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sábado, 30 de janeiro de 2016

Dia 4 – Filipenses 2.1-11 – Seguindo o exemplo de Cristo, Parte 1



Texto: “Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
Que, sendo em forma de Deus,
não teve por usurpação ser igual a Deus,
Mas esvaziou-se a si mesmo,
tomando a forma de servo,
 fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem,
 humilhou-se a si mesmo,
sendo obediente até à morte,
 e morte de cruz.
Por isso, também Deus o exaltou soberanamente,
e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus,
 e na terra, e debaixo da terra,
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor,
 para glória de Deus Pai.” Filipenses 2:1-11


                Dando continuidade a sua exortação a unidade para igreja filipense, não podemos deixar de perguntar: seria isso realmente possível? Há tantas divisões e desentendimentos, tantas ideias divergentes, tanto egoísmo e desanimo... Como a Igreja permanecerá unida? A resposta está no Pai, no filho e no Espírito Santo.

Em Cristo recebemos motivação, ou exortação em outras linguagens. Esta expressão significa companhia orientadora de Cristo, ou seja, temos nosso salvador a nos guiar, ensinar a viver uma nova vida. Exortar anda junto com corrigir. Jesus nos exorta a humildade (como veremos nos versículos seguintes). Passamos a seguir seu exemplo, que se “esvaziou” de sua divindade e nos ensina a nos esvaziarmos de nós mesmos, de nossa soberba, desejos impróprios, autoconfiança exagerada, comportamentos errados, etc.  Sabemos que o triunfo está em Cristo e nele obtemos a vitória (Fl. 2.10-11), precisamos assim andar em sua exortação, confiando em Sua Palavra: “Eis que estou convosco  todos os dias até a consumação do século.” (Mt. 28.20) 

“se há alguma consolação em amor”, que amor é este de que Paulo trata? Este é o amor divino, ágape, sem restrições. O sentido aqui está ligado ao encorajamento que “retrata chegar ao lado de alguém e tomar a mão da pessoa. O amor faz isso: dá ao cristão que sofre de letargia, um impulso para frente” (SHEED, 2005). Não esqueçamos que o verdadeiro amor vem de Deus, Ele é o próprio amor, e todo aquele que ama procede de Deus (1 Jo 3 e 4).  Se há falta de amor, é preciso uma renovação espiritual, pois o amor de Cristo deve alcançar até mesmo os inimigos. 

A comunhão é alimentada pelo Espírito Santo. Ele nos identifica como membros de uma mesma família de forma que clamamos Aba, Pai. Quando o Espírito age em nós, ”somos capazes de nutris afetos e compaixões e comportamento próprio” (AZEVEDO, 2014). É interessante o termo “entranháveis afetos e compaixões”, o termo grego splanchna significa literalmente entranhas humanas, que eram consideradas a cede da vida emocional. Aqui ainda se fala de amor mutuo, mas de um tipo intensamente pessoal, de forma que nossas atitudes para com o outro não sejam algo forçado, mas natural, com simpatia.
Somos campeões de misericórdia forçada, talvez por ouvirmos o mandamento de Jesus de Jesus nesse sentido. No entanto, nosso afeto deve decorrer do fato  de que temos a mente de Cristo, de que estamos em Cristo. Não é um sorriso para mostrar que amamos, mas um sorriso porque amamos. Não é um abraço para parecermos afetuosos, mas um abraço prazeroso de amor e interesse pelo outro. (AZEVEDO, 2014)
                E este é só o principio. Paulo pede que completem, ou seja transbordem, seu contentamento ao sentirem a mesma coisa, terem o mesmo animo e considerarem o outro superiores a si mesmo. MARTIN (1985) chama a atenção ao termo “de modo que penseis a mesma coisa” ou “sentindo uma mesma coisa”, termos grego phronei (também em 1.7), verbo que aparece cerca de 10 vezes só nesta epistola – e 13 em outras cartas – que significa (recapitulando) “uma combinação de atividades intelectuais e efetivas, que toca tanto a mente como o coração, e conduz a uma ação positiva”. O fato de buscarem uma só mente e um só coração enfatiza a busca da vida de comunhão comum na Igreja.  
                Paulo usa um termo que pode ter criado, um neologismo, “almar-se juntos”, referindo-se a uma espécie de unidade na qual duas personalidades se unem em uma só (SHEED, 2005). Observe quem que nada deveria ser feito com contenda ou vanglória. Tudo deve ser marcado por unidade e pelo exemplo de Cristo. João Calvino nos ensina que a “vanglória encanta a mente dos homens, de modo que todos ficam lisonjeados com suas próprias invenções”. Assim, não se deve atentar para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. Consideramos os outros superiores, e isso não quer dizer que devemos andar com complexo de inferioridade, mas sim que devemos fazer uma avaliação correta dos dons de Deus e de nossas fraquezas. Nas palavras de Calvino:
  Pois por mais que alguém possa ser distinguido por talentos ilustres, deve lembrar que eles não lhe foram concedidos para que fosse autocomplacente, para que pudesse se exaltar ou para que pudesse estimar a si mesmo. Em vez disso, essa pessoa deve usar isso para examinar e corrigir as faltas e, assim, terá abundantes oportunidades para a humildade. Mas, em outros, a tudo o que é elogiável, eles atribuirão honra e, por meio do amor, sepultarão faltas. Quem observar essa regra não terá dificuldades em considerar os outros superiores a si mesmo.

Referências:

MARTIN, Ralph P. Filipenses – Introdução e comentário (Série Cultura Bíblica). Editora vida Nova, 1985.
SHEDD, Russell P.; MULHOLLAND, Dewey M. Epístolas da prisão – Uma analise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005. 
TOMLIN, Graham (org.) Filipenses e Colossenses – Comentário Bíblico da Reforma. Editora Cultura Cristã. 2015.

   

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