“Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; para que eu o manifeste, como devo fazer. Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um. Quanto à minha situação, Tíquico, irmão amado, e fiel ministro, e conservo no Senhor, de tudo vos informará. Eu vo-lo envio com o expresso propósito de vos dar conhecimento da nossa situação e de alentar o vosso coração. Em sua companhia, vos envio Onésimo, o fiel e amado irmão, que é do vosso meio. Eles vos farão saber tudo o que por aqui ocorre.” (Colossenses 4.2-9 - ARA)
Preso por amor ao evangelho. Amado por uns, odiado por outros. Apóstolo dos gentios, cheio de grande conhecimento e sabedoria. Perseguido, pioneiro, missionário, herói da fé. Homem de grandes experiências espirituais. Quem analisa a vida de Paulo facilmente pensa: “eu não seria capaz disso!” Mas este homem de fé que se derramava em oração pelas igrejas e pela obra de Cristo também precisava de orações. Não importa quantos anos a liderança tenha no evangelho ou quanto respeito tenha adquirido no serviço cristão, eles ainda precisam de orações dos irmãos na fé.
Paulo já havia falado da importância de que a Palavra habitasse nos cristãos colossenses, mas isso seria incompleto sem a oração, por isso exorta que perseverem na oração, ou seja, continuem, apeguem-se bem de perto, mantenham-se constantemente em oração. Em meio a orações, ações de graças. Pela quinta vez o apóstolo nos chama atenção para a necessidade de sermos sempre gratos (vrs. 1.12;2.7;3.15,17;4.2), lembrando de que trata-se de alguém que estava preso. Chama por fim atenção especial para seu ministério, e a única coisa que pede acerca disso é oração. Oração para que portas sejam abertas e o Evangelho anunciado. Oração para que quem escute a mensagem sinta a realidade do Cristo vivo, manifesto. Paulo sabia que somente pelo poder do Espírito suas palavras ganhariam vida e gerariam salvação. Como bem expressa Augustus Nicodemus:
“Feliz é o líder que tem uma igreja que ora por ele, que põe constantemente diante de Deus em oração. Temos de nos perguntar sempre se nossos líderes estão em nossa lista de oração ou se, quando oramos, apenas pedimos o que nos interessa. Será que nos lembramos de orar pelas pessoas que Deus usou para abençoar nossa vida? É o mínimo que se pode fazer por quem nos abençoa. É nosso dever orar e interceder pela liderança.”
Além da oração, Paulo enfatiza a necessidade dos cristãos de serem bons exemplos para os de fora, os não cristãos. “Portai-vos com sabedoria” e “aproveitai as oportunidades” nos remete a criação de pontes, pois o relacionamento é a melhor forma de evangelismo. Através dos pontos de contato, o cristão deve portar-se com sabedoria e aproveitar as oportunidades que surgirem para levar o evangelho. Muitos cristãos ainda vivem em legalismo e brutalidade, sem conseguir um amigo não cristão e afastando aqueles que se aproximam. Acabam prestando um desserviço ao Reino. Os colossenses são admoestados a se disporem à toda oportunidade de ser uma benção aos outros. Isso deve vir acompanhado com uma conversa temperada com sal, ou seja: assim como o sal desperta o apetite, a conversação deve ser atrativa, deve ser sadia e deve despertar o interesse pela mensagem de amor do Salvador. Assim se torna mais fácil ganhar as pessoas para Cristo.
Paulo não considerava estas atividades coisas de crentes veteranos; orar pela liderança, fazer pontos de contato com descrentes, e aproveitar as oportunidades para proclamar o evangelho é um chamado para todos. Mesmo sem ter visto a face daquelas pessoas, Paulo se interessava por elas e sabia também de suas preocupações. Por isso enviava Tíquico – a quem se refere como irmão amado, fiel ministro (que exercia o serviço com fidelidade), e conservo (o reconhecendo como colega de jugo no serviço de Deus); e Onésimo, o escravo fugitivo que agora era irmão em Cristo, descrito como fiel e amado. Os dois seriam responsáveis por dar mais detalhe sobre sua situação e confortar seus corações.
Não é surpreendente o fato de Paulo se preocupar em confortar os irmãos mesmo em meio a sua prisão? Há uma preocupação genuína em criar e manter relacionamentos. Em seu cuidado pastoral, buscava o bem do corpo de Cristo, para que esse mistério divino pudesse ser conhecido e espalhado pelo mundo.
Referências
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
Tom WRIGHT; Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.
William HENDRIKSEN; 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

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