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domingo, 15 de janeiro de 2017

Dia 1 (15.1.2017) – Colossenses 1.1-8

    

“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por vontade de Deus, e o irmão Timóteo, aos santos e fiéis irmãos em Cristo que se encontram em Colossos, graça e paz a vós outros, da parte de Deus, nosso Pai. Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós, desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos; por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, que chegou até vós; como também, em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo, tal acontece entre vós, desde o dia em que ouvistes e entendestes a graça de Deus na verdade; segundo fostes instruídos por Epafras, nosso amado conservo e, quanto a vós outros, fiel ministro de Cristo, o qual também nos relatou do vosso amor no Espírito.” (Colossenses 1.1-8 - ARA)


Estávamos reunidos em um restaurante para jantar, em um país da América Central. Todos pastores, eu era a exceção. A conversa não divergia muito do título recente de uma revista cristã: a igreja está doente. Ou pelo menos a igreja evangélica brasileira. Nós concordávamos que havia um problema e não eram poucas as histórias e situações ministeriais que nos constrangiam. Busca de riquezas, falta de fidelidade, desfoco do verdadeiro evangelho, pouca ou nenhuma diferença social, moralidade cada vez mais em queda. Havia, porém, uma coisa que nos tirou daqueles pensamentos. Sim, a igreja tinha problemas, mas o Senhor ainda tinha os seus e sua obra não estava acabada. De fato, em vários lugares o evangelho continua a florescer e a produzir muitos frutos. Naquela mesma cidade em que nos encontrávamos, cada reunião havia um novo convertido que era recebido com alegria mesmo em meio a perseguição. Estávamos diante da prova de que as portas do inferno não podem prevalecer contra a Igreja de Cristo.


Ao receber notícias de Epafras, Paulo não economiza nas recomendações. Trata-o como amado conservo, fiel ministro de Cristo, atento para pregação da verdade e sempre preocupado com a saúde da igreja. Paulo poderia estar preso, mas via que o Evangelho não poderia ser encarcerado. Na verdade, florescia, produzia frutos e crescia em todo o mundo conhecido. Usa aqui quase uma linguagem de semeador, que nos remete a Marcos 4.8 e Gênesis 1.28. Perceba que, apesar do assunto difícil tratado na carta (o germinar de heresias dentro da igreja), o apóstolo usa de todo o tato e relembra que os colossenses haviam recebido a mensagem do Evangelho, a qual ouviram e entenderam pela graça a verdade da Salvação.
Mesmo sem nunca os ter visitado, Paulo se preocupava e orava por aqueles irmãos e irmãs. Reconhecia dentre eles os fiéis, os santos (separados, saudáveis, de possessão exclusiva de Deus), bem como o que os caracterizava como verdadeiros crentes. Paulo não elogia sua santidade e moralidade, tampouco evidencia sua sabedoria e inteligência. O verdadeiro sinal está no relato de Epafras sobre “vosso amor no Espírito”. Esse amor não significa que eles tinham bons sentimentos em relação aos outros: o que se implica aqui é a mudança de comportamento  –  da luxúria, ódio, mentira e etc. para a bondade, gentileza, perdão e aceitação da família cristã sem distinções de placas, raças ou culturas.
E aqui fica evidenciada uma tríade comum no Novo Testamento: fé, amor e esperança (assim como em 1 Coríntios 13). A fé não se restringia somente a uma crença ou assentimento, mas era um compromisso inteiramente ao senhorio de Cristo. Como consequência, crescia o amor fraternal entre os irmãos, isso resultado da ação do Espírito. Esta fé e amor se fundamentavam, por sua vez, na esperança da volta de Cristo; na herança eterna; na vida eterna e nas alegrias no Céu. Neste contexto, esperança quer dizer certeza. É esperança em algo que ainda não se concretizou, mas é algo certo, uma esperança certa.
Por isso Paulo se alegrava e agradecia a Deus. O poder do Evangelho não estava restrito, mas atuava, e atua, nos corações dos homens, frutificando em Sua graça e verdade. Como um jardineiro olha seu jardim depois de tanto trabalho e perseverança e observa belas flores e frutos, que de forma milagrosa e desconhecida surgem e perfumam o ambiente, o apóstolo pôde se alegrar, porque Deus não deixou de agir, pois há poder na mensagem de Salvação.       

Referências:
Augustus NICODEMUS; A supremacia e a suficiência de Cristo – A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje. Editora Vida Nova, 2013.
Russell P. SHEDD; Dewey M. MULHOLLAND; Epístolas da prisão – Uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Editora Vida Nova, 2005.
Tom WRIGHT. Paul for Everyone: The Prison Letters: Ephesians, Philippians, Colossians, and Philemon (The New Testament for Everyone). Westminster John Knox Press, 2014.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Semeando na Palavra




             

   Um dos maiores problemas que enfrentamos nos dias atuais é o pouco, ou nenhum conhecimento da Palavra. O número de cristãos tem se elevado e aparecido nas pesquisas governamentais e particulares, mas nenhuma mudança especifica se nota na sociedade. Muitas igrejas andam cheias, mas poucos são os que realmente buscam conhecer sobre a fé que dizem professarem. Digo isso porque se realmente estivéssemos atentos ao que a Bíblia ensina, não consideraríamos o evangelho fácil como atualmente apresentado, uma “graça barata” nas palavras de Bonhoeffer, que desconsidera o preço do pecado, o valor do sacrifício de Cristo e os caminhos da maturidade Cristã. Precisamos lembrar que "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra" (2 Timóteo 3.15-17). Sem essa Palavra, o povo que diz ser do Senhor perece por falta de conhecimento (Oseias 4.6).

 

                 Na passagem do ano cheguei a comentar na Igreja que, se quisermos colher frutos dignos, ou melhor ainda, “o fruto do Espírito” precisamos criar um ambiente favorável para o agir sobrenatural de Deus. Não é a toa que Billy Graham chegou a afirmar que se voltasse a estaca zero em seu ministério faria duas mudanças: estudaria mais [a Palavra] e oraria mais, seguindo a resolução apostólica “... nos dedicaremos à oração e ao ministério da Palavra” (Atos 6.4). E não adianta qualquer tipo de leitura:

 

  “Leituras esporádicas e a esmo das Escrituras não basta. Nem devemos limitar às passagens prediletas, nem nos concentrar no exame microscópico de alguns textos chaves. Semelhante conhecimento e o uso seletivo das Escrituras entregam o jogo ao Diabo. Toda heresia se deve a uma ênfase exagerada a alguma verdade, sem permitir que outras verdades a qualifiquem e equilibrem. A indução bíblica é a única maneira de começar a teologia; trata-se de proceder, a partir de uma ampla variedade de textos específicos, a conclusões gerais” (John Stott em Eu creio na pregação, Ed. Vida).

 

                  E o que não nos falta no Brasil são opções de Bíblias, nas mais variadas linguagens e suplementos explicativos sobre a cultura e contexto geral. O que não faltam também são planos de leituras que possamos usufruir. Neste ano que se inicia, que tal enfim colocar mãos, e cabeça, a obra e se dedicar a leitura e meditação da Bíblia em Um ano? 

 

                 Um bom plano de leitura foi o sugerido por Robert Murray McCheyne - (1813-1843). McCheyne foi pastor na igreja de São Pedro, em Dundee, Escócia, e propôs esse plano de forma que poderia acompanhar as leituras em sua congregação e desta assim“orar sobre as mesmas promessas , lamentar as mesmas confissões , louvar a Deus nas mesmas músicas, e ser nutrido pelas mesmas palavras de vida eterna”. Para cada dia do mês há uma seleção de 4 ou mais capítulos sendo os dois primeiros indicados para leitura devocional, na intimidade, e os outros dois para leitura em família. Desta forma lia-se a bíblia toda e novamente o Novo Testamento e os Salmos no período de um ano. 

 

                O plano de leitura começa com os livros de Gênesis, Mateus, Esdras e Atos. Ou seja: o nascimento e formação do universo em Gêneses, o renascimento da nação de Israel com Esdras, o nascimento de Jesus em Mateus, e o Nascimento da Igreja com Atos. A disposição da leitura dos livros, lei, historia, poesia e profecia é interessante porque ora lemos um fato em I Samuel, ora cantamos esta historia no Salmo; e o que no Antigo testamento é ruína, no Novo Testamento é restauração! No ultimo dia do ano estaremos lendo o ultimo capitulo de 2 Crônicas, o último livro a ser escrito do AT, o último capítulo de Apocalipse, o último livro do NT. Creio que vale a pena a experiência, vamos semear na Palavra e ouvir a voz do nosso Senhor, com certeza momentos valiosos nos aguardam.    

 

Quer usar a plano de Leitura de McCheyne? Baixe aqui (versão em português) 


 Para saber mais sobre Robert Murray McCheyne clique aqui  


Para obter a versão, em inglês, do Plano de leitura  e sermões de McCheyne assim como conhecer mais sobre sua vida acesse:  http://www.mcheyne.info/