Ah! Quem me dera ser como fui nos meses passados, como nos dias em que
Deus me guardava! Quando fazia resplandecer a sua lâmpada sobre a minha cabeça,
quando eu, guiado por sua luz, caminhava pelas trevas; como fui nos dias do meu
vigor, quando a amizade de Deus estava sobre a minha tenda. Jó 29:2-4
Faz tempo não?
Mas aqui estamos novamente e acabei mudando aquilo que tinha em mente para um post pós-jejum – que já faz dois meses (como
o tempo passa meus queridos)! Mas bom é saber que nossos dias estão em suas
mãos (Salmo 31:15).
Pouco
depois que o período de jejum terminou minha irmã fez um comentário que me fez
rir, mas também pensar. Ela estava conversando com minha mãe e chegou à
conclusão de que a semana do jejum era uma semana de desintoxicação, mas que a
semana seguinte era de intoxicação. Pare para pensar. Passamos aproximadamente
uma semana e meia comendo alimentos saudáveis. Em casa, trocamos carne por
verduras e legumes e usamos produtos integrais, corremos atrás de receitas e
evitamos açucares – definitivamente cortando refrigerantes e chocolates. No
plano espiritual não foi diferente, dedicamos mais tempo a oração e a leitura
da bíblia, deixamos coisas que habitualmente fazemos para buscar mais da vontade
do Senhor...
Passado poucas horas
do período de consagração é incrível como rapidamente voltamos aos velhos
hábitos, e alguns até se sentem mal por tão repentina curva na estrada. Se em
uma semana havia desintoxicação, na outra, velhos hábitos voltavam a fazer
parte da vida. Claro que isso faz sentido quando se leva em consideração que o
jejum é isso, um período intensivo de busca da presença de Deus (portanto, não
uma dieta), algo que diferencia do cotidiano. Mas, incluímos Deus no nosso
cotidiano, realmente?
Gosto
do livro de Jó não só pela poética que apresenta, mas pela simplicidade e
honestidade na luta de um justo tentando entender o sabor doce e amargo que a
vida pode apresentar – ora de forma alternada ora misturado, em um tom
agridoce. Jó afirma sentir saudades de quando andava com Deus, de quando era
seu amigo. Mais que a perca de bens, dos filhos ou da saúde, creio que o que
mais pesava e doía em Jó era o silencio de Deus, era esse afastamento. Onde Ele
se escondia? Porque Sua presença se afastava e o silencio das trevas o
encobriam? Não eram antes amigos?
Grande
parte da representação de companhia divina se expressa na declaração de que
“Deus estava sobre a minha tenda”. Fugindo um pouco do texto, isso nos remete a
época de Moisés, onde a tenda do encontro era montada para que o povo pudesse
encontrar-se com Deus. Muitos temiam, mas Moisés falava como amigo, face a
face, tinha intimidade. Da mesma forma, anos antes, Jó afirmava que a companhia
de Deus era constante em sua tenda.
Faço
ainda outra observação: Jó não poderia entender o porquê da sua dor, mas, não
fosse por ela, não teria conhecido a Deus com mais proximidade:
Bem
sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.
Quem
é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade,
falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu
não conhecia.
Escuta-me,
pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
Eu
te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Jó 42:2-5
Ao fim de tudo o que quero destacar é isso:
temos saudades do senhor? Ansiamos conhecê-lo? Como Jó, as tempestades da vida
podem provar que ainda estamos distantes de sua presença e Glória, que ainda há
tesouros para encontrar e que viver uma vida livre das toxinas deste mundo pode
valer a pena.
Não é algo fácil, com certeza. Às vezes ao
buscar Deus posso sentir-me uma casca oca, vazia, sem nada a oferecer, mas prossigo
no caminhar porque como disse Pedro “Só Tu [Jesus] tens as palavras de vida
eterna”. Para o mundo é ilusão, fantasia, perca de tempo, moralismo ou fundamentalismo,
para nós é a vida que tanto ansiamos, é o único amor por quem vale a pena
correr mais uma milha, é a única coisa que pode preencher o vazio.

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