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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Em tempos de DIP – Parte 2


                Apesar de muita coisa para ler, acabei passando em uma livraria e levei o livro do incomparável John Stott, teólogo anglicano que faleceu em 2011. Na Obra “A missão cristã no mundo moderno”, editora Ultimato, Stott fala sobre a missão da Igreja: desempenhar aquilo que o Senhor incumbiu. Mas o que exatamente o Senhor incumbiu? Qual foi mesmo a missão que nos foi confiada? Muitos acabaram focando em um dos dois pontos, evangelização dos povos, compartilhar as boas novas do evangelho (tratado quase como sinônimo de missão nas igrejas) e a ação social, cuidado com os órfãos e viúvas, alimentando os famintos e saciando os sedentos, ajuda medica e socioeconômica em países necessitados.  

                Com a tendência humana a debandar para um lado da balança, sempre buscando extremos, muitas vezes a Igreja ficou entre um dos lados: A Grande comissão (Mateus 28.19-20) versus As boas obras (João 14:11, Tiago 2:14-26). Desta forma perdemos o foco do que diz o segundo dos dois maiores mandamentos:

Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?
Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.
Este é o grande e primeiro mandamento.
O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.
Mateus 22.36-40

Não há favoritismos na Palavra, ambas fazem parte da nossa missão na terra e todas devem ser marcadas pelo Amor. No relato de John Stott:
O apostolo João me ajudou a compreender isso com as palavras de sua primeira carta: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade” (1 João 3.17-18). Aqui o amor em ação emerge de uma situação com dois momentos. Primeiro, “Ver” um irmão passando necessidade e segundo, “possuir” os meios para satisfazer essas necessidades. Se eu não relacionar o que “tenho” ao que “vejo”, não posso afirmar que o amor de Deus habita em mim. Além do mais, esse principio se aplica a qualquer tipo de necessidade vista. Posso ver uma necessidade espiritual (pecado, culpa, perdição) e ter o conhecimento do evangelho que satisfará essa necessidade. Ou a necessidade que vejo pode ser uma enfermidade, ignorância ou uma moradia precária e posso ter o conhecimento médico, educacional ou social para aliviar a situação. (pág. 32-33)

                O amor nos impulsiona a agir em favor e compaixão pelo próximo, mesmo os inimigos. E isso a Igreja precisa aprender. Parece estranho dizer isso, mas precisamos aprender a amar. É fácil ter uma distancia saudável, talvez até ajudar uma obra de caridade, mas se envolver parece ser para poucos – quando a Bíblia diz que é para os discípulos, cada um, claro, conforme seu chamado.  

                Recentemente li um ótimo artigo da Bráulia Ribeiro, leia aqui, onde ela apontava sua repulsa por títulos, termos e clichês usados em termos de missão e que nos afastam do foco que é amar. E para amar precisamos reconhecer o nosso próximo e sua necessidade. Raramente pensamos na Igreja perseguida como composta de pessoas com carne e osso, como eu e você, que tem seus dilemas, que também sentem fome e sede, amor e desejo, duvidadas e desespero. Não damos uma cara para essa Igreja porque isso nos tornaria muito próximos, algo que começa a se tornar pessoal.

                Claro que nem todos terão condição de visitar e conhecer esses irmãos. Mas em tempos de DIP, penso na importância de ouvir seus testemunhos, suas historias, seu contexto. Essa aproximação gera afinidade, identidade e, por fim, amor. Quando vemos uma guerra sendo travada e anunciada nos jornais, paramos para pensar que ali existe uma Igreja? Um corpo vivo de Cristo, lutando para sobreviver? Oramos pelas mães que penderam filhos e maridos? Oramos pelas crianças cercadas de canhões e balas perdidas?

Onde está a face da Igreja Perseguida?  Onde está o nosso amor? Onde está a nossa missão? 

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