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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Dia 2 – Filipenses 1.12-18a – O progresso do evangelho



Texto: “Quero que saibam, irmãos, que aquilo que me aconteceu tem antes servido para o progresso do evangelho. Como resultado, tornou-se evidente a toda a guarda do palácio e a todos os demais que estou na prisão por causa de Cristo. E a maioria dos irmãos, motivados no Senhor pela minha prisão, estão anunciando a palavra com maior determinação e destemor. É verdade que alguns pregam a Cristo por inveja e rivalidade, mas outros o fazem de boa vontade. Estes o fazem por amor, sabendo que aqui me encontro para a defesa do evangelho. Aqueles pregam a Cristo por ambição egoísta, sem sinceridade, pensando que me podem causar sofrimento enquanto estou preso. Mas, que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro.” Filipenses 1:12-18a
 


                Nem sempre percebemos o agir de Deus em nossas vidas cotidianas. Jose é um exemplo contrário. Movidos por ódio e inveja, seus irmãos o venderam a mercadores. Tornou-se escravo no Egito, onde foi falsamente acusado de tentar molestar a mulher de Potifar. Preso, solucionou o sonho do padeiro e do copeiro do faraó, para ser esquecido até momento oportuno. Já como segundo do faraó, reencontra e testa o estado do coração dos irmãos. Em um dos momentos mais belos da Bíblia, entre lagrimas e sorrisos, a família se abraça e reconcilia. Porém, quando o patriarca Jacó vem a falecer, duvidas tomam conta do coração dos irmãos, “Agora José se vingara de tudo que fizemos!”. Diante disso ouvem a resposta de José: “Não tenham medo. Estaria eu no lugar de Deus? Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos.” (Gênesis 50.18-19). E assim ele os tranquilizou e cuidou de suas famílias. José havia percebido que toda sua vida fora conduzida por Deus para o proposito de abençoar sua própria família e de muitas outras. 

                Isso não é raro na Bíblia e na história do povo de Deus.  Ester pôde perceber que para aquele momento, onde Hamã tentava eliminar os judeus, ela havia sido escolhida como esposa do rei. Da mesma forma, a igreja primitiva pode não ter percebido a principio o porquê das dificuldades e perseguições enfrentadas em Jerusalém, apesar dos muitos alertas de Jesus, mas através da perseguição a Igreja alcançou todo o mundo conhecido na época. Assim, Paulo, não analisando ao fim de sua vida, mas no decorrer dos acontecimentos, percebe que sua prisão era algo que Deus estava usando para propagar o evangelho. Aqui, Paulo não somente conta quais as circunstâncias em se encontra, mas também como as entende, como reage as mesmas.  Nossa atitude, e não nossas circunstancias, determina quem somos e como encaramos a vida (passado, presente e futuro) e Paulo tinha seus olhos somente em Cristo. João Calvino explicita isso bem:

Que visão terrível! Se víssemos apenas a crueldade e a fúria de nossos perseguidores, isso despedaçaria nossas esperanças. Quando, porém, vemos, ao mesmo tempo, a mão do Senhor, que toma seu povo invencível sob a fraqueza da cruz e o faz triunfar, devemos nos empenhar mais ousadamente do que de costume, confiando nisso, pois já temos, em nossos irmãos, o penhor da vitória. O conhecimento disso deve vencer nossos temores, para que possamos falar ousadamente em meio a perigos.    

                O apóstolo já havia sofrido muito por amor a Cristo e a mensagem do evangelho. Espancado, preso, injustiçado, recebeu chibatadas, passou por naufrágios e tentativas de assassinatos contra sua vida. Diante de tudo isso, Paulo entendia que todas as coisas cooperavam para o bem dos que amam a Deus e andam segundo seus propósitos (Rm 8.28). Não que ele fosse sobre-humano, ou gostasse de ser torturado, mas ele percebia como aquilo afetava na propagação do reino de Cristo. Muitos talvez afirmassem que o evangelho estava em perigo, ou que seu sofrimento o desqualificava como apostolo. Paulo rebate isso e explica o porquê destas situações.

                O termo traduzido por progresso significa, mais especificamente “avanço a despeito de obstruções e perigos que bloqueiam o caminho do viajante”. Russell Shedd explica que esse é “um termo militar, que retrata trabalhadores com manchetes e machados abrindo caminho através da mata, a fim de preparar passagem para o exército” (SHEDD, 2005), assim, é como se Paulo dissesse que já esteve ali, na frente, mas que louva a Deus por que nosso exercito continua a avançar e o evangelho já é conhecido mesmo por toda a guarda pretoriana. 

Como pode a perseguição dos santos promover o evangelho? Herry Airay nos responde bem:
(1) Pelo poder de Cristo. (2) Pelo exemplo da constância dos santos em seus sofrimentos. (3) Pela liberdade do evangelho até mesmo quando os santos são presos por causa dele.

                 Paulo percebeu, então, duas classes de pessoas. Havia aquelas que pregavam com sinceridade, e ainda com mais ousadia, estimulados ao saberem de sua prisão, passando a seguir seu exemplo. Outros já o faziam por motivos indignos, por inveja, discórdia e rivalidade. Estes opositores são geralmente apontados como pessoas que pregavam contra o que Paulo dizia, como a necessidade de praticas judaicas, como a circuncisão, por exemplo, para conseguir a salvação – ou mesmo agitadores que queriam causar mais problemas a Paulo na prisão. No entanto, concordo com Paul Wright quando afirma ser mais possível que pagãos normais que ouviram sobre a situação e confusão gerada pela prisão de Paulo e que o estavam propagando boca a boca pelas ruas: “Já ouviu falar sobre isso? Ele foi preso pregando sobre um novo rei, um novo imperador! Um rei judeu crucificado anos atrás! Os guardas de sua cela ouviram-no dizer que este rei ressuscitou, está vivo e voltará... que Ele é o verdadeiro Senhor do mundo! ”. Isso despertaria  interesse por Paulo e por sua mensagem. Assim, a reação de Paulo era de celebração, pois de uma maneira ou de outra, Cristo estava sendo pregado como Rei e Senhor!

         Facilmente podemos nos sentir desencorajados com as situações adversas na vida.  Porém, podemos aprender com Paulo, que ao focarmos em Cristo, vemos seu agir, nem sempre compreensível de imediato, mas sempre eficaz. 

Referências:

MARTIN, Ralph P. Filipenses – Introdução e comentário (Série Cultura Bíblica). Editora vida Nova, 1985.
SHEDD, Russell P.; MULHOLLAND, Dewey M. Epístolas da prisão – Uma analise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005. 
TOMLIN, Graham (org.) Filipenses e Colossenses – Comentário Bíblico da Reforma. Editora Cultura Cristã. 2015.
Wright, Tom. Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.

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