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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Dia 11 (25.1.2017) – Colossenses 3.12-17


“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Colossenses 3.12-17 - ARA)


Um pastor de jovens alertou-me certa vez: como igreja temos o costume de apontar o que não fazer, o que deixar de fazer, o que é errado ou pecaminoso; porém, esquecemos de informar aos jovens o que eles podem e devem fazer, quais são as qualidades que devem possuir, qual o caminho a seguir. E ele está absolutamente certo, e não só com relação ao ministério de jovens. Às vezes esquecemos de apontar o que fazer, ao invés de enfatizar o que não fazer. Paulo sempre busca aplicações práticas para seus ouvintes, e não só coloca o princípio de Cristo e a ação de se despir do velho homem, mas também de se revestir do novo. Como nova criação e sob um novo olhar de Deus – santos, eleitos e amados, buscamos novas vestes no lugar dos trapos puídos do passado.  
A lista apresentada aqui pode ser comparada com a dos versos anteriores, e facilmente se constata que são completamente opostas entre si: ternos afetos de misericórdia, bondade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando uns aos outros, prontos a perdoar e aliançados em amor. “Ternos afetos” nos remete a sentimentos de simpatia – algo difícil em um mundo que caminha e valoriza a violência a ponto de nos alienar, de nos deixar indiferentes ao sofrimento alheio. A bondade ou generosidade descreve a maneira que o próprio Deus trata os homens. Sendo um dos componentes do fruto do Espírito (Gl 5.22), só podemos desenvolver dependendo, pela fé, da ação divina. Humildade nos remete ao próprio Cristo, cujo exemplo somos convocados a seguir (Fp 2.5-8). Mansidão e longanimidade caminham juntas. Aliás, perceba que há uma sobreposição destas qualidades: uma pessoa de coração compassivo também será bondosa, uma pessoa humilde também será longânima, etc.   
Usando novamente um princípio, “Assim como o Senhor vos perdoou”, o apóstolo nos fala da necessidade de perdão: “assim também perdoai vós”. Isso está tão enraizado na mensagem cristã que não pode ser discutido. Há uma necessidade tanto da prontidão para perdoar como da vigilância para não pecar contra o irmão. E o que mantém estas vestimentas unidas é o amor, amor ágape, amor que vem de Deus. O amor é aquilo que une os crentes e os faz prosseguir para a perfeição.      
A paz de Cristo, que excede todo entendimento, deve ser o árbitro em nossos corações, ou seja, assim como um árbitro em um jogo aponta os erros e acertos. Em outras palavras: quando precisamos tomar uma decisão devemos buscar a vontade de Deus, sentir sua paz. Conforme aponta Shedd: “Eis, pois, uma excelente regra a seguir na busca da vontade de Deus. Sinto no coração paz que Cristo dá? A decisão cria conflito ou promove a paz? Já que “fomos chamados e um só corpo”, que é a igreja, devemos achar que não importa aos outros o que fazemos individualmente (Rm 12.17,18; Hb 12.14)?” Mas você pode perguntar: Isso não é subjetivo demais? Por isso os versos 15 e 16 não devem ser lidos separados. Pela obediência, o evangelho da paz é transmitido ao coração. Somos exortados que a palavra de Cristo – o que Ele ensinou – encontre habitação em nosso coração e governe cada desejo, intenção, pensamento e ação de forma tão rica que possamos ensinar uns aos outros.  É muito propícia a colocação de Israel Belo de Azevedo neste ponto:
Uma igreja – o que se aplica à sua liderança, vale dizer seus pastores, e aos seus membros – deve ser muito cuidadosa para não cometer abusos, tendo todos sempre em mente que uma igreja, mais que um lugar de correção e/ou disciplina, é um lugar de distribuição da graça; mais que um lugar em que as pessoas estejam com o dedo em riste, uma igreja é uma comunidade de pessoas que apontam para o céu, de onde vêm direção, correção e conforto.    
Essas emoções restauradas devem vir acompanhadas de gratidão.  Uma pessoa cheia de gratidão e que aprecia os benefícios recebidos de Deus, não se encherá de cobiça pelas riquezas ou talentos de outra pessoa; sendo assim, a gratidão promove a paz. Somos chamados a entoar louvores ao nosso Deus com sinceridade de coração, através de salmos, de hinos que exaltem a Cristo (como Fp 2.6-11) ou de cânticos sob a orientação do Espírito Santo. Tudo em nossa vida deve ser motivado por Jesus Cristo e para sua Glória, numa atitude de gratidão contínua por Seu grande amor e paz sem fim.


Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Israel Belo de AZEVEDO; Pastoreados por Paulo, Volume 2 – As mensagens de Filipenses a Filemom comentadas tema por tema.  Editora Hagnos, 2014.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
Tom WRIGHT; Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.

William HENDRIKSEN; 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

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