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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Dia 6 – Filipenses 2.12-30 – Luzeiros no mundo



Texto: “Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele. Façam tudo sem queixas nem discussões, para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo, retendo firmemente a palavra da vida. Assim, no dia de Cristo eu me orgulharei de não ter corrido nem me esforçado inutilmente. Contudo, mesmo que eu esteja sendo derramado como oferta de bebida sobre o serviço que provém da fé que vocês têm, o sacrifício que oferecem a Deus, estou alegre e me regozijo com todos vocês. Estejam vocês também alegres, e regozijem-se comigo. Espero no Senhor Jesus enviar-lhes Timóteo brevemente, para que eu também me sinta animado quando receber notícias de vocês. Não tenho ninguém como ele, que tenha interesse sincero pelo bem-estar de vocês, pois todos buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo. Mas vocês sabem que Timóteo foi aprovado, porque serviu comigo no trabalho do evangelho como um filho ao lado de seu pai. Portanto, é ele quem espero enviar, tão logo me certifique da minha situação, confiando no Senhor que em breve também poderei ir. Contudo, penso que será necessário enviar-lhes de volta Epafrodito, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas, mensageiro que vocês enviaram para atender às minhas necessidades. Pois ele tem saudade de todos vocês e está angustiado porque ficaram sabendo que ele esteve doente. De fato, ficou doente e quase morreu. Mas Deus teve misericórdia dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza. Por isso, logo o enviarei, para que, quando o virem novamente, fiquem alegres e eu tenha menos tristeza. E peço que vocês o recebam no Senhor com grande alegria e honrem a homens como este, porque ele quase morreu por amor à causa de Cristo, arriscando a vida para suprir a ajuda que vocês não me podiam dar.” Filipenses 2:12-30


                Tempos atrás li a historia de um homem que ansiava pelo cargo de gerencia.  Não me recordo os detalhes, mas em resumo, queria assumir o ponto do seu chefe e achava-se até mais preparado para isso. Um dia, o chefe havia saído mais cedo, e o homem foi deixar alguns documentos na sala dele. Vendo a sala organizada e a cadeira, macia e de couro, desocupada, sentou-se, colocou os pés na mesa e pôs-se a imaginar como seria se fosse o chefe. Que ações tomaria, como falaria – pensou no quando aquele gerente não merecia o cargo que tinha. Porém, o gerente retornou de forma imprevista, pois havia esquecido algo na sala, e, encontrado o empregado em sua cadeira, não soube com0o reagir. O empregado, por sua vez, sem saber o que fazer, apenas disse? O que você está fazendo aqui?

                Costumamos agir assim com Deus. Queremos e ansiamos tomar seu lugar e ainda o questionamos quando ele nos “pega de surpresa”. Após Paulo falar do exemplo extremamente oposto tomado por Cristo, que despiu-se de sua glória, é solicitado aos filipenses que vivam uma vida que agrade a Deus. O apóstolo não estava mais ao lado, como um professor, dizendo o que deviam ou não fazer, mas o Espírito Santo não os deixariam sós. Todos sabem como os alunos aprontam quando o professor sai da sala. Paulo os lembra de que, mesmo em sua ausência, devem desenvolver sua salvação com temor e tremor! 

                Ao se falar em desenvolver sua salvação, o apóstolo não quer dizer algo tipo “Deus ajuda aqueles que se ajudam”. Não! Nossa salvação foi conquistada na Cruz. Paulo aqui chama a responsabilidade da igreja no crescimento em maturidade. Eles deveriam estar firmados na verdade da Palavra. Isso é algo que ninguém pode fazer pelo outro: viver Cristo em sua própria vida. Russell Sheed diz que isso significa desenvolver-se de tal modo que quando as tempestades da vida chegarem, não cause erosão. O desenvolvimento da salvação é o aprofundamento das raízes na terra, de forma que nada as possa sacudir ou remover do lugar. Paulo sabia que um dia prestaria contas de sua vida diante de Deus e desejava se alegrar com os Filipeses pelo trabalho bem realizado, assim como o bom servo da parábola que, mesmo sem saber quando seu senhor voltaria, deixa tudo em ordem (Mt 24.45-21). 

                A igreja deveria então ser como uma luz brilhante no céu, que gasta a si mesmo para iluminar em meio às trevas, de forma que o mundo veja-nos caminhar em sinceridade. Cristo nos ensinou que a luz não deve ser colocada debaixo de uma vasilha ou da cama, mas deve ser colocada em um lugar alto para que todos vejam (Mt 5.15). Este destaque pode significar perseguição, como significou para Paulo, que agora oferecia sua vida para que a fé da Igreja se fortaleça.  Somos chamados a ser luz com alegria, retendo a palavra da vida e sem “queixas nem discussões” ou “murmurações nem contendas”, coisa que fizera Israel ao sair do Egito, deixando de confirar nas promessas de Deus e reclamando em todo tempo. 

                É propicio que Paulo passa a dar noticias suas e de homens fieis que passam a ser exemplos para a igreja assim como ele. Timóteo deveria ser enviado em breve para lhes dar noticias sobre o estado jurídico e pessoal de Paulo, bem como para trazer noticias dos filipenses ao Apóstolo. Com carinho Paulo se refere a Timóteo como filho – não só espiritual, mas praticamente um filho adotivo – alguém que tinha o mesmo sentimento que ele, ou seja a mesma mente, e que busca com sinceridade o bem da Igreja. Timóteo foi homem que abdicou de tudo para servir ao evangelho, não à toa, seu nome em grego significa “quem honra a Deus” ou “alguém honrado por Deus”.  Interessante ainda notar  que Paulo não o recomenda como um ótimo mestre  ou homem santo, mas como “interesse sincero pelo bem-estar de vocês”, diferentemente de outros que se preocupavam somente com seus interesses. Para Paulo, isso era ser um bom pastor. 

                Epafrodito somente aparece nesta cara aos filipenses, mas é apresentado em termos memoráveis como irmão, cooperador e companheiro de lutas. Irmãos denota seu estado na casa de Deus, cooperador destaca seu trabalho em prol do evangelho e companheiro de lutas é um termo militar, referindo-se a luta contra o mal – e neste versículos, e anteriores, observamos um Paulo mais pessoal, humano, diferentemente da visão estoica que as pessoas costumam associar aos “Homens de Deus”, eles também passam por stress, dificuldades e tristezas, como diante da doença de Epafrodito.

 Não só isso, Epafrodito foi o mensageiro da Igreja em Filipos, designado para enfrentar perigos nas estradas para servir, auxiliar, nas necessidades do apóstolo. Tal dedicação pode ter lhe rendido uma enfermidade quase mortal, fato que preocupava a Igreja e razão pelo qual Paulo o mandava retornar: para dar as boas noticias de sua cura e provavelmente levar também a carta que estava sendo escrita.  

                É recomendado que recebessem Epafrodito com honra, pois se dedicara a causa de Cristo. Será que Paulo nos recomendaria assim como recomendou Timóteo e Epafrodito a igreja filipense? 

Qual seria a opinião que Paulo teria formado a nosso respeito? Ele enviaria qualquer um de nós? Teria percebido a nossa capacidade de cuidar sinceramente dos interesses dos filipenses ou dos nossos acima do que é de Cristo? Ganharíamos a reputação de “aprovados” da parte de Paulo pela maneira que temos servido humildemente à causa? (SHEED, 2005). 

                Qual o retrato que Paulo faria de nós?

Referências:
MARTIN, Ralph P. Filipenses – Introdução e comentário (Série Cultura Bíblica). Editora vida Nova, 1985.
SHEDD, Russell P.; MULHOLLAND, Dewey M. Epístolas da prisão – Uma analise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005. 
Wright, Tom. Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.

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