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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Dia 1 – Filipenses 1.1-11 – Ação de graças e oração



Texto: “Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus, que estão em Filipos, com os bispos e diáconos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e da do Senhor Jesus Cristo. Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas, Pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora. Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo; Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho. Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição  de Jesus Cristo. E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento, Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo; Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.”  Filipenses 1:1-11
               

                Paulo apresenta grande amor pela igreja filipense: “Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, Fazendo sempre com alegria oração (...) vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça (...). Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo.”. E de fato era uma igreja muito especial para ele, primeiro pela forma sobrenatural em que trabalho começou (narrado em Atos 16), demonstrando a graça de Deus naquela região. Segundo, que esse amor era reciproco – foi uma a única Igreja, até então, que se preocupou com o apóstolo a ponto de enviar auxilio financeiro. A isto Paulo sentia-se grato e “comovido ao ver que esta igreja lhe queria bem o suficiente para associar-se materialmente na sua tribulação” (SHEDD, 2006).  Trechos paralelos em Romanos 15.26 e 2 Coríntios 8.7 e 9.13 relatam, a atitude generosa, sacrificial e em constância e fidelidade dos macedônios. 

 Entenda isso, na prisão não era costume alimentar ou suprir o prisioneiro em alguma necessidade, como acontece no Brasil, e Paulo também não poderia trabalhar na fabricação de tendas como era seu costume para suprir seus gastos. Assim, o fato de uma região diferente levantar recursos e envia-los em uma perigosa jornada (veja o exemplo do Bom samaritano) para ajudar Paulo em suas necessidades serve de grande testemunho a esta igreja. Por isso se fala aqui em parceria, ou sociedade, traduzido aqui por “participantes da minha graça”.  

Diante disso, Paulo louva a Deus e rende graças aquele que começou e completará a boa obra nos filipenses. Como bem coloca Israel Belo de Azevedo:

“A graça de Deus nos torna cooperadores (colaboradores, “correalizadores”) de sua obra no mundo (Fp 1.5). Essa obra se desenvolve na contramão dos interesses dos nossos contemporâneos e mesmo de nossos próprios interesses , que são naturalmente outros. Como a obra lhe pertence, Deus nos capacitará a leva-la até o fim, apesar dos nossos ouvintes  e apesar de nós mesmos.” (AZEVEDO, 2014).

Precisamos entender que é Deus sempre que começa, por sua graça revelada em amor, e é Ele que também termina. Embora não mereçamos, o Deus que começa é o Deus que termina a boa obra, não a deixando pela metade. Aliás, Deus só escreve obras completas. Por isso Paulo poderia declarar ao fim de sua vida: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (1 Tm 4.7). Facilmente somos tentados a pensar tudo gira ao nosso redor e que temos que convencer os outros a se voltarem para Cristo, mas “Se há genuína fé no Cristo ressurreto, genuína fidelidade a ele como rei, isso somente acontece porque o poder vivo de Deus trabalhou, através do evangelho, no coração das pessoas; o que Deus começa, ele sempre termina.” (Wright,2014, Tradução livre). Nesta confiança do agir de Deus, Paulo então ora pelos filipenses. Aqui há três pontos importantes:

Primeiro, que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento: o amor deveria superabundar em todo conhecimento e sabedoria. Paul Whight está certo ao dizer que não costumamos pensar no amor nestes termos. Geralmente associamos amor com emoções ou afeições e não ciência e conhecimento ou sabedoria. Mas para Paulo, não havia a divisão que fazemos da mente e do coração. Se nosso amor é genuíno,  verdadeiro amor por Cristo e uns aos outros, ele encontra seu caminho no amor e na sabedoria. “Para o cristão, a mola metra, tanto de seu conhecimento daquilo que é excelência moral, como de seu desejo de traduzir a aprovação em ação é o amor.”  (MARTIN, 1985). 

Segundo, Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo. Esse amor deveria resultar em discernimento moral. Assim como os filipenses, vivemos em um mundo de moral corrompida onde nem sempre é fácil discernir o certo do errado.  Paulo ora para que possam saber a diferença entre bom e do ruim. Nossa vida deve ser encontrada santa, sem ofensa, de forma a desenvolvermos atitudes próprias de quem tem o selo do Espirito Santo. O termo chave aqui é aprovar as coisas excelentes. O verbo aprovar (gr. Dozimazein) significa “pôr sob teste” e depois “aceitar quando testado”. Somos convidados a conhecer, por experiência própria e discernir a partir deste conhecimento o falso do verdadeiro.  “Em outras palavras, aprovar significa ter prazer naquilo que é essencial, não naquilo que é superficial.” (AZEVEDO, 2014).

Ao fazermos distinção do melhor, podemos ser encontrados sinceros e inculpáveis quando Cristo voltar. Russell Shedd, explica bem o significado disto:

A palavra “sincero” tem seu significado numa pratica comum do  mundo antigo. Os potes de barro eram vasilhas domesticas habituais, usadas na cozinha como na sala de jantar. Uma das indústrias mais movimentadas era a de fazer potes e pratos, porque eles se quebravam com muita frequência. Eram fabricados de barro queimado que, depois de muito cozido e moldado na roda do oleiro, ia para o forno. Ficavam duros e quebradiços. Quando menino, eu olhava os oleiros fazendo potes de barro. De vez em quando, esses potes se rachavam ou ficavam com um buraco. Em vez de jogar fora o vaso inútil, alguns oleiros sem escrúpulos passavam um pouco de cera sobre o buraco. Quando alguém comprava, não percebia a rachadura a não ser que duvidasse da qualidade do artigo. Nesse caso, bastava virá-lo para o lado do sol. A cera, sendo apenas opaca, dava passagem à luz. Portanto, a palavra grega significa “testado pelo sol”, enquanto que a palavra “sincera” do nosso idioma vem do latim e quer dizer “sem cera”.  

                O terceiro e ultimo aspecto é para que sejamos “cheios dos frutos de justiça”. O fruto da justiça é o resultado de Cristo habitando em nosso interior e do fato se fazemos parte de sua família. Refere-se, então, ao fato de sermos coerentes com a justificação recebida pela graça de Deus. O cristão prova e aprova as coisas excelentes e vive  com qualidade. Tudo isso, porém, é enfatizado e realizado para a Glória de Deus, de forma a glorificar seu nome.  

Referências:

AZEVEDO, Israel, Belo de. Pastoreados por Paulo, Volume 2 – As mensagens de Filipenses a Filemom comentadas tema por tema.  Editora Hagnos, 2014.
MARTIN, Ralph P. Filipenses – Introdução e comentário (Série Cultura Bíblica). Editora vida Nova, 1985.
SHEDD, Russell P.; MULHOLLAND, Dewey M. Epístolas da prisão – Uma analise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.  
Wright, Tom. Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.

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