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domingo, 22 de janeiro de 2017

Dia 8 (22.1.2017) – Colossenses 2.13-19


“E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz. Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo. Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem-vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” (Colossenses 2.13-19 - ARA)

Um pastor palestino visitou igrejas no Brasil. Depois de alguns conferências, iria pregar em uma igreja evangélica. Sentou-se no lugar determinado e prestou atenção. Pessoas tocavam shofar e festejavam a entrada de uma réplica da arca da aliança. Uma bandeira de Israel e símbolos da estrela de Davi se espalhavam pela congregação enquanto irmãos caracterizados como levitas do Antigo Testamento se apresentavam na Igreja. Sem saber como reagir a tudo aquilo, o pastor se levantou e saiu. O irmão que o havia convidado perguntou se havia algo errado, ao que o pastor respondeu: “Vocês estão vivendo no Velho Testamento? Para que tantas coisas da cultura judaica? Vocês não são cristãos? Onde está a cruz?”. Constrangido, o amigo brasileiro respondeu que muitas igrejas se apegaram à símbolos do judaísmo e que era importante aquele pastor ensinar a verdade naquela comunidade.
Não era muito diferente a situação de Colossos: muitas comunidades judaicas acabavam adentrando às igrejas e retirando o foco de Cristo para práticas da circuncisão, regulamentos da alimentação e pureza, festas específicas e guarda de sábados. Além disso, se misturava ao gnosticismo, com a adoração aos anjos, e ao misticismo, ancorando-se não à Palavra de Deus, mas em meros sonhos, visões e sentimentos. Os mesmos perigos se encontram na Igreja atual e precisamos olhar para o que Paulo tem a dizer sobre isso.
Continuando a falar sobre a obra realizada na Cruz, somos alertados a não nos colocarmos debaixo de outro jugo de escravidão. Antes, os colossenses estavam na incircuncisão da carne, ou seja, mortos moral e espiritualmente devido as transcrições contra a lei e seu estado natural pecaminoso, impotente e desesperador. Paulo chama a atenção da condição miserável que se encontravam, até que o mesmo Deus que levantou Cristo dos mortos, deu vida aos colossenses no mesmo ato. Três ações são destacadas aqui, Deus: nos concedeu perdão (v.13), apagou a dívida escrita (v. 14) e desarmou espíritos (v.15).
Os termos usados nos versos 14-15 são de especial importância. “... cancelado o escrito de dívida” nos fala de apagar, remover, queimar ou inutilizar uma acusação ou dívida escrita. É como se estivéssemos em um tribunal e a lista de acusações é lida, mas o Justo Juiz, satisfeito com a morte de Cristo, nos anuncia inocentes. A Lei apontava nossos pecados e o que deixamos de cumprir, mas nossa dívida foi cravada na cruz junto com Jesus. Deus não apenas cancelou a dívida como destruiu o documento em que ela estava registrada! “Agora já não existe nenhuma condenação para as pessoas que estão unidas com Cristo Jesus” (Romanos 8.1).  A partir daí Paulo trata da conquista dos poderes malignos dizendo que eles foram despojados (derrotados, neutralizados, despidos ou “lhes retirado todas as armas”), expostos ao desprezo (exibindo-os como poderes impotentes) e vencidos através da cruz – o termo “triunfando” faz referência a um cortejo triunfal de um general romano após uma conquista vitoriosa de um novo território, onde o comandante vai a frente, sendo recebido com flores, e os cativos vencidos seguem atrás, amarrados e sendo alvo de escárnio.
A conclusão que Paulo leva seus ouvintes/leitores é: se Cristo venceu todos os poderes e hostes malignas, poderiam os cristãos os adorarem e se submeter a eles? Porque adorar a anjos ou demônios se Cristo é seu Senhor e Conquistador? E ainda: se nossa acusação foi anulada, porque continuar seguindo tradições humanas?

Os ensinos, festas, regulamentos e guarda do sábado eram sombras do que viria. Há uma diferença grande entre a sombra e o objeto material. Augustus Nicodemus afirma que essa “sombra” nos remete a imagem de uma pessoa que tem atrás de si uma fonte de luz. Conforme a mesma se aproxima de nós, observamos que a sombra começar a diminuir gradativamente, até que finalmente essa pessoa se encontra ao nosso lado. Não é mais necessário a sombra quando se contempla face a face a materialização de Cristo.

Mas sempre existem pessoas que, guiadas pelo espírito humano, por sonhos ou visões, buscam impor sua própria experiência sobre as outras pessoas. A estes, influenciados por um misticismo cego, Paulo adverte: “Ninguém se faça árbitro contra vós outros” – o termo aqui significa “Ninguém vos prive do prêmio”, ou seja, ninguém pode os desqualificar ou condenar. Muitas destas pessoas podem aparentar humildade, mas ensinam heresias. Por outro lado, há aqueles que até tiveram experiências válidas, mas não podem impor o mesmo sobre outros irmãos - faz parte da ação de um Deus pessoal que atua de formas diferentes com pessoas diferentes.

Novamente a resposta é clara: tudo o que a igreja de Colossos precisava, e tudo o que nós precisamos é Jesus. Somente tendo Cristo como O Cabeça, podemos vivenciar o crescimento ordenado e bem articulado. Unido em Cristo, o corpo cresce à medida que é nutrido pelo próprio Deus. Toda a vida cristã deve andar em inteira dependência de Deus.  Os costumes e culturas, as práticas e visões podem passar, mas Sua verdade jamais falhará.      


Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Israel Belo de AZEVEDO; Pastoreados por Paulo, Volume 2 – As mensagens de Filipenses a Filemom comentadas tema por tema.  Editora Hagnos, 2014.
John STOTT; A cruz de Cristo. Editora Vida, 2006.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
Tom WRIGHT. Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.
William HENDRIKSEN; 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

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