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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dia 8 – Filipenses 3.12-21 – Entre o agora e o ainda não



Texto: “Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Por isso todos quantos já somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará. Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra, e sintamos o mesmo. Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam. Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.” Filipenses 3:12-21

                A Bíblia possui peculiaridades que podem a principio parecer paradoxais. Por exemplo, é um livro que conta como Deus agiu e falou para o povo em uma determinada época, mas cuja mensagem é atemporal. Nestas paginas há profecias especificas para determinados momentos de Israel, mas que também vislumbravam um futuro mais longínquo.  Da mesma forma, há a tensão entre o agora e o ainda não. Embora seja anunciado a chegada do Reino de Deus pelo próprio Jesus, esse reino ainda não está completo – com glória e poder, mas dentro de nós. Nossa salvação foi conquistada por Cristo na Cruz – mas será concretizada em seu retorno triunfal.  Assim também é com a nossa perfeição em Cristo:

Não há contradição nesta realidade, mas tensão. A constância de Cristo (2Ts 3.5) opera em nós quando nos lembramos de que não alcançamos ainda a santidade, na dimensão atual, mas, assim mesmo, vamos prosseguindo para alcançar a perfeição para a qual fomos alcançados por Jesus (Fp. 3.12-13). (AZEVEDO, 2014)

Paulo chama atenção de que, enquanto estivermos nesta terra, enquanto não vier aquele que é perfeito e que restaurará todas as coisas, nós ainda caminhamos para um alvo, a soberana vocação, o chamado de Cristo. Muitos poderiam alegar que eram perfeitos, e de fato já se propagava o agnosticismo entre varias congregações. Baseados na filosofia grega, onde o corpo material era considerado algo ruim e pervertido, considerando a pureza algo interno e espiritual – como a nós dentro de uma casca. Assim, os agnósticos seguiam dois caminhos distintos. Uma vez que a realidade material era má, e o espírito bom, alguns consideravam que não importava o que se era realizado com o corpo, uma vez iniciado na realidade espiritual, uma corrente libertina, caminhado rapidamente para as perversões e prostituição (Ap 2.14,21, Jd 4,7-16). Outra postura estrema era a do ascetismo, onde, através de ritos e prescrições ou leis, era possível subir a escada da espiritualidade.

Porém tanto o antigo, como o novo testamento enxergam o corpo como algo que se identifica estritamente com você (SHEED, 2005). Não há algo de ruim na criação de Deus, este corpo é somente o barro do qual Deus sopra o folego de vida (Sl 104.29,30), e foi nesta casa que Cristo veio habitar, e foi seu corpo que foi oferecido em nosso favor, e assim devemos nós também oferecer nosso corpo como sacrifício agradável (Rm 12). Ao negarem isso, bem como a Cruz de Cristo, e ao se intitularem perfeitos, os gnósticos iam na contramão da pregação de Paulo e viviam somente para agradar ao seu próprio ventre, ou seu próprio umbigo, fazendo de si mesmo seu próprio deus. 

Paulo recomenda seguir seu exemplo e de muitos outros irmãos como ele e, assim como um atleta, focar na meta, na linha de chegada. Reiterando o que havia sido dito nos versos anteriores, Paulo deixa tudo para trás, mesmos as conquistas adquiridas no caminhar não poderiam ser empecilho para prosseguir e terminar a jornada. Quantos na igreja pensam já ter alcançado tudo e de que não precisam de nenhum esforço ou que já alcançaram a perfeição? Outros ainda, ao contemplar o exemplo de outros homens de Deus, ou irmãos no cotidiano, acham que nunca chegarão a tal escala de espiritualidade, e preferem viver em uma fé medíocre. Nenhum, nem outro. 

Paulo diz que devemos olhar e prosseguir para o alvo como um corredor olha para a linha de chegada. Mais que chegar ao céu, seu objetivo era viver com Cristo em seu novo corpo. De fato, para ele, a verdadeira maturidade era continuar nos pressionando para frente, até atingir o alvo e receber o “bem vindo, servo bom e fiel!”. Ela ainda não havia chegado ao final da carreira, ainda não havia recebido o premio, então lutaria até chegar lá. 

Diante disso, recomenda aos irmãos que vivam como cidadãos dos céus. Os filipenses eram parte de uma colônia romana, com todos os direitos de cidadãos, mas deveriam viver seguindo as regras de outro reino, seriam colônia dos céus nesta terra. Claro que não somos perfeitos, termos um corpo de humilhação, ou abatido, que muitas vezes reivindica conforto e segurança e não a morte e o serviço (1Co 9.13). Mas, em certo paralelismo com Fp. 2.1-11, Cristo nos transformará em seu corpo glorioso, segundo seu “poder de sujeitar também a si todas as coisas”.   

Música: Errando e Aprendendo – Resgate


Referências:

AZEVEDO, Israel, Belo de. Pastoreados por Paulo, Volume 2 – As mensagens de Filipenses a Filemom comentadas tema por tema.  Editora Hagnos, 2014.
MARTIN, Ralph P. Filipenses – Introdução e comentário (Série Cultura Bíblica). Editora vida Nova, 1985.
SHEDD, Russell P.; MULHOLLAND, Dewey M. Epístolas da prisão – Uma analise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005. 
Wright, Tom. Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.

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