Páginas

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Dia 3 (17.1.2017) – Colossenses 1.15-20


“Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.” (Colossenses 1.15-20 - ARA)

As palavras entusiasmadas de Dostoievsky após sua conversão nos mostram o quão magnética a figura de Cristo pode ser: “Creio que não há nada mais belo, mais perfeito que Cristo (...) Diante disso, se alguém provasse que Cristo estava fora da verdade e que a verdade estava fora de Cristo, eu preferiria permanecer com Cristo a ficar com a verdade.” Por isso, ao invés de começar sua carta com refutações e apologética ao ensino que falsos mestres estavam propagando em Colossos, Paulo vai por outro caminho, apresentando de início exatamente a verdade: o próprio Deus revelado em Cristo Jesus, o Primogênito, o Cabeça da Igreja, Aquele que tem toda a autoridade e primazia, em que tudo começa e se sustém.

Há um debate entre estudiosos quanto a esta seção da carta paulina, sobre ser um poema, canção ou simplesmente um tratado oral, que pode ou não ser de autoria do apóstolo. Certo é que os versículos 15-20 apresentam uma unidade poética marcada pelo paralelismo entre a ação, presença e preeminência de Cristo na criação e na redenção:
Na criação (vs. 15-17)
Na redenção (vr. 18-20)
15. Que é a imagem do Deus invisível,
o primogênito de toda a criação.
18. Ele é o cabeça do corpo, a igreja;
Que é o princípio, o primogênito dos mortos,
Que em todas as coisas ele possa ter a preeminência,
16. Pois, por meio dele foram criadas todas as coisas
Nos céus e na terra,
As visíveis e invisíveis,
Sejam tronos ou domínios ou principados ou autoridades,
Todas as coisas foram criadas
Por meio dele e com vistas a ele;
19. Pois nele, ele [Deus] agradou-se em habitar toda a plenitude,
20. E por meio dele reconciliar consigo todas as coisas,
17. E ele é antes de tudo,
E todas as coisas se firmam nele.
20. Havendo feito a paz pelo sangue de sua cruz,
Por meio dele, sejam as coisas da terra
Ou as coisas nos céus.

Podemos destacar três aspectos neste poema. Primeiro, ao olharmos para Jesus descobrimos quem Deus é. Ninguém jamais viu a Deus, mas quando um dos discípulos pede “mostra-nos o Pai” Jesus aponta para si: “Faz tanto tempo que estou com vocês, Filipe, e você ainda não me conhece? Quem me vê vê também o Pai.” (João 14.9). Não é à toa que Paulo destaca isso, Jesus é a imagem exata do Pai. E esse conceito trata-se de mais do que um simples reflexo. A palavra grega traduzida por imagem (eikon) refere-se tanto a imagem refletida quando a réplica perfeita. Nas palavras de Russell Shedd: "Quem quer saber como Deus é, considere atentamente a figura de Cristo: Seu amor e Sua indignação, Sua misericórdia e Sua denúncia dos hipócritas, Sua humanidade e majestade, Sua atitude de servo e Seu senhorio." 
Segundo, Jesus tem a primazia sobre todas as coisas e as sustenta. Primogênito sobre toda a criação não quer dizer que ele foi o primeiro a ser criado. A Bíblia é clara em dizer que antes de tudo ele já existia, pois é Deus (João 1.1-3). O primogênito era aquele que tinha direito a tudo, que herdava todas as coisas e dominava sobre tudo, e é isso que Paulo quer dizer. Antes de qualquer coisa ser criada, Jesus já existia. Ele transcende a todas as coisas, Ele criou todas as coisas e todas as coisas subsistem Nele, dependem Dele. Por isso Ele tem todos os direitos sobre a criação e é o Cabeça da Igreja, ou seja, Seu comandante e sustentador – o que demonstra também Sua ligação com a Igreja.
Por fim, Jesus é o modelo de uma nova humanidade oferecida através do Evangelho. Andávamos alienados de Deus, dos outros homens e também do restante da criação. Cristo, através de Sua obra na cruz, conseguiu a paz e reconciliação de todas as coisas. Primeiro reconciliou o homem com Deus; segundo, reconciliou os homens; e enfim, a própria criação foi reconciliada Nele, pois longe de Deus não pode haver paz. Jesus a conquistou por seu sangue. Isso porque somente em Cristo habita toda a plenitude (pleroma) de Deus. Só Ele tem poder de reconciliar todas as coisas e restaurar nossa verdadeira humanidade.      
Há muito neste pequeno poema que poderia ser explorado. Vale a pena ler e carregar seus versos como a Palavra viva, pois nos enche de gratidão ao reconhecer o Deus que nós temos, que nos entusiasma, que é perfeito, verdadeiro e belo. Assim como a Igreja colossense, precisamos nos aprofundar mais no conhecer e amar a Cristo.  

Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Israel Belo de AZEVEDO; Pastoreados por Paulo, Volume 2 – As mensagens de Filipenses a Filemom comentadas tema por tema.  Editora Hagnos, 2014.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
Tom WRIGHT; Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.
William HENDRIKSEN; 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

Nenhum comentário:

Postar um comentário