vem de raiz aprofundada no solo, firmes, uma experiência que começou e não findará. Edificados sugere uma construção bem firmada e nos remete ao coletivo, ao templo construído para habitação divina (Ef 2.22).  Por fim, confirmados nos fala de um processo pelo qual garante uma verdade que não mudará, ou seja, tudo deve confirmar a convicção do crente na fé.
Sem caminho, sem raiz, sem edificação e firmeza estaríamos perdidos, secos e mortos, tombados pelas tempestades da vida e levados por todo vento ou ondas doutrinárias. O cristianismo não nos deixa escolha senão permanecer firmes ou encontrar-se à deriva. As sábias palavras de John Stott nos levam a reflexão:
"Geralmente evitamos o discipulado radical sendo seletivos: escolhemos as áreas nas quais o compromisso nos convém e ficamos distantes daquelas nas quais nosso envolvimento nos custará muito. Porém, por Jesus ser Senhor, não temos o direito de escolher as áreas nas quais nos submetemos à sua autoridade."
Se quisermos crescer em maturidade e fé, não há outro caminho senão Cristo. Paulo desafia a viver a verdade que a Igreja já havia recebido e enfoca que tudo isso culminará em ações de graças transbordantes. Não poderia haver outra reação diante dos tesouros encontrados.  


Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
John STOTT. O discípulo radical. Editora Ultimato, 2012.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
William HENDRIKSEN. 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

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