Texto: “Portanto, meus irmãos, a quem amo e de quem tenho saudade,
vocês que são a minha alegria e a minha coroa, permaneçam assim firmes no
Senhor, ó amados! O que eu rogo a Evódia e também a Síntique é que vivam em
harmonia no Senhor. Sim, e peço a você, leal companheiro de jugo, que as ajude;
pois lutaram ao meu lado na causa do evangelho, com Clemente e meus demais
cooperadores. Os seus nomes estão no livro da vida. Alegrem-se sempre no
Senhor. Novamente direi: alegrem-se! Seja a amabilidade de vocês conhecida por
todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo,
pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E
a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as
suas mentes em Cristo Jesus. Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro,
tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que
for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de
louvor, pensem nessas coisas. Tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e
viram em mim, ponham-no em prática. E o Deus da paz estará com vocês.” Filipenses 4:1-9
O
pedido tão amoroso de Paulo também é um desejo para nós, permanecer firmes no
Senhor! Este não é um caminho fácil e manter a comunhão, amor e alegria podem
ser desafios no dia a dia. Com o tempo, pequenas rusgas podem surgir entre
irmãos, um mal entendido, uma palavra mal colocada, um olhar enviesado. Como
humanos, todos temos nossas rusgas e dias de mau humor, o que pode levar a desentendimentos.
A postura que devemos assumir é a de
resolver os desentendimentos o mais rápido possível e restaurar a paz – lembre que
o Senhor nos chama a fazer parte em seu ministério de reconciliação, caso
contrario, as disputados podem se propagar e as divisões não trazem nada de bom
para a Igreja. Diante disso, Paulo apela, usando sua influencia, para que suas
colaboradoras no evangelho façam as pazes. Não sabemos qual o motivo da discórdia
ou mesmo quem seria o leal companheiro de jugo do qual o apóstolo se refere,
mas é apelado para a reconciliação entre Evódia e Síntique.
Não
há tempo a se perder com disputas, e não há tempo a se perder com ansiedades e preocupações.
Quase uma ordenança, Paulo relembra que a igreja deveria se alegrar, regozijar
ou, melhor ainda, celebrar no Senhor. Quantas vezes as pessoas associam o
evangelho a seriedade e condenação do mundo ao inferno. Mas o evangelho são boas
novas de salvação, é a vitória na Cruz e as esperadas bodas do cordeiro. Isso é
motivo para alegria – não a alegria vazia de festas e celebrações humanas, mas
alegria no Senhor, alegria que perpetuará a eternidade!
É
fácil cair na armadilha do mundo moderno, cheio de preocupações e ansiedades! E
entenda bem, a ansiedade é algo natural diante de uma situação nova como uma
viagem a um lugar desconhecido ou diante de uma entrevista de emprego, mas não
deve extrapolar limites. Hoje já se reconhece a síndrome da ansiedade como uma doença
que pode levar a pressão alta, irritabilidade, falta de sono e outros sintomas.
Mas o cristão é alguém que descansa no Pai como uma criança recém-amamentada no
colo de sua mãe (Salmos 131). E aqui faz-se um eco com Mateus 6.25-34, onde
somos lembrados que o Pai sabe do que precisamos, e que ao buscamos seu reino e
Justiça, as demais coisas serão acrescentadas.
Ao
levarmos a Cristo nossas orações e suplicas, lembramos que nada podemos fazer
por conta própria. Ao adora-lo, lembramo-nos de sua grandeza e poder que em
tudo nos auxilia. Tom Wright comenta que algumas pessoas dizem ser errado “aborrecer”
a Deus com pedidos triviais como um dia ensolarado para o piquenique da igreja
ou um lugar para estacionar em uma rua lotada, mas não é isso que a Bíblia nos
ensina. Podemos clamar ao Pai sobre qualquer área de nossa vida. Se é importante
para nós, também é importante para Deus. E quando entregamos essas preocupações ao
Senhor, podemos descansar em sua Paz, o Shalom, calma interior mesmo diante das
grandes tempestades e dificuldades da vida. Não só isso, essa paz que excede
todo entendimento ou que ultrapassa nossos sonhos é posta diante de nós como
guardas que vigiam uma cidade ou um tesouro. Ralph P. Martin (1985) comenta ainda o
fato de que essa paz guarda nossas mentes e corações em Cristo Jesus:
...descreve a “esfera” em que se
insere a vida interior do crente. Mediante a união com Cristo, em obediência à
Sua autoridade, e submissão à Sua vontade, os crentes descobrirão a segurança
de suas vidas, à medida que se certificam da proteção divina, “a paz de Deus”.
Perceba
que devemos andar com ciência de que Perto está o Senhor e a amabilidade deve
ser a marca do cristão diante do mundo, mesmo quando perseguido e afrontado. Para
conseguir isso, nossa mente deve estar ligada as coisas do alto (Cl 3.1-9).
Nossos pensamentos devem ser marcados por aquilo que é verdadeiro, transparente.
O diabo é o Pai da mentira, mas Cristo é o caminho, A verdade e a vida.
Caminhamos não só em verdade, mas na verdade da Palavra. Aquilo que é honesto,
ou seja, que não é corrupto, e aquilo que é justo são também fatores que devem
ocupar nosso pensamento. Em um mundo onde cada vez mais de apagam os conceitos
morais de certo e errado e onde a própria igreja tem falhado na ética e moral
cristã, lembrar daquilo que é justo e correto diante dos padrões bíblicos se
faz importante. Não só isso, somos orientados a guarda tudo o que é puro – tanto
no sentido de não contaminado, como no sexual. Cada vez somos cercados de
apelações a mentiras, relativismo moral e sexualidade deturpada, regular o que
deve entrar em nossos pensamentos é uma luta constante. Mas lembrando do velho
conselho de Lutero, podemos não impedir um pássaro de voar em nossas cabeças,
mas podemos evitar que ele faça ninhos sobre as mesmas.
Tudo o que for amável fala de simpatia, o
oposto da grosseria e complementa o fato de que devemos ter compromisso com boa
fama. É fácil ser simpático com aqueles que amamos, mas é exatamente com os
indesejados que somos orientados e mudar a programação da nossa mente de forma
a sermos simpáticos e corteses.
Lembre que aquilo
que enche nossas mentes e corações transborda em nossas ações. Por isso não
adiante somente ir a igreja aos domingos se não meditamos na palavra e, principalmente
colocarmos em pratica. “Frequentemente, ouvimos a mensagem no culto, mas logo
que deixamos o santuário conversamos sobre tudo, menos como pretendemos
concretizar o que Deus acaba de nos falar pela Palavra. Esse hábito
insensibiliza o coração”(SHEED, 2005). Não adianta a ortodoxia (cuidado com a
doutrina) sem a ortopraxia (cuidado com a conduta), e vice-versa. O mundo não
só ouve nosso discurso, mas vê nossa pratica - e ambas precisam revelar a
Cristo. O resultado de tudo isso? Teremos a paz de Deus e a graça do Deus da
paz.
Referências:
AZEVEDO, Israel, Belo de.
Pastoreados por Paulo, Volume 2 – As mensagens de Filipenses a Filemom
comentadas tema por tema. Editora
Hagnos, 2014.
MARTIN, Ralph P. Filipenses – Introdução e comentário
(Série Cultura Bíblica). Editora vida Nova, 1985.
SHEDD, Russell P.; MULHOLLAND, Dewey M. Epístolas da prisão – Uma analise de Efésios, Filipenses, Colossenses e
Filemom. Editora Vida
Nova, 2005.
Wright, Tom. Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians,
Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.

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