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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Dia 3 – Filipenses 2.18-30 – Em Cristo, na vida e na morte



Texto: Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda. Porque sei que disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo, Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne. E, tendo esta confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para proveito vosso e gozo da fé, Para que a vossa glória cresça por mim em Cristo Jesus, pela minha nova ida a vós. Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho. E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas para vós de salvação, e isto de Deus. Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele, Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis estar em mim. Filipenses 1:18-30



                O Coliseu foi eleito em 2007 como uma das 7 maravilhas do mundo moderno. Utilizado para entreter os romanos com espetáculos por mais de 400 anos, seu uso e visitação não perdeu importância com as décadas. Planejado pelo imperador Augusto, passaram-se sete imperadores até o começo de sua construção por Vespasiano – que faleceu antes que a obra fosse terminada. Sua edificação foi dedicada a Tito, no ano 80 de nossa era, mas a construção não foi completada até o reinado de Domiciano. O poderoso anfiteatro tinha capacidade para 50.000 pessoas e possuía 48 metros de altura. Por fora, era incrustado de mármore e decorado com estátuas
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Entre as atrações, batalhas entre gladiadores, peças teatrais – inclusive encenação de batalhas navais, onde o lugar era inundado com água para maior realismo – luta entre homens e animais e a execução de cristãos. Muitas histórias ficaram marcadas no anfiteatro, algumas com tons fantasiosos típicos do pensamento medieval (até que ponto é verdade, só conheceremos no céu), mas os pontos em comum não negam a realidade: cristãos fieis que preferiam seguir a Cristo e morrer cercado por feras, queimados, mutilados ou simplesmente torturados com os mais cruéis inventos da época. Dentre os relatos, um interessante foi o mártir Inácio, apontado como discípulo de Pedro e João, que ao ouvir sua sentença de morte, teria declarado: “Oh, Senhor, agradeço-te haver-me honrado com o mais precioso sinal da tua caridade, e permitido que eu seja acorrentado por teu amor, como foi o apóstolo Paulo. ” (O’REILLY, 2005)

                A morte sempre foi temida e odiada. Para os cristãos é o último inimigo a ser vencido (Ap. 20). Se fosse perguntado “Aonde iremos, após a morte?”, muitas respostas poderiam ser ouvidas, mas para um cristão da Igreja primitiva, a resposta era certa: céu. Neste trecho, Paulo não fala como alguém depressivo e sem razão para viver – ele fazia planos caso fosse liberto, mas seu maior desejo era estar com o Rei. Paulo era um homem em amor pelo Messias, de quem declara que “me amou e se deu por mim.” (Gl. 2.20). Para Paulo, a morte representava estar completo com Cristo. Gosto do comentário de João Calvino sobre este trecho, quando diz que Paulo não considera exatamente morrer um lucro, mas sim deseja estar com Cristo em qualquer situação, vivo ou morto. Se vivo, continuará a lutar pelo evangelho e já faz planos para visitar os Filipenses, e frutificará em Cristo. Se morto, estará na eternidade com eu Rei. Paulo olhava para o futuro não em busca do que seria melhor para si, mas daquilo que glorificaria a Cristo e beneficiaria a Igreja:

É melhor estar em qualquer lugar com Cristo do que no céu sem ele. Todas as deliciam sem Cristo são apensas um banquete num funeral. Onde o dono da festa não está, não há nada, apenas uma solenidade (...)
O verdadeiro amor é direcionado à pessoa. O amor que ama uma coisa ou um presente, mas que uma pessoa é um amor adultero. Paulo amava a pessoa de Cristo porque sentia a doce experiência  de que Cristo o amava; seu amor era apenas um reflexo do primeiro amor de Cristo. Ele amava ver Cristo, abraça-lo e desfrutar daquele que tinha feito tanto e sofrido por tantos pela sua alma (...). Estar com Cristo é estar na fonte de toda felicidade. É estar em nosso próprio elemento. Toda criatura se sente melhor em seu próprio elemento, isto é , seu próprio ambiente, o lugar onde floresce e desfruta da sua felicidade; e Cristo é o elemento do Cristão.  (Richard Sibbes)

                A situação também não era fácil para a Igreja em Filipos, e diante disso, Paulo recomenda coragem e unidade em face a perseguição. Em uma visão realista da luta contra os poderes hostis, os versículos 27-30 são ricos em termos militares: estais firmes (resolutos como soltados plantados em seus postos), lutando (associa-se com a campanha militar, em batalha, ou arena, onde gladiadores travavam batalhas de vida ou morte), pelos adversários (humanos ou demoníacos), o mesmo combate – como Paulo havia encarado em sua primeira visita (MARTIN, 1985).      
       
O desafio então era ficarem firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé no evangelho. Os cristãos não se unem por pertencerem a uma mesma nação, por falarem a mesma língua ou terem a mesma aparência ou cultura. A união cristã está embasada no fato de termos um só Espirito, um só batismo, um só corpo e um só Deus (Ef. 4.5). Muitas vezes deixamos isso de lado por motivos mesquinhos, e indignos de nossa cidadania celestial em comum ou invés de cultivar a unidade passamos a promover a fragmentação e a divisão. Paulo receita justamente lutarmos pela mesma fé. Essa luta trás a ideia de dispensar todos os esforços na causa e essa batalha não se realiza isoladamente. 

Por fim, Paulo relembra que mesmo o sofrer ou padecer por amor a Cristo é uma dádiva. Uma verdadeira inversão de valores ocorre aqui, pois o que o mundo considera como opróbrio, para o cristão é motivo de alegria. Assim como Pedro e João se regozijaram após serem espancados pelo nome de Cristo – sequer consideravam dignos nisso, Paulo os lembra de que somente pela fé que vem pela graça, pode o sofrimento ser considerado um privilegio (MARTIN, 1985).   
               
Referências:

MARTIN, Ralph P. Filipenses – Introdução e comentário (Série Cultura Bíblica). Editora vida Nova, 1985.
O’REILLY, A. J. Os mártires do Coliseu, Editora CPAD, 2005.
SHEDD, Russell P.; MULHOLLAND, Dewey M. Epístolas da prisão – Uma analise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005. 
TOMLIN, Graham (org.) Filipenses e Colossenses – Comentário Bíblico da Reforma. Editora Cultura Cristã. 2015.
Wright, Tom. Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.

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