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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Semeando na Palavra




             

   Um dos maiores problemas que enfrentamos nos dias atuais é o pouco, ou nenhum conhecimento da Palavra. O número de cristãos tem se elevado e aparecido nas pesquisas governamentais e particulares, mas nenhuma mudança especifica se nota na sociedade. Muitas igrejas andam cheias, mas poucos são os que realmente buscam conhecer sobre a fé que dizem professarem. Digo isso porque se realmente estivéssemos atentos ao que a Bíblia ensina, não consideraríamos o evangelho fácil como atualmente apresentado, uma “graça barata” nas palavras de Bonhoeffer, que desconsidera o preço do pecado, o valor do sacrifício de Cristo e os caminhos da maturidade Cristã. Precisamos lembrar que "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra" (2 Timóteo 3.15-17). Sem essa Palavra, o povo que diz ser do Senhor perece por falta de conhecimento (Oseias 4.6).

 

                 Na passagem do ano cheguei a comentar na Igreja que, se quisermos colher frutos dignos, ou melhor ainda, “o fruto do Espírito” precisamos criar um ambiente favorável para o agir sobrenatural de Deus. Não é a toa que Billy Graham chegou a afirmar que se voltasse a estaca zero em seu ministério faria duas mudanças: estudaria mais [a Palavra] e oraria mais, seguindo a resolução apostólica “... nos dedicaremos à oração e ao ministério da Palavra” (Atos 6.4). E não adianta qualquer tipo de leitura:

 

  “Leituras esporádicas e a esmo das Escrituras não basta. Nem devemos limitar às passagens prediletas, nem nos concentrar no exame microscópico de alguns textos chaves. Semelhante conhecimento e o uso seletivo das Escrituras entregam o jogo ao Diabo. Toda heresia se deve a uma ênfase exagerada a alguma verdade, sem permitir que outras verdades a qualifiquem e equilibrem. A indução bíblica é a única maneira de começar a teologia; trata-se de proceder, a partir de uma ampla variedade de textos específicos, a conclusões gerais” (John Stott em Eu creio na pregação, Ed. Vida).

 

                  E o que não nos falta no Brasil são opções de Bíblias, nas mais variadas linguagens e suplementos explicativos sobre a cultura e contexto geral. O que não faltam também são planos de leituras que possamos usufruir. Neste ano que se inicia, que tal enfim colocar mãos, e cabeça, a obra e se dedicar a leitura e meditação da Bíblia em Um ano? 

 

                 Um bom plano de leitura foi o sugerido por Robert Murray McCheyne - (1813-1843). McCheyne foi pastor na igreja de São Pedro, em Dundee, Escócia, e propôs esse plano de forma que poderia acompanhar as leituras em sua congregação e desta assim“orar sobre as mesmas promessas , lamentar as mesmas confissões , louvar a Deus nas mesmas músicas, e ser nutrido pelas mesmas palavras de vida eterna”. Para cada dia do mês há uma seleção de 4 ou mais capítulos sendo os dois primeiros indicados para leitura devocional, na intimidade, e os outros dois para leitura em família. Desta forma lia-se a bíblia toda e novamente o Novo Testamento e os Salmos no período de um ano. 

 

                O plano de leitura começa com os livros de Gênesis, Mateus, Esdras e Atos. Ou seja: o nascimento e formação do universo em Gêneses, o renascimento da nação de Israel com Esdras, o nascimento de Jesus em Mateus, e o Nascimento da Igreja com Atos. A disposição da leitura dos livros, lei, historia, poesia e profecia é interessante porque ora lemos um fato em I Samuel, ora cantamos esta historia no Salmo; e o que no Antigo testamento é ruína, no Novo Testamento é restauração! No ultimo dia do ano estaremos lendo o ultimo capitulo de 2 Crônicas, o último livro a ser escrito do AT, o último capítulo de Apocalipse, o último livro do NT. Creio que vale a pena a experiência, vamos semear na Palavra e ouvir a voz do nosso Senhor, com certeza momentos valiosos nos aguardam.    

 

Quer usar a plano de Leitura de McCheyne? Baixe aqui (versão em português) 


 Para saber mais sobre Robert Murray McCheyne clique aqui  


Para obter a versão, em inglês, do Plano de leitura  e sermões de McCheyne assim como conhecer mais sobre sua vida acesse:  http://www.mcheyne.info/ 

 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Brota ó poço!


Números 21.17 : Então o povo de Israel cantou esta canção: “Ó poço, faça brotar a sua água, e nós a saudaremos com uma canção!

 
Isaias 41.18 : Farei com que brotem fontes nos vales e com que rios corram pelas montanhas onde não há plantas. Farei com que os desertos virem lagos e com que nas terras secas haja muitos poços.

 
João 4:10-15 :
Então Jesus disse: — Se você soubesse o que Deus pode dar e quem é que está lhe pedindo água, você pediria, e ele lhe daria a água da vida.
Ela respondeu: — O senhor não tem balde para tirar água, e o poço é fundo. Como é que vai conseguir essa água da vida?
Nosso antepassado Jacó nos deu este poço. Ele, os seus filhos e os seus animais beberam água daqui. Será que o senhor é mais importante do que Jacó?
Então Jesus disse: — Quem beber desta água terá sede de novo, mas a pessoa que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Porque a água que eu lhe der se tornará nela uma fonte de água que dará vida eterna.
Então a mulher pediu: — Por favor, me dê dessa água! Assim eu nunca mais terei sede e não precisarei mais vir aqui buscar água.

 
                Um ano novo se inicia, mas para muitos nada é diferente, somente a mudança de um calendário por outro na parede. Andamos por tanto tempo em desertos que nossa esperança pela água que refresque se torna um sonho distante, um sonho embalado por justiça e paz que parecem nunca se concretizar na vida caótica de um pequeno planeta na Via Láctea.

Parte desta frustração se deve ao nosso olhar, sempre direcionado para o chão e para as coisas desta vida. Como alguém muito sabiamente observou: assim como o rico na história de Jesus, olhamos para cima somente quando é tarde de mais e percebemos que Lázaro está em um lugar de descanso e nós na tormenta (Lucas 16:19-31). Perdemo-nos na correria do dia a dia, na mesquinharia e nas pequenas picuinhas, agarrando-se a isso como se não houvesse mais sentido ou razão de existir se não viver. Esquecemos, como dizia C. S. Lewis, que a vida nesta terra é somente um parênteses na eternidade...

Mas há um caminho de vida, pouco usado ou mesmo aproveitado em sua plenitude. Um caminho que significa separar um tempo para se reestabelecer e se refrescar naquele que oferece fontes de águas vivas. Faço algumas perguntas que talvez você considere tolas: Qual foi a última vez que você orou? Quantas vezes você ora por dia? Como são seus momentos de oração?

Não falo aqui de uma oração agradecendo pelo alimento ou quando você ora na igreja pedindo algo ou clamando pela presença de Deus no culto. Falo aqui de conversar, literalmente, com Deus. Como a um amigo que você encontra na tarde e fala do seu dia, dos seus projetos, trocam ideias, partilham sorrisos e até lagrimas ou momentos nostálgicos. Parece irreal conversar com Cristo assim, e eu mesmo não me considero especialista, mas é algo que como Igreja precisamos aprender e reaprender: amar, conhecer e ter contato com Deus. Tantas vezes começamos e terminamos nosso dia e sequer damos um “Bom dia Espirito Santo!” ou mesmo pedimos sua companhia em nossas atividades, esquecemo-nos de falar-lhe sobre o ocorrido no dia a dia e com o tempo Ele se torna uma peça rara que é somente usada em caso de emergências, às vezes tão em desuso que nem funciona mais!

Li certa vez a historia de um homem que quando criança costumava visitar um sitio em que havia um poço de água refrescante e limpa. Água que permanecia tão gostosa mesmo nos dias mais quentes e era um alivio para os moradores. Com o passar do tempo, veio a modernidade, a água encanada e a fiação elétrica. Já adulto, e revisitando o sitio, ele lembrou-se do poço devido um quadro que havia ali. Saudoso dos tempos de infância, resolveu abrir o poço, que estava lacrado, para experimentar aquela água tão boa! Qual sua surpresa ao descobrir que o poço estava seco, sem água. Conversando com os vizinhos, descobriu que a água era alimentada por finos veios, e que quando mais se tirava, mais os veios levavam água para a superfície; porém, quando pararam de tirar água, os veios se entupiram e secaram.

Nossa vida de oração e busca por Deus funciona da mesma forma. Pensamos que estamos buscando demais ou que a fonte vai esgotar, mas a verdade é o contrario: quanto mais buscamos a Deus, mais ele tem a nos fornecer - mais de suas águas de vida, mais de suas águas de refrigério e descanso, paz e alegria! Se não aproveitarmos desse poço que jorra sem parar, se não tirarmos a cada dia das águas vivas, nosso coração se seca e fecha – sinal que estamos nos abastecendo de outras fontes que não do Salvador. Perdemos a alegria da vida e tudo se torna repetitivo e passageiro. Perdemos a singularidade da vida.

  Nas palavras de Ben Patterson “A consequência de não beber profundamente de Deus é perder a habilidade de sequer beber”. Não é a toa que muitos nunca estão saciados e continuam procurando algo sem saber o que.

Que neste ano que se inicia, com 365 novas possibilidades, possamos estreitar nosso relacionamento com Deus, cavar nossos tão entulhados poços para bebermos da fonte que jorra para a vida Eterna. Quando estava água fluir experimentaremos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.