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sábado, 21 de janeiro de 2017

Dia 7 (21.1.2017) – Colossenses 2.8-12


“Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade. Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.” (Colossenses 2.8-12 - ARA)


Quando pensamos em plenitude, pensamos naquilo que é cheio, completo, superabundante, inteiro. O ser humano nunca parece estar plenamente satisfeito e tudo se justifica em busca de felicidade, do anseio de se sentir completo, infinito. Podemos até experimentar essa sensação em alguns momentos da vida, comunhão com amigos e familiares, um grande amor, a auto realização em alguma atividade, mas tudo isso são sombras que logo passam. Como já disseram Agostinho e Dostoiévski : “Existe no homem um vazio do tamanho de Deus.”
Paulo alerta a Igreja de Colossos para não ser enredado por filosofias e ensinos que buscam se apresentar como os segredos para verdadeira e completa salvação ou plenitude. Qualquer coisa fora de Cristo deveria ser considerado como engano, uma armadilha que buscava apenas os escravizar e levar a mesma condição antes da conversão.  
Até esse ponto da carta dois perigos parecem se insinuar, uma forma de gnosticismo incipiente e o judaísmo. O gnosticismo se baseava na dualidade corpo x espírito, considerando o espírito elevado e o corpo material como perigoso, inferior e mau. Isso gerou, por sua vez, dois tipos de pessoas: as que negavam a plena materialidade do corpo, buscando viver em ascetismo (cheio de regras e práticas determinadas), e as que desconsideravam o corpo e se entregam aos prazeres, vivendo em libertinagem, acreditando que Deus não se preocuparia com os atos do corpo. O judaísmo legalista, por sua vez, baseava-se em tradições humanas (“a tradição dos homens”), dos quais Cristo sempre denunciava e já haviam sido problema na comunidade cristã, conforme verificado na carta aos Gálatas.  
Estes ensinos não passavam de filosofias vãs, sendo a filosofia aqui um “sistema elaborado de pensamento e/ou disciplina moral”. Podemos considerar tanto o gnosticismo quanto a tradição judaica como legalistas; ou seja: eram teorias da salvação de pecados que acrescentavam uma ou mais regras e/ou normas à completa obra de Cristo. Por isso, Paulo nos chama atenção ao fato de que de nossa salvação  encontra-se em Cristo e somente Nele.
Enquanto linhas gnósticas buscavam caminhos secretos de conhecimento para ascender até Deus através de espíritos, Paulo alerta que Jesus é o cabeça, ou seja, exerce domínio sobre toda criação, inclusive principados e potestades. Enquanto as tradições judaicas cobravam a circuncisão, Paulo nos diz que já fazemos parte da nova aliança pela morte e ressurreição de Cristo através do batismo. Com Cristo experimentamos a morte, o despojamento, a rendição de nossa natureza pecaminosa, e ressuscitamos em fé na nova vida. Perceba a diferenciação feita entre a tradição judaica e a obra de Cristo: a circuncisão era uma operação manual, uma pequena cirurgia, enquanto a ação de Cristo era uma operação espiritual, através do Espírito Santo; a circuncisão era ato externo e pertencia a antiga aliança abraâmica e mosaica, enquanto a nova obra é interna, no nosso coração e nos une com Cristo; na circuncisão é removido o excesso de pele, na nova obra há o despojar, lançar fora, da natureza carnal – para que o processo de santificação possa se iniciar.
É como se Paulo dissesse: deixem de ser enganados e levados por qualquer ensinamento que não seja segundo Cristo; só Ele pode suprir todas as necessidades; só Nele habita toda plenitude, pois Ele é o supremo e soberano Senhor de todas as coisas! No raciocínio de Paulo, se “Toda plenitude habita em Cristo” e “Cristo habita em nós”, então “Temos dentro de nós toda e plenitude”. E verdadeiramente confirmamos isso, pois todo o que recebe a Cristo, tem vida e vida plena em abundância (João 3:16).


Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Israel Belo de AZEVEDO; Pastoreados por Paulo, Volume 2 – As mensagens de Filipenses a Filemom comentadas tema por tema.  Editora Hagnos, 2014.
Russell P SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
William HENDRIKSEN; 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemom (Comentário do Novo Testamento). Editora Cultura Cristã, 2007.

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