Autor, Título e Data
Esta Epistola foi escrita pelo
apostolo Paulo, em companhia de Timóteo (Filipenses 1.1), aos cristãos na
colônia romana de Filipenses. Estudiosos tem debatido a exata localização de
Paulo quando escreveu a carta. Os locais mais comuns apontados podem ser
Casaréia, Efésios e Roma, sendo os dois últimos os mais prováveis. Paulo de
fato foi prisioneiro em um “pretório” de Herodes, o Grande, em Cesárea (Atos
23.25, ver Filipenses 1.13) por volta de 60 A.D. Porém, suas declarações sobre
a possibilidade de morte eminente (Filipenses 1.20) não conseguem se encaixar
com o local. Efésios é apontado como boa possibilidade devido fatores como (i) distancia próxima de Filipos,
permitindo notícias regulares, (ii) presença de guarda pretoriana, (iii) além
de relatos de prováveis dificuldades sofridas na região (1 Co 15.31,32 e 2 Co
11.23-27) entre 54 e 56 A.D. e a própria tradição do local onde Paulo teria
sido preso (torre de vigia de Éfeso, conhecida como “a prisão de Paulo”); mas
não há fatores conclusivos, visto que Atos não entra em detalhes quando este
período. Uma visão mais tradicional é que a carta tenha sido escrita em Roma,
cerca de 62 A.D., compatível com a menção do pretório e da casa de César (1.13
e 4.22).
A Cidade Antiga de Filipos
A
província romana da Macedônia se caracterizava por ser dividida em quatro
regiões ou distritos. Cada província tinha uma “primeira cidade”, mas, no caso
do distrito da Macedônia, onde se localizava Filipos, a capital era
Tessalônica. Por ser província, os membros da igreja eram cidadãos romanos, e
devido não haver muitas colônias romanas, os cidadãos de Filipos eram
privilegiados.
“A
cidade foi conquistada primeiramente por Filipe da Macedônia, pai de Alexandre,
o Grande, em 360 a.C., recebendo o seu nome. Foi ali em Filipos que Otávio, o
mesmo que seria mais tarde o grande imperador Augusto (que estabeleceu a Pax
Romana), venceu a batalha de Actium. Numa planície perto da cidade, Augusto
derrotou seus rivais, Antônio e Cleópatra, no ano 42 a.C.” (SHEDD, 2005). Com a
vitória e coroação, foram concedidas terras aos soldados e garantido o status de
colônia romana, o que geraria orgulho dos cidadãos locais e pode explicar o
destaque que Paulo dá ao fato de que “Nossa cidadania está nos céus” (1.27 e
3.20) mesmo que isso represente perseguição, fato indicado tanto em Atos 16
como na carta aos Filipenses.
Tema da carta
“Seu tema é a
adequação de Cristo a todas as experiências da vida – privação, perseguição,
dificuldades, sofrimento e também prosperidade e popularidade. ” É uma das
cartas mais informais de Paulo e tem função de encorajamento aos filipenses.
“Cristo dá alegria e triunfo venha o que vier, desde que a ele se conceda o
centro da vida. Esse princípio se expressa no testemunho de Paulo: “Pois para
mim, o viver é Cristo (1.21)”.” (UNGER, 2006).
Proposito, Ocasião E
Pano De Fundo
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| Filipos nos tempos de Paulo |
A igreja de
Filipos era especial para Paulo e foi a primeira igreja fundada na Europa (Atos
16.6-40) em resposta a uma orientação divina, como resultado de uma visão
condutora: “E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um homem da Macedônia,
e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia, e ajuda-nos.” (At 16:9). A primeira
convertida foi Lídia, uma vendedora de púrpura, e as mulheres continuaram a ter
um papel proeminente na igreja de Filipos (Fl 4.2). Ali Paulo e Silas foram
prisioneiros após expulsarem um demônio de uma adivinha escrava, e, em uma das
passagens mais conhecidas do Novo Testamento, foram soltos miraculosamente e
proclamaram o evangelho ao carcereiro e sua família. Paulo visitou os
filipenses algumas vezes após sua partida inicial e manteve ativo suporte em
seu ministério (Fl 4.15-16).
Paulo escreve
da prisão movido, em parte, por sua recepção das últimas ofertas enviadas
através de Epafrodito (ele mesmo, membro da congregação de Filipos). Porém,
além de agradecer por seu continuo suporte, dar notícias e afirmar seu desejo
de visita-los, Paulo na verdade deseja encorajar os filipenses na sua fé. Há um
tom triunfante de alegria em Cristo por toda carta – mais de dezoito vezes
surgem termos relacionados com alegria, apesar das severas provações do apóstolo neste ínterim (2 Co 11.23-33). Seu desejo é que os filipenses
prossigam na fé, assim como ele fazia: “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da
soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. ” (Fl 3.14).
Paulo,
então, explica como se dá o progresso espiritual. A maturidade cristã não ocorre
através de ideias místicas disponíveis somente para uns poucos escolhidos, mas
sim através da prática paciente das virtudes do amor e do serviço aos outros.
Paulo apresenta-se como um modelo para um estilo de vida (1.12-18; 3.17; 4.9),
e ele elogia Timóteo e Epafrodito em termos semelhantes (2.19-30). Mas o modelo
supremo para o progresso na fé é o próprio Jesus, Ele é a peça central de Filipenses.
O magnífico "Hino de Cristo" em 2.5-11 demonstra isso. Jesus
voluntariamente deixou seus privilégios da glória divina para assumir a forma
de servo, a ponto de abraçar a suprema humilhação da cruz, a fim de libertar o
mundo do pecado. Cristo então é exaltado em glória, recebendo adoração
universal como o Messias de Deus. Aqueles que seguem o exemplo de Cristo têm a
esperança de que Deus também vai reivindica-los no dia de Cristo, e, portanto,
eles podem se alegrar nele (1.18; 3.1; 4.4). Não só isso, eles (e nós) poderiam
ter certeza de que Deus não os deixaria sozinhos, mas efetua tanto o querer
como o realizar ao operarem a Salvação com temor e tremor (2.12-13).
Referências:
MARTIN, Ralph P. Filipenses
– Introdução e comentário (Série Cultura Bíblica). Editora vida Nova, 1985.
SHEDD, Russell P.; MULHOLLAND, Dewey M. Epístolas da prisão – Uma analise de Efésios, Filipenses, Colossenses e
Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
UNGER, Frederick Merril. Manual Bíblico Unger. Editora Vida Nova, 2006.
ESV Study Bible,
Crossway , 2011.


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